quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo!!



Faltam poucas horas para darmos início a um novo ano. Para nós do GSMA, 2014 vai deixar saudades, pois foi  um período de grandes realizações. Chegamos a Machu Picchu pela Trilha Inca e estivemos em Ouro Preto num tour que rendeu muitas fotos e histórias (aguardem as postagens!). Não foi desta vez que visitamos o Cânion do Itaimbezinho conforme o planejado, mas em compensação fomos parar na Amazônia vivendo momentos incríveis! Comemoramos o primeiro aniversário do blog em grande estilo, com uma turma muito animada gastando sola no Morro da Conceição numa parceria com os amigos da Expedição Cultura. Enfim, não fizemos tudo que gostaríamos, mas adoramos tudo que fizemos!!

Enquanto 2015 vai encostando no cais da vida, vamos nos preparando para mais esta jornada desejando a todos que nos acompanham um ano pleno de saúde, felicidade e, claro, muita sola pra gastar correndo atrás dos seus sonhos!!!!





terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Expedição Amazonas - Manaus - AM

No dia 09 de dezembro a equipe do GSMA partiu rumo à Manaus para conhecer uma das regiões mais belas, enigmáticas e fascinantes do planeta: a Floresta Amazônica! Foram 13 dias inesquecíveis gastando sola pelas ruas da antiga capital dos seringueiros, navegando ao encontro das águas, caminhando na floresta, provando pratos típicos e, principalmente, aprendendo muito com o povo da terra.

A viagem


Saímos por volta das 12h30min do Galeão, no Rio de Janeiro, para um voo tranquilo de quatro horas até o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes em Manaus. Como há uma diferença de duas horas no fuso horário desembarcamos às 14h30min horário local. O aeroporto possui instalações amplas e confortáveis, resultado da reforma destinada a atender aos torcedores que visitaram a cidade por ocasião da Copa do Mundo de 2014.

Primeiras impressões


Aqui no eixo Rio-São Paulo, sempre que o assunto é Amazônia, via de regra o enfoque recai sobre aspectos relativos a flora, fauna, desmatamento, questões indígenas entre outros. Com isso nos acostumamos a pensar na Amazônia sempre do ponto de vista do bioma e acabamos por esquecer que ali também existem cidades e muita interação entre o homem e a natureza.

Talvez por isso minha primeira impressão sobre Manaus foi de que aquelas avenidas urbanizadas não deveriam estar ali e que toda aquela atividade tipicamente citadina estava fora de lugar. Mas foi só a primeira impressão, pois logo percebi que o errado nesta história era eu e que o Estado do Amazonas precisa de uma capital a sua altura!

Outra bola fora, fruto do desconhecimento, foi imaginar que o imenso rio que se avistava ao longe fosse o Amazonas, quando na verdade era o Rio Negro. Isso que dá não fazer a lição de casa direito antes de viajar.

Ponte Rio Negro, ligando Manaus a Iranduba.

Felizmente o pessoal que nos apanhara no aeroporto já devia estar acostumado com estas questões e respondia a nossas perguntas com bom humor e simpatia. Assim ficamos sabendo que de fato a cidade de Manaus vem enfrentando um período de acelerado crescimento urbano e sofrendo com a decorrente especulação imobiliária. E que este processo teve um impulso considerável com a inauguração em 2011 da Ponte do Rio Negro, que liga a capital a Iranduba, uma vez que a facilidade de acesso permitiu a construção de diversos condomínios residências neste município.

Praia da Ponta Negra, no centro da cidade.

Outro aspecto que cedo despertou nossa atenção foi a relação do amazonense com os rios que cercam, e servem, a região. Há diversos terminais de passageiros e uma grande Hidroviária na cidade. Isto sem falar na quantidade de pequenos barcos e canoas que se avista por toda parte.

A babel de barcos no Terminal A Jato.

Destes terminais partem os motores (barcos de passageiros) com destino as cidades do interior do Estado, como Labreas e Parintins, e mais além, podendo chegar até Belém do Pará. As viagens costumam durar vários dias e a maioria dos passageiros se acomoda em redes no convés da embarcação. Através dos motores os ribeirinhos realizam mudanças, se abastecem com provisões e transportam quem necessita do atendimento médico inexistente em seu local de origem.

Vendo a vida passar.

A natureza ao alcance da mão


Mas o Amazonas não é apenas Manaus e Manaus não é apenas cidade. Já na região metropolitana se pode perceber uma natureza exuberante que a cerca com rios, áreas de selva e um céu que pode trocar o azul profundo pelo aguaceiro num piscar de olhos.

Pôr do sol no Rio Amazonas, na região metropolitana de Manaus.

Desta natureza onipresente vem a fartura que sustenta tanto o caboclo do interior como o manauara e vem se convertendo num item importante da gastronomia brasileira. O crescente interesse que os frutos da floresta vem despertando no setor gastronômico já ultrapassou as fronteiras brasileiras, tornando-os elementos importantes do cardápio tributário amazonense. Destaque para os peixes, tantos e de tão variadas formas e sabores que os mercados daqui destinam uma área específica para eles.

Manta de pirarucu salgado.

Na escola ensinavam que pirarucu é o bacalhau brasileiro. Mas você já provou pirarucu? Se não, saiba que a versão salgada é apenas uma das formas de saborear sua carne e que o ventrecho deste peixe na brasa é um dos pratos mais apreciados pelo povo da terra. E não faltam motivos para isso, pois o sabor é realmente surpreendente.

Cuiu-cuiu, aspecto pré-histórico e sabor de primeira.

Surpresa mesmo ficou por conta do Cuiu-cuiu, um peixe da família dos cascudos que possui um aspecto que lembra um animal pré-histórico, mas tem uma carne também muito apreciada pelos locais. O bicho é tão impressionante que num dos passeios que fizemos um exemplar acabou virando souvenir e hoje faz parte da coleção do GSMA.

Durante nossa estada no Amazonas recolhemos muitas histórias, informações e imagens que, a  partir de hoje, publicaremos numa série de posts sobre temas específicos. Em nossa página do Facebook você já pode ir se deliciando com as fotos que postamos durante a viagem:


Veja também estes outros posts sobre o Amazonas:





quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Repondo as energias em meio a natureza - Magé - RJ

Depois de um ano de intensas atividades em meio a vida agitada que levamos hoje, nada melhor que tirar um tempo para elevar o espírito e realinhar as energias, principalmente se isto puder ser feito em meio a tranquilidade da natureza. Foi pensando nisto que o Centro de Umbanda Caminhos de Aruanda - CUCA realizou a Gira Anual de Mata e Cachoeira, no último dia 29. A cerimônia aconteceu no Parque Ecológico dos Orixás, em Magé, e contou com a presença de aproximadamente 150 médiuns.

Gregório Brandão.
Para Gregório Brandão, dirigente do CUCA, o principal objetivo deste ritual "é a troca de energias com a Natureza através das vibrações dos Guias Espirituais de Umbanda, possibilitando assim o ajuste energético de cada médium". Ainda segundo ele, este trabalho também possibilita que cada participante reponha suas energias e dê seguimento ao novo ciclo que se inicia a cada ano. A julgar pelos resultados, os objetivos foram plenamente alcançados.

Quando se fala sobre ritos, no caso rituais da Umbanda, sempre é bom lembrar que existem várias formas de expressão que dependem da própria comunidade que os praticam, bem como possuem suas próprias regras e modo de trabalhar. Em essência todos baseiam-se na prática de atos que fazem a conexão entre o humano com o sagrado e servem como caminho para o aprimoramento do espirito.

Parque Ecológico dos Orixás


O parque é uma iniciativa da União Umbandista dos Cultos Afro Brasileiros que visa oferecer aos associados um local apropriado para entrega de oferendas e realização de trabalhos em mata e cachoeira.

Parque está localizado em meio a uma grande área verde.

Localizado na antiga estrada que liga a cidade do Rio a Petrópolis, oferece aos praticantes um belo cenário natural e a tranquilidade necessária para a realização dos cultos. O terreno é amplo e decorado com estátuas representando os Orixás espalhadas pelo local. Caminhos bem sinalizados levam aos terreiros demarcados, de modo a facilitar os deslocamentos e organizar as atividades dos diversos Centros que utilizam o parque.

São Sebastião.

A Gira


Após a oração inicial feita por Gregório o toque dos ogãs deu início aos trabalhos. Nesta Gira, que faz parte de um ritual de fechamento de ano, foram levadas oferendas em agradecimento ao Povo da Mata e Cachoeira, dentre eles Oxossi, com seus cablocos e boiadeiros, Oxum e Xangô.

Médiuns do CUCA se preparam para a Gira.

Conforme a batida dos tambores ia embalando o andamento da Gira, as manifestações de entidades iam se sucedendo. Assim, outros Orixás também foram homenageados neste dia, como Iansã e os Erês.

A dança como forma de devoção.

A chegada dos Erês é sempre uma festa!

Este foi apenas mais um rito dentre tantos outros que ainda irão acontecer, como a tradicional Gira de Praia, que ocorre no final do mês de dezembro, quando Iemanjá será o principal Orixá a ser agradecido. Lembremos que nenhum Orixá é esquecido nos trabalhos de encerramento do ano e que todos serão homenageados e ofertados, dentro de um calendário pré-definido pelo CUCA.

Lavagem da Cabeça


No meio da mata há uma bela cachoeira onde jorra a água límpida e fresca que brota nas vertentes do alto da serra. Ali reina uma paz serena, embalada pelo murmurar da corrente que segue vigorosa o leito do rio.

Médius seguem o balaio rumo à cachoeira.

E foi para cá que vieram os médiuns, num cortejo onde o branco das vestes se destacava contra o fundo verde das árvores para participar da Cerimônia da Lavagem da Cabeça. Apesar do nome, este ritual consistia em um banho de imersão, onde o médium mergulhava de corpo inteiro.

Hora de deixar as más energias irem embora.

Ao final do dia o retorno ao Rio se deu em meio a alegria daqueles que, com a alma revigorada, estavam prontos para dar seguimento a sua rotina de vida material e espiritual.

Veja estas e muitas outras fotos no álbum Gira de Mata e Cachoeira (clique aqui) em Abaretiba, nossa página no Facebook.

Fontes:

CENTRO DE UMBANDA CAMINHOS DE ARUANDA - CUCA. [Página oficial]. Disponível em http://www.caminhosdearuanda.com.br/. Acessado em 02 dez. 2014.

UNIÃO UMBANDISTA DOS CULTOS AFRO BRASILEIROS. Parque Ecológico dos Orixás. Disponível em http://www.uucab.com.br/parque/index.php. Acessado em 02 dez. 2014.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Gruta de Maquiné - Cordisburgo - MG

Cordisburgo é um pequeno município mineiro, localizado a uns 120 km de Belo Horizonte, mais conhecido por ser a terra natal de Guimarães Rosa e que tem como principal atrativo turístico a Famosa Gruta de Maquiné.

De acordo com o guia local que nos atendeu durante a visita, o nome da cidade resulta da junção das palavras Cordis, que em latim significa Coração, e Burgo, que em alemão significa Cidade, e é uma homengem ao Sagrado Coração de Jesus, padroeiro da localidade.

A Gruta de Maquiné - um pouco de história


A caverna foi descoberta em 1825 por Joaquim Maria Maquiné, o Seu Maquiné, enquanto andava pelas terras de sua fazenda, mas permaneceu praticamente inexplorada por quase uma década.

Entrada da Gruta de Maquiné.

Em 1834 o naturalista dinamarquês Peter Wihelm Lund, que realizava uma expedição científica da região, explorou a caverna e trouxe à luz a descoberta de fósseis de grande importância histórica, motivo pelo gual a Gruta de Maquiné é considerada o berço da paleontologia brasileira. Graças a ele também se tornaram conhecidos os sete salões com belíssimas formas arquitetônicas naturais, esculpidas pelo caprichoso trabalho da água durante milhares de anos.

E uma curiosidade: recentemente cenas da novela Império, da Globo, foram gravadas no interior da gruta.

Uma obra de arte de milhões de anos


O trajeto aberto a visitação é de aproximadamente 650 metros, com um declive em torno de 18 metros, tornando a descida suave e a volta tranquila. O interior conta com iluminação de led estratégicamente distribuída de modo a destacar os principais atrativos. Além disso, o percurso é realizado em passarelas niveladas e sinalizadas para que os visitantes possam apreciar as belas esculturas naturais formadas pelas estalactites e estalagmites com total segurança. 
Formação conhecida como "tubos de órgão".

O interior da gruta é realmente impressionante, tanto pela variedade de formações que podem ser observadas quanto pelas dimensões de alguns salões, em especial o último. De acordo com o guia, há milhões de anos atrás um rio subterrâneo escavou a terra, dando origem a caverna que hoje conhecemos. Neste último salão, o maior de todos, existem claros vestígio de um grande desmoronamento que provavelmente bloqueou a passagem da água e acabou por alterar seu curso.

Ainda segundo ele, há uns 30 anos havia diversas áreas alagadas no interior da gruta, mas aos poucos esta água foi secando e agora, devido a prolongada estiagem, nem mesmo o gotejar responsável pela formação das estalactites estava ocorrendo.

Pinturas Rupestres


Um detalhe interessante é que apesar do tamanho da caverna não há vestígios de ocupação humana em seu interior. Apenas na entrada foram encontrados utensílios de pedra e algumas pinturas rupestres que sobreviram ao tempo.

Pintura rupreste.

Atenção ao turista


O local conta com uma boa estrutura de apoio aos visitantes. Há uma ampla área de estacionamento, banheiros e um restaurante que serve comida mineira a preços acessíveis.

Tanto o entorno como o acesso à gruta foram calçados, de modo a facilitar o deslocamento dos turistas. A visitação é feita em pequenos grupos obrigatoriamente acompanhados por um guia local experiente, uma vez que o ambiente fechado torna necessário a observação de alguns requisitos de segurança. Isto sem falar que o conhecimento das peculariedades da atração, que não são poucas, permite a ele enriquecer a experiência com histórias ricas em detalhes.

Veja estas e outras fotos no álbum Cicuito Cidades Históricas - Cordisburgo (clique aqui) em Abaretiba, nossa página no Facebook.

Gruta de Maquiné


Localização: Via Alberto Ramos, Rodovia MG-231, km 7, Cordisburgo, Minas Gerais
Ingresso: R$ 17,00
Horário de visitação: Diariamente, das 08:00 às 17:00 horas, sendo que o último grupo inicia a visitação às 16:00 horas.
Duração da visita: De 1 a 2 horas


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mina Jeje - Ouro Preto - MG

A notícia de que havia sido descoberto ouro nas serras das gerais correu como um rastilho de pólvora pela colônia, atraindo para a região milhares de aventureiros que acorriam em busca de fortuna.

Durante o auge do ciclo do ouro Vila Rica, como era chamada Ouro Preto nesta época, chegou a contar com 170.000 almas (o dobro da população atual), convertendo-se na cidade mais populosa das Américas.

A região se converteu numa Serra Pelada do Séc. XVIII, onde a exploração desenfreada trouxe muita riqueza, mas também muitos problemas. E como resultado deste fenômeno hoje existem 350 minas catalogadas na cidade, embora estima-se que este número ultrapasse a casa de 2.000 unidades, sendo que todas se encontram esgotadas.

Um pouco de história


O garimpo, embora primitivo, exigia conhecimentos especializados que os portugueses não tinham, por isso foram importados negros cativos que já praticavam a mineração em outros lugares para dar início ao processo produtivo.

Segundo o guia que nos acompanhou durante a visita o trabalho era extremamente penoso e consistia basicamente em escavar terra adentro, formando os túneis que hoje conhecemos. A escavação tinha que ser feita de modo a evitar os desmoronamentos, dai os túneis estreitos e abobadados, cuja altura era normalmente baixa. No caso da Mina Jeje a altura ultrapassa os dois metros em alguns pontos, sendo que em outros não chega a um metro e meio.

O entulho era carregado para fora em mochilas de couro que pesavam em média 40kg e tinha que ser feito sem ajuda de maquinário ou equipamentos. Todo o trabalho desenvolvido neste tipo de mineração foi baseado na força (sobre) humana dos escravos.

O processo de separação do ouro consistia em triturar o minério e lavá-lo em água corrente sobre pele de boi para que as pepitas, mais pesadas, ficassem presas entre os pelos do animal. Depois de algum tempo era preciso bater neste couro para recolher o resultado. Este serviço ficava a cargo dos escravos fracos e doentes que já não podiam mais trabalhar nas minas. Quando o escravo já não tinha forças nem para isto, dizia-se que não servia nem para dar no couro, dando origem a expressão popular que utilizamos ainda hoje. As condições de trabalho eram tão duras que a vida útil de um escravo era de aproximadamente 22 anos. E se você pensa que o ouro jorrava aos borbotões, saiba que o rendimento médio era de apenas oito gramas de ouro para cada tonelada de minério processada.

Visitas são feitas em grupos pequenos e acompanhados por guia.

Um tour debaixo da terra


A Mina Jeje entrou em operação em 1713 e fica em plena cidade, numa das muitas ruazinhas desniveladas de Ouro Preto. A entrada é basicamente um buraco num barranco ladeada por alguns barracões de madeira que servem para abrigar a bilheteria, o depósito de capacetes (uso obrigatório durante o percurso) e uma singela lojinha de souvenirs.

Por questões de segurança a visitação está restrita a um trecho de 150 m de extensão apenas, basicamente um corredor que vai morro adentro, mas serve bem para dar uma idéia de como funcionava a mina no século XVIII. O caminho é sinalizado e recebeu um eficiente sistema de iluminação elétrico, cuja luz serve para destacar os inúmeros nichos escavados nas paredes e onde eram colocadas as lamparinas que alumiavam os passos dos escravos.

Túneis se estreitam em alguns pontos.
Apesar de relativamente curto, o trajeto atinge uma profundidade total de 160 m, aproximadamente, devido ao relevo irregular da região. O passeio é totalmente seguro e dura em torno de meia hora. O ambiente abafado e sombrio pode não ser adequado para pessoas que tem problemas com lugares fechados.

Visita termina num "salão" formado após desabamento de parte do túnel.

O tour é finalizado numa área ampla, resultado de um desabamento ocorrido no período em que a mina ainda era produtiva.


Veja estas e outras fotos de Ouro Preto no álbum Circuito Cidades Históricas - Ouro Preto em Abaretiba, nossa página no Facebook.

Mina Jeje


Endereço: Rua Chico Rei, 391, Ouro Preto - MG
Ingresso: R$ 15,00
Atenção: Não recomendado para quem sofre de claustrofobia


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cemitério São João Batista - Rio de Janeiro - RJ

Quem acompanha nossas andanças sabe que somos aficcionados por arte tumular e não dispensamos visitas a cemitérios em busca de exemplares desta modalidade artística tão mal compreendida por estar associada a um dos momentos mais dolorosos da existência, que é a perda de um ente querido. Há também quem ache estranho visitar um campo santo a lazer, mas é bom que se diga que não estamos sozinhos neste métier, pois este tipo de atividade atrai adeptos no mundo todo e se constitue numa ramificação do turismo.

Por isso foi com satisfação que ficamos sabendo das iniciativas tomadas pela Rio Pax, nova administradora do Cemitério São João Batista - CSJB aqui no Rio, no sentido de promover visitas guiadas, bem como recepcionar de forma acolhedora aos familiares dos sepultados neste feriado do Dia de Finados.


Atores caracterizados como Tom Jobim, Chacrinha e Santos Dumont, hóspedes ilustres do CSJB.

Logo na entrada do portão principal um violinista saudava os visitantes ao lado de uma trupe insólita formada por Tom Jobim, Chacrinha, Santos Dumont e Carmen Miranda. Eram atores caracterizados como alguns dos nomes famosos que ali estão enterrados. A lista é bastante extensa e inclui ainda Cazuza, Heitor Villa Lobos, Vicente Celestino, Noel Rosa e a campeã de visitação Clara Nunes, entre outros. Além de artistas há também políticos: o CSJB abriga o maior número de jazigos de chefes de estado do País com nove ex-presidentes da República. Aliás, vale a pena visitar a cripta de Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, na quadra 25.

Mais do que personalidades ilustres, o CSJB abriga um acervo escultório de valor incalculável, com obras de artistas do naipe de Bernardelli (responsável pelas portas da Igreja da Candelária) e Humberto Cozzo, autor da estátua de Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras - ABL. É interessante percorrer as aléias e observar a evolução dos estilos de acordo com o período cronológico no qual foram feitos os monumentos. São obras majoritariamente de mármore e bronze que vão do neoclássico ao contemporâneo, passando pelos estilos eclético, neogótico e moderno. Um verdadeiro museu de arte e arquitetura a céu aberto.

Detalhe do jazigo de Joaquim Murtinho, exemplo de arte tumular.

A dor da perda e o desejo de homenagear o ente que partiu de forma a perpetuar sua lembrança pode gerar resultados curiosos, como o deste monumento funerário reproduzido abaixo que remete a um farol. Pelo que se depreende do conteúdo da lápide, foi a maneira que o filho encontrou para expressar sua admiração pelo pai, um marinheiro de alta patente, que dedicara sua vida ao mar.

Sepultura em forma de farol, homenagem do filho ao pai marinheiro.

Devoção popular


Como em outros cemitérios, neste também é relativamente fácil encontrar em algumas sepulturas placas de agradecimento por graças alcançadas. São manifestações populares de fé na capacidade de intereseção daquela pessoa junto a Deus na forma de agradecimento.

Talvez o caso mais significativo tenha sido o da menina Odete Vidal de Oliveira, cujo processo de beatificação iniciou em janeiro de 2013, após o reconhecimento formal de diversos milagres atribuídos a ela. Seu corpo esteve sepultada no CSJB até 2012 e após a exumação foi transladado para a Igreja da Imaculada Conceição, em Botafogo.

Há também um caso curioso, onde uma figura de bronze representando Netuno é reverenciada como sendo a de Pai Joaquim, entidade cultuada pela Humbanda e pelo Camdomblé. Segundo fontes ligadas ao Cemitério, a origem desta associação não está muito clara e pode estar relacionada ao nome "Joaquim" que aparece na lápide, mais a expressão pouco ortodoxa da estátua. O fato é que não faltam oferendas na forma de flores, cigarros, velas e cachaça. Como já faz bastante tempo que estas demonstrações de fé começaram e a quantidade de oferendas não diminui é de se supor que Netuno / Pai Joaquim tem sido benevolente e atendido as preces dos suplicantes.

Devoção popular tornou Pai Joaquim o Netuno de feição gaiata.

Visitas guiadas


O CSJB promove visitas turísticas guiadas pelo historiador, guia e Professor Milton Teixeira. O roteiro dura cerca de uma hora e meia e leva os participantes a acompanhar a evolução arquitetônica dos séculos XIX e XX. Durante o passeio, o Prof. Milton conta histórias curiosas e divertidas. As visitas são gratuitas e acontecem uma vez por mês, com grupos de até 100 pessoas. Para agendar sua visita, clique aqui.

Queridos para Sempre!


A Rio Pax está implantando no CSJB um serviço que promete revolucionar o conceito de visitação e homenagens póstumas. É o projeto Queridos para Sempre! Homenagem Além da Vida que consiste em gerar um código de barras do tipo QRCode a ser colocado na lápide ou monumento. Este tipo de código é legível por celulares, tablets ou computadores comuns e remete a uma página de internet personalizada com biografia, fotos e vídeos do sepultado. A tecnologia já se encontra em uso com a aplicação dos códigos nos jazigos de famosos, de modo que os visitantes podem conhecer detalhes de sua história durante a execução do roteiro.

Galeria de fotos


Veja em Abaretiba, nossa página no Facebook (clique aqui), a galeria de fotos da visita ao Cemitério São João Batista, com diversos exemplos de obras que podem ser encontradas no local.

Um pouco de história


O São João Batista foi oficialmente inaugurado por Dom Pedro II em 1852, num esforço para melhorar as condições de salubridade do Rio de Janeiro. Até então, as pessoas eram enterradas nas igrejas e já não havia espaço para tanta gente. Com uma área de 183.123 metros quadrados antes ocupada pela Chácara Berquó, o terreno foi comprado em 2 de agosto de 1852 com dinheiro conseguido através da venda de títulos de nobreza. O primeiro sepultamento demorou um pouco a ocorrer porque nenhuma família de boa estirpe queria inaugurar um cemitério. Coube a tarefa à menina Rosaura, um ‘anjinho’ de apenas 4 anos, filha de escravos, em 4 de dezembro daquele mesmo ano. Até junho de 1855, foram feitos mais 412 sepultamentos. Nos anos seguintes seguiram-se os traslados de diversos túmulos provenientes de igrejas e outros cemitérios, como os restos do poeta Álvares de Azevedo, originalmente sepultado num cemitério da Praia da Saudade destruído por uma ressaca. Com centenas de ricos mausoléus e sepulturas adornadas por esculturas que são verdadeiras obras de arte, o São João Batista é o único cemitério da Zona Sul, o preferido das famílias abastadas, onde estão enterradas várias personalidades que ajudaram a escrever a história do Brasil, seja na política, na arte, nos esportes e na cultura (Texto extraído do site do CSJB).


Fontes


QUERIDOS!  Códigos QR em lápides e monumentos mostram informações sobre familiares, amigos queridos e celebridades. Rio de Janeiro : [2014]. Disponível em http://qridos.com.br. Acessado em 03 nov. 2014.

CEMITÉRIO SÃO JOÃO BATISTA. História. Rio de Janeiro : [2014]. Disponível em http://cemiteriosjb.com.br/. Acessado em 03 nov. 2014.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Parcão - Porto Alegre - RS

Oficialmente é Parque Moinhos de Vento, mas os porto-alegrenses o conhecem, e chamam, de Parcão. O mais curioso deste nome é que este não é o maior parque da cidade, perdendo em área para pelo menos dois: o Parque da Redenção, no centro da cidade, e o Parque Marinha do Brasil, na orla do Guaíba.

Por outro lado, o Parcão está longe de ser pequeno, pois ocupa uma área de 11,6 hectares numa das regiões mais elegantes e valorizadas de Porto Alegre: o bairro Moinhos de Vento. Apesar de sua localização, é um espaço democrático onde os gaúchos de apartamento podem se exercitar, lagartear ao sol e, é claro, tomar um belo chimarrão!


Moinho de Vento é uma homenagem as origens do bairro

Um pouco de história


Ainda criança, acompanhei  a mudança da família para Porto Alegre na década de 60, quando meus pais fixaram residência no bairro Auxiliadora, vizinho ao Moinhos de Vento. Conforme ia crescendo, ia expandindo as fronteiras de minhas andanças (naquela época não havia perigo em deixar os filhos soltos por ai) e em pouco tempo alcancei o enorme terreno abandonado que havia sido, segundo me contavam, o Prado - local onde se realizavam as corridas de cavalo. Com a transferência do Jockey Club para sua nova sede na Zona Sul, o terreno foi desapropriado e destinado a construção de uma área verde.

Alheios as discussões que ocorriam na Câmara de Vereadores e na Prefeitura, eu e meus colegas aproveitávamos o local para jogar bola, brincar e caçar girinos num olho d'água que havia por ali. Com o desenvolvimento urbano do bairro o local foi fechado para obras e ressurgiu para ser inaugurado em 1972 como o Parque Moinhos de Vento.


O lago central abriga diversos tipos de aves e animais.

Atualmente estão disponíveis diversas opções de lazer como pistas para corrida, patinação, quadras de futebol, tênis, vôlei e aparelhos de ginástica. Para o público infantil, estão à disposição equipamentos de recreação artesanais, feitos de toras de eucalipto. Na réplica de um moinho no estilo açoriano (ver imagem acima) funciona a Biblioteca Infantil Ecológica Maria Dinorah.

O Parcão integra o roteiro dos ônibus da Linha Turismo (para saber mais, clique aqui), sendo que há uma parada na Av. Goethe.

Arte monumental


Numa das extremidades do parque, aquela mais próxima da Av. 24 de Outubro, encontra-se uma gigantesca escultura de ferro, representando três guerreiros em posição de sentinela. A estrutura tem aproximadamente 30  metros de altura, pesa algo em torno de 60 toneladas e já deu muito o que falar.

Trata-se de uma homenagem ao ex-presidente Castello Branco feita pelo artista plástico Carlos Tenius e inaugurada em 1979. A polêmica fica por conta da monumentalidade da obra, que interfere no aspecto paisagístico da região e na figura do homenageado. Afinal, sempre é bom lembrar que neste último primeiro de outubro a Câmera de Vereadores de Porto Alegre oficializou a mudança do nome de uma importante avenida da Capital de Castello Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia.

Monumento à Castello Branco, obra de Carlos Tenius.

Rusgas políticas a parte, a verdade é que o monumento já está integrado ao conjunto arquitetônico e é um ponto de referência da região. Aliás, é bem possível que as novas gerações nem se importem tanto com a figura do homenageado e passem a chamar a obra por um nome mais contemporâneo e próximo a eles, pois os imensos guerreiros de metal lembram muito os heróis da Hasbro no último filme de Michael Bay: os Transformers.

Veja estas e outras fotos em Abaretiba, nossa página no Facebook, no álbum Parque Moinhos de Vento - Parcão (clique aqui).

Parque Moinhos de Vento - Parcão


Endereço: rua Comendador Caminha, s/n - bairro Moinhos de Vento
Telefone: (51) 3332-1021
Inaugurado em: 9 de novembro de 1972

Fonte


PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE. SECRETARIA MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE. Parque Moinhos de Vento (Parcão). Disponível em http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smam/default.php?p_secao=204. Acessado em 31 out. 2014.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Hidráulica Moinhos de Vento oferece sombra e água fresca - Porto Alegre - RS

Sempre gostei de caminhar e faço isso desde criança, sendo que nunca precisei utilizar transporte escolar para frequentar o colégio. Por volta de 1976 morava com a família no bairro Auxiliadora e comecei a cursar o segundo grau no Colégio Rosário, localizado em frente à Praça São Sebastião, no centro de Porto Alegre. Quem conhece a geografia da cidade sabe que entre estes dois pontos fica o Moinhos de Vento, um dos mais elegantes bairros da capital dos gaúchos, tornando-se assim passagem obrigatória de meu roteiro diário.

No ponto mais alto da rua 24 de Outubro passava pela velha hidráulica sem prestar muita atenção aos jardins e ao prédio que se destacava ao fundo. O que realmente me prendia era aquela torre misteriosa que ficava a poucos metros do portão e para a qual imaginava mil e uma finalidades, menos a qual ela realmente se destinava.

Anos depois ela foi convertida num centro cultural e tive a oportunidade de conhecer seu interior. Era interessante, mas a fantasia era bem melhor ...

Prédio é de 1928 e sua arquitetura é inspirada no Palácio de Versalhes.


A história da hidráulica remonta a 1890, quando começaram a ser construídos os tanques de captação de água da Hydráulica Guaybense, responsável pelo abastecimento de água da cidade até a década de 20 do século passado, quando foi adquirida pela empresa norte-americana Ulen & Co.

O prédio histórico - ainda em funcionamento - foi concluído em 1928 e sua arquitetura é inspirada no Palácio de Versalhes, inclusive os jardins, e apresenta traços ecléticos e positivistas. A grande área ajardinada a sua frente encontra-se sobre dois imensos reservatórios subterrâneos, atualmente desativados. Este tipo de armazenamento é utilizado para manter a temperatura da água já tratada estável, evitar sua contaminaçao e diminuir as perdas por evaporação. Hoje um é utilizado como arquivo e o outro como galeria de arte e fica aberto à visitação pública. Outra atração, que se destaca na paisagem, é a Torre da Hidráulica, na verdade uma antiga casa de filtros construída em 1910 e desativada em 1969.

A torre, construída em 1910.

O parque é um verdadeiro oásis de verde em meio ao concreto desta área densamente urbanizada. Aqui os porto-alegrenses podem tomar seu chimarrão em meio ao arboreto, que ameniza os efeitos do calor, e abriga uma grande variedade de pássaros.

Esta é uma das maiores estações do Departamento Municipal de Água e Esgotos - Dmae, órgão vinculado à Prefeitura de Porto Alegre. A Estação de Tratamento de Água Moinhos de Vento, ou ETA Moinhos, ocupa uma área total de seis hectares e é responsável pelo abastecimento de 14 bairros da cidade. Aqui são produzidos 121 mil metros cúbicos de água tratada por dia.

Desde maio de 2012 a ETA Moinhos integra o roteiro dos ônibus da Linha Turismo (para saber mais, clique aqui). Basta descer na parada do Parque Moinhos de Vento (Parcão) e caminhar pela rua 24 de Outubro cerca de 7 minutos, sentido bairro-Centro, até a entrada principal da Estação.

As Ninfas estão chegando


Ninfa que adornava o Chafariz do Imperador em 1866.

No início de outubro deste ano a Prefeitura efetuou a remoção de um conjunto de estátuas de grande valor artístico e histórico para o jardim da ETA Moinhos. Trata-se de um conjunto de quatro peças constituído por duas Ninfas e dois Netunos que representam os afluentes do Lago Guaíba, a saber: Jacuí, Sinos, Caí e Gravataí. Originalmente havia uma quinta representando o Guaíba, mas infelizmente seu paradeiro é desconhecido.

Estas estátuas são consideradas como sendo as mais antigas da cidade e foram esculpidas em mármore de Carrara, em 1866, provavelmente pelo escultor italiano José Obino. Na segunda metade do século XIX haviam apenas oito chafarizes que abasteciam a população de água potável e elas foram criadas para  adornar o Chafariz do Imperador que funcionava na Praça da Matriz, que em 1910 foi desmontado para dar lugar ao Monumento a Júlio de Castilhos. Com isso Ninfas e Netunos foram guardados em um depósito até 1936, quando foram instalados na Praça São Sebastião, em frente ao Colégio do Rosário.

Na década de 70, quando estudante do Rosário, não poucas vezes testemunhei atos de vandalismo contra as Ninfas indefesas. Reunidos em bandos, os estudantes costumavam sentar no colo das estátuas, subir em suas cabeças, praticar tiro ao alvo, pichar e gravar mensagens à posteridade naqueles corpos nus. Felizmente o local para onde elas foram transladadas é protegido e ao mesmo tempo permite que a população possa apreciar a obra. A iniciativa da Prefeitura é louvável, mas certamente tardia, pois este local existe há décadas e boa parte dos estragos que terão que ser restaurados agora poderiam ter sido evitados se esta mudança tivesse ocorrido há mais tempo. Seja como for, antes tarde do que nunca!  

Veja estas e outras fotos no álbum Hidráulica do Moinhos de Vento (clique aqui) em Abaretiba, nossa página no Facebook.

Hidráulica do Moinhos de Vento


Rua 24 de Outubro s/n - Bairro Moinhos de Vento - Porto Alegre - RS
Aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30.
Entrada franca.

Fontes

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE. DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE ÁGUA E ESGOTOS. Hidráulica Moinhos de Vento integra roteiro do Linha Turismo. Porto Alegre, 14 maio 2012. Disponível em http://www2.portoalegre.rs.gov.br/dmae/default.php?p_noticia=151872&HIDRAULICA+MOINHOS+DE+VENTO+INTEGRA+ROTEIRO+DO+LINHA+TURISMO. Acessado em 24 out. 2014.

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE. SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA. Estátuas que representam afluentes do Guaíba ganham novo espaço. Porto Alegre, 10 out. 2014. Disponível em http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_noticia=173177&ESTATUAS+QUE+REPRESENTAM+AFLUENTES+DO+GUAIBA+GANHAM+NOVO+ESPACO. Acessado em 24 out. 2014.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Era uma casa muito engraçada ....

Você sabia que a tal casa muito engraçada que aparece na famosíssima canção de Vinícius de Moraes existe mesmo? E que ela já foi tema de um post aqui no GSMA, sem que nos déssemos conta disto??

Parece incrível, mas é verdade. E o mais interessante é que esta constatação ocorreu totalmente ao acaso!


Casapueblo continua sendo uma casa muito engraçada!


Informação nas alturas


Uma das coisas boas de viajar com a TAM é desfrutar da leitura da revista Brasil : almanaque de cultura popular, presente nos bolsões das poltronas e sempre recheada com histórias interessantes cujo tema invariavelmente é a brasilidade.

Enquanto retornava ao Rio, depois de gastar sola em Porto Alegre fugindo da chuva, aproveitei para matar o tempo lendo o Almanaque Brasil e qual não foi minha surpresa ao encontrar um artigo contando a origem da música de Vinícius em parceria com Toquinho. De acordo com o texto, a Casa Muito Engraçada é nada mais nada menos que a Casapueblo, construída por Carlos Vilaró em Punta Ballenas, no Uruguai. Em 2007 estivemos ali e ficamos impressionados com a obra monumental do artista uruguaio (para ver o post sobre a Casapueblo clique aqui), que a partir de uma modesta casinha na encosta de um morro construiu um complexo que abriga sua residência, um hotel, um museu e galeria de arte.

Ainda de acordo com a matéria, Vinícius, que foi Embaixador do Brasil no Uruguai, era amigo de Vilaró e costumava frequentar a Casapueblo. Numa destas visitas começou a improvisar a trova infantil para entreter as filhas do artista. O resultado agradou tanto o poetinha que ele acabou por transformá-la na canção que todos conhecemos e amamos. E um detalhe: na versão original a estrofe final arrematava com os seguintes versos:

Mas era feita com pororó
Era a casa de Vilaró

Posteriormente o poema foi modificado e esta parte foi suprimida, mas o delicioso non-sense da canção infantil permaneceu inalterado.

Fonte:

A TAL DA "CASA MUITO ENGRAÇADA" EXISTE MESMO. Brasil : almanaque de cultura popular. V. 16, n. 183, out. 2014. p. 8.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Beco dos Barbeiros - Rio de Janeiro- RJ

Desde seu surgimento, a cidade do Rio de Janeiro convive com um crescimento urbano desordenado, que intensificou-se após a chegada da família real no início do século XIX e que culminou com a tentativa de modernização levada a cabo por Pereira Passos entre 1903 e 1906. Até então o centro do Rio era formado por ruelas sinuosas e insalubres, onde as "Cabeças de Porco" (cortiços) proliferavam, bem como as mazelas decorrentes da falta de higiene e saneamento básico.

Com a demolição dos casebres, o alargamento das ruas e a construção de grandes avenidas este cenário caótico mudou e fica até difícil imaginar como seriam as condições de vida naquela época. Entretanto, por incrível que pareça, nem a sanha do "bota abaixo" de Pereira Passos, nem a cobiça do mercado imobiliário conseguiram apagar completamente este passado e ainda é possível encontar resquícios do (des)ordenamento urbano do Brasil Colonial em pleno século XXI.

Um lugar para quem conhece


Todos os dias centenas de turistas e seus guias perambulam pela Praça XV, indo do Paço Imperial ao Arco do Teles ouvindo as mesmas histórias sobre fatos pitorescos da região. Alguns até param em frente ao curioso conjunto formado por dois imponentes templos católicos localizados na Av. Primeiro de Março, mas nenhum fica sabendo que ao lado de um deles encontra-se o famoso Beco dos Barbeiros!

São duas belas igrejas, sendo a que fica na esquina com a rua Sete de Setembro a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e vizinha a ela, a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Na verdade as duas reverenciam a mesma santa e são fruto das disputas político-religiosas que ocorriam entre as ordens religiosas no período colonial.


Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, vista da rua Sete de Setembro.

Uma consequência não programada desta disputa foi justamente o surgimento do beco, uma vez que a Câmara reinvindicou o terreno que separava as duas igrejas como de servidão pública. Para resolver a questão, a Ordem Terceira cedeu outro terreno, que passou a fazer a ligação entre as ruas do Carmo e Direita (atual Primeiro de Março).

A canaleta central escoava as águas servidas.

Com o tempo, a viela passou a ser ocupada pelos profissionais da navalha, dai o nome de Beco dos Barbeiros. É preciso ressaltar que enquanto a elite era atendida em estabelecimentos comerciais, a grande maioria da população dispunha dos ambulantes que exerciam suas atividades em tendas ou simplesmente perambulavam pelos arredores em busca de vítimas, quer dizer, clientes.

Viela dá uma idéia de como era o Rio de Janeiro colonial.

Cabelo, barba e sangria


É preciso que se diga que o barbeiro do Brasil Colonial era muito diferente daqueles que conheçemos atualmente. Além de cabelo, barba e bigode os profissionais da época estavam autorizados a executar extração de dentes, pequenas cirurgias e, principalmente, sangrias - muito apreciadas na época para tratar quase todos os tipos de doença. Considerando a inexistência de anestesia e as condições de higiene do local é de se imaginar que ir a uma barbearia naqueles dias não devia ser algo muito agradável.

E por falar em higiene, o beco mantém uma característica muito interessante daquele período: a canaleta central. Como não havia canalização de esgoto, as ruas possuiam um rebaixamento no vão central justamente para escoar os detritos lançados pela população porta a fora. Isto inclui restos de comida, conteúdo dos urinóis, águas servidas e, no caso dos barbeiros, o material retirado de seus pacientes. Somente após a chegada de D. João VI as ruas passaram a receber calçamento e passeios revestidos com pedra, de modo a manter os passantes afastados da sujeira, o que foi considerado um avanço significativo em termos de urbanização.

Felizmente a situação hoje é bem diferente e o Beco dos Barbeiros é somente uma referência a um tempo que já passou. Aos poucos estas histórias vão sendo esquecidas e os passantes apressados nem imaginam o que já aconteceu por ali. Na verdade, muitos só conhecem sua localização por ser este o endereço do bem conhecido Bar Escondidinho, onde é servida a melhor costela no bafo do Rio de Janeiro.

Beco dos Barbeiros


Via pública, localizado entre a Av. Primeiro de Março e a Rua do Carmo.

Fonte:


LADEIRA, Leonardo. Antigos becos e vielas do Centro do Rio contam parte da história urbanística da cidade. Postado em 20 dez. 2010. Disponível em http://www.rioecultura.com.br/coluna_patrimonio/coluna_patrimonio.asp?patrim_cod=53. Acessado em 13 out. 2014.

PACINI, Paulo. O Beco dos Barbeiros. Postado em 04 jan. 2012. Disponível em http://www.semprerio.com/pt/home/item/8-o-beco-dos-barbeiros. Acessado em 13 out. 2014.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Cristo Redentor comemora 83 anos - Rio de Janeiro - RJ

Símbolo da cidade e ícone do País no exterior, o Cristo Redentor é sem dúvida alguma o monumento brasileiro mais difundido e conhecido em todo o planeta, por isso nada mais justo que comemorar seu aniversário em grande estilo.

Cristo Redentor visto do Aterro do Flamengo.

A data oficial é dia 12 de outubro, próximo domingo, mas as comemorações começam nesta quarta-feira, dia 07, com o lançamento às 18h00 do site www.cristoredentoroficial.com.br. Também está previsto a realização de missas, iluminação especial e uma campanha nas redes sociais onde as pessoas poderão postar fotos da estátua com a hashtag #CristoAmorBrasileiro.

Paralelamente as comemorações do Cristo também será festejado os 130 anos do Trem do Corcovado na quinta-feira, dia 08. Se você achou estranha a diferença de idade entre a ferrovia e o Cristo, saiba que antes da construção do monumento o Corcovado já era muito visitado por conta da bela vista que se tem da cidade e que ali funcionou durante décadas um dos mais luxuosos hotéis do Rio de Janeiro: o Hotel das Paineiras, que inclusive já foi tema de um post aqui do blog (para ler a matéria sobre o Hotel das Paineiras, clique aqui).

Um pouco de história


A proposta de construir um monumento religioso no alto do morro do Corcovado remonta aos tempos do Império, mas nunca foi levada adiante. Com a proclamação da República em 1889 o projeto foi abandonado em função da separação entre Estado e Igreja.

Em 1920 o Círculo Católico do Rio de Janeiro organizou um evento chamado "Semana do Monumento" para atrair doações e recolher assinaturas para apoiar a construção de uma estátua que homenageasse a fé católica. Dentre os projetos apresentados, a estátua do Cristo Redentor de braços abertos foi a escolhida por ser um símbolo de paz. O projeto ficou a cargo do engenheiro Heitor da Silva Costa. Coube ao escultor Paul Landowski e sua equipe dar forma a cabeça e mãos do monumento, os quais foram esculpidos na França e transportados ao Brasil.

A obra iniciada em 1922 foi concluída em 1931 e inaugurada, não por acaso, no dia 12 de outubro daquele ano. A data foi escolhida por ser o dia de Nossa Senhora de Aparecida, Padroeira do Brasil.

No dia 07 de junho de 2007 o Cristo foi incluído entre as Sete Novas Maravilhas do Mundo como resultado de um concurso informal que contou com mais de cem milhões de votos.

Como visitar


Desde 2013 o acesso ao Cristo mudou. Agora só é possível chegar até ele utilizando o serviço de vans credenciadas ou a linha férrea do Corcovado, localizada no Cosme Velho. A passagem de trem custa R$ 50,00 se adquirida na estação e R$ 55,00 se adquirida com antecedência (acredite, não vale a pena economizar estes R$ 5,00 da diferença!).

As vans saem de três pontos da cidade: Largo do Machado, Praça do Lido em Copacabana e Hotel das Paineiras no Corcovado. Os preços variam de acordo com o período do ano: R$ 41,00 na baixa estação e R$ 51,00 na alta.

Para maiores informações, visite o site http://www.ingressoparaocristo.com.br.

Fonte:


Cristo Redentor. Wikipédia. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_Redentor. Acessado em 08 out. 2014.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quanto custa passar um dia em Paraty?

Quem gosta de viajar sabe que um pouco de planejamento é fundamental para garantir o sucesso da empreitada, principalmente no que diz respeito aos custos. Com o passar do tempo este tipo de cuidado acaba se tornando um hábito e sendo incorporado naturalmente na fase de preparativos. Afinal, sempre que uma viagem termina já estamos preparando a próxima e é fundamental ter controle sobre os recursos disponíveis para que possamos continuar gastando sola mundo afora, não é mesmo?

Centro histórico.

Claro que preferências pessoais, estilo de vida e, principalmente, o quanto se está disposto a gastar são fatores que definem o estilo da viagem. Por isso, conhecer as opções disponíveis no destino ajuda a montar um roteiro de acordo com o perfil dos viajantes e que deixe boas lembranças, não dívidas!

Paraty para todos os bolsos


Como qualquer destino turístico, Paraty dispõe de uma ampla gama de prestadores de serviço que competem entre si em diferentes nichos de mercado. Por um lado isto favorece o turista na medida em que uma negociação bem conduzida pode levar a redução do preço cobrado. Por outro, deve-se considerar que existem custos associados a prestação do serviço que precisam ser repassados e um preço muito abaixo da média pode significar que o prestador anda economizando em itens fundamentais do negócio, como manutenção de equipamentos, por exemplo. Assim, ao optar por um prestador, é preciso ter em mente que a satisfação deverá estar diretamente relacionada ao valor cobrado. Se o critério de seleção foi unicamente  preço baixo, esteja preparado para desfrutar de menos conforto ou de um roteiro menor que o oferecido por outros prestadores.

Igreja de N. S. das Dores.

Dentro desta filosofia de análise montamos um roteiro básico para duas pessoas, seguindo alguns princípios que, temos certeza, servirão para dar uma idéia concreta do que esperar numa visita a Paraty.

  • Deslocamento: trajeto de ida e volta Rio de Janeiro x Paraty de ônibus da viação Costa Verde. A passagem de ida para uma pessoa custa R$ 63,00 e o retorno R$ 58,50;
  • Estadia: valor da diária na Pousada Mar e Vida, para casal com café da manhã incluído. Localizada a 150 m do centro histórico de Paraty e 900 m da Estação Rodoviária. Quartos simples, amplos e confortáveis, com ar-condicionado, frigobar e TV;
  • Almoço: no Restaurante Daruma é possível comer bem por R$ 20,00 o prato individual - bem servido - com arroz, feijão, salada, legumes, farofa, acompanhados por uma destas opções: contra-filé, bife a parmegiana, carré ou peixe. Fica na Rua José Balbino da Silva 25, no trajeto que leva ao Forte Defensor Perpétuo;
  • Lanche: nada como uma paradinha estratégica no meio da tarde para reabastecer as energias. Desta vez foi no Café Harmonia que, além de um bolo de aimpim que deixou saudades, serve um café coado na mesa que faz toda a diferença. Foram duas fatias generosas e três cafés por R$ 26,00. Para completar, neste dia um grupo de violeiros deu o ar da graça esquentando os instrumentos antes de sair para uma seresta no Lar dos Idosos São Vicente de Paula. Encontre o Harmonia na Rua Marechal Santos Dias, 7;
  • Janta: depois de gastar sola subindo e descendo as ruas do centro histórico nada mais justo que sair do regime com uma deliciosa pizza do Restaurante Arte e Sabor. Aqui a pizza grande, com dois sabores, saiu por R$ 39,00. O Arte e Sabor fica na Rua Dr. Samuel Costa, 13.

Resumindo, nosso dia em Paraty ficou em R$ 770,00, o que pode ser considerado uma quantia modesta se comparada com outros destinos que já visitamos.

Item Valor em R$
Passagens 243,00
Estadia 400,00
Almoço 48,00
Lanche 26,00
Janta 53,00
Total 770,00

Despesas relativas a duas pessoas.


É claro que nesta conta não estão incluídos passeios e souvenirs, itens que fazem parte de qualquer cesta básica turística. No quesito passeios as opções são muitas: as escunas levam a um tour pela enseada, incluindo ilhas e praias espetaculares. Há também os roteiros terrestres feitos de jeep, como visitas a cachoeiras, fazendas e cachaçarias. Neste caso, o melhor é fazer uma pré-seleção antes de viajar e finalizar os acertos com os prestadores no local.


Quanto aos souvenirs, há de tudo. Desde chaveiros que custam menos de R$ 10,00 a quadros que valem uma pequena fortuna. O quê levar de lembrança vai depender do gosto e da disponibilidade de cada um.

Veja estas e outras fotos no álbum Gastando Sola em Paraty em Abaretiba, nossa página no Facebook.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

X Paraty Em Foco - Paraty - RJ

De 24 a 28 de setembro a cidade histórica de Paraty foi o centro das atenções de uma turma que enxerga o mundo de um outro ângulo: os  fotógrafos! Já em sua décima edição, o Paraty em Foco vem se consolidando como uma ponto de referência internacional para os amantes da fotografia, sejam eles amadores, artistas ou profissionais.

Tenda de eventos, na Praça da Matriz.

Este ano o ciclo de exposições tomou as ruas, literalmente, com instalações de grande formato, sendo algumas monumentais, como a estrutura Illuminance, de Rinko Kawauchi, erguida na Praça da Matriz. A idéia dos organizadores era experimentar caminhos para uma fotografia mais pública, ocupando a cidade como galeria. E pode-se dizer que funcionou dentro do esperado, pois mesmo quem vinha a Paraty simplesmente a passeio acabava por se envolver com o evento, tanto admirando os trabalhos expostos  como fazendo pose para fotos de recordação da viagem em frente aos painéis da mostra.

Igreja da Matriz com a estrutura Illuminance, de Kawauchi.

Outro ponto de grande interesse para os aficcionados foi A Casa Paraty em Foco, espaço onde ocorreram boa parte dos workshops e as exposições Periscópio, Photobook Dummies e Vivências. Aqui também funcionou o Lounge Nikon, onde o público pode conhecer as novidades tecnológicas das câmeras da Nikon e usufruir dos serviços de manutenção e limpeza de sensor NPS.

Para quem curte fotografia analógica a diversão ficou por conta da exposição de câmeras de grande formato artesanais no jardim da Casa. Entre outras preciosidades estava exposta uma legítima câmera lambe-lambe, bem como diversos modelos com fole.

Máquinas artesanais de grande formato.

Para saber mais sobre o X Paraty em Foco visite a página do evento: http://paratyemfoco.com/


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Primavera dos Museus segue até 28 de setembro

No último dia 22 teve início a oitava edição da Primavera dos Museus, evento nacional, promovido pelo Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM, que tradicionalmente ocorre na mudança de estações como forma de promover estes importantes espaços de produção cultural em todo país.

Este ano 761 instituições - entre museus, casas de cultura, entre outros - promovem uma programação especial com mais de 2400 atrações, como exposições, visitas guiadas, palestras e exibição de filmes. Para acessar o Guia da Programação da 8ª Primavera dos Museus, clique aqui.

Evento tem como objetivo aproximar museus e sociedade.

Para esta edição o tema escolhido foi a criatividade, o qual foi apresentado em maio deste ano durante a  Semana Nacional de Museus. Ao propor o conceito de “museu criativo”, o IBRAM teve como o principal objetivo o estímulo à manutenção e ao desenvolvimento de cada museu, na exploração de sua capacidade de se inovar, modernizar a gestão, diversificar iniciativas, ampliar a presença no território em que se acha inserido e atrair público.

8ª Primavera dos Museus


Quando: de 22 a 28 de setembro de 2014
Onde: em todo Brasil
Para maiores informações consulte o guia de programação do evento em  http://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2014/09/guia_virtual_8primavera.pdf

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Primavera chega com previsão de sol e calor

Depois deste quase inverno a primavera começa com previsão de tempo quente e seco, para desalento das regiões que sofrem com a prolongada estiagem deste ano.

Mas esta continua sendo a estação das flores e do renascimento e a manutenção do tempo firme favorece a realização de atividades ao ar livre. Se você é daqueles que andou acumulando gordurinhas durante o inverno aproveite porque agora é hora de dar início ao Projeto Verão!


Para marcar o início da primavera, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro programou para hoje, dia 23, uma série de atividades ecológicas que incluem trilhas e plantio de árvores no arboreto do parque. Nos dias 24 e 25 as atividades incluem a conscientização contra incêndios com a presença do personagem Labareda passeando pelas alamedas enquanto incentiva o público a refletir sobre as causas e consequências das queimadas para o meio ambiente.

Veja a programação completa na página do Jardim Botânico, clicando aqui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dia Mundial Sem Carro é Dia de Gastar Sola!!

Hoje, 22 de setembro, é o Dia Mundial Sem Carro. Uma data destinada a incentivar o uso de formas alternativas de locomoção e combater o uso demasiado do automóvel.

Para quem, como nós, curte gastar sola os benefícios de combater o sedentarismo e botar o pé na estrada - literalmente! - são bastante óbvios, mas a maior parte da população não pensa assim e ações como essa são fundamentais para educar as futuras gerações de modo a termos um mundo melhor, com menos poluição e melhor qualidade de vida.

Hoje é dia de deixar o carro em casa.

Por isso, faça um esforço, deixe o carro na garagem e hoje vá a pé, de ônibus, de bicicleta, de qualquer jeito! E de preferência amanhã repita a dose até virar um hábito. O planeta agradece.


domingo, 21 de setembro de 2014

No Dia da Árvore nossa homenagem à Maria Gorda

Quem visita a Praia dos Tamoios em Paquetá, Rio de Janeiro, se depara com uma frondosa e robusta árvore que, de tão grande, já avança sobre a rua. Como aqui não transitam automóveis, isto não chega a ser um problema.

Visitantes homenageiam a Maria Gorda.

Trata-se da Maria Gorda, um baobá africano que veio parar em terras cariocas pelas mãos do Dr. José Caetano de Almeida Gomes, em 1907. Com pouco mais de 100 anos, Maria Gorda já ultrapassou os três metros de diâmetro e deve continuar crescendo por um bom tempo, pois esta espécie pode viver de três a seis mil anos! Suas conterrâneas precisaram se adaptar ao clima seco e a escassez de água do solo africano, por isso apresentam ramagem curta e raízes abundantes - o que lhes dá um ar de árvores plantadas de ponta cabeça. Como aqui ela está próxima ao mar e desfruta de condições bem mais favoráveis, ostenta uma espessa cabeleira de folhas que em nada lembra suas irmãs das savanas.

Pachorrenta, simpática e viçosa, Maria Gorda cativou a simpatia popular e acabou servindo de inspiração para lendas e crendices. Uma placa colocada aos seus pés alerta os passantes:

“Sorte por longo prazo
a quem me beija e respeita
mas sete anos de azar
a cada maldade, a mim feita.”

Pelo sim, pelo não, é comum encontrar alguém abraçado a seu tronco em busca de contato com a Mãe Natureza e quiça um pouco de sorte.

Ilha de Paquetá - como chegar


O acesso a ilha é exclusivamente marítmo. Saindo do Rio de Janeiro, o embarque é feito no cais da Praça XV, no Centro da cidade, onde se pode chegar facilmente de ônibus, metrô, táxi ou carro.

Nos meses de calor (outubro a março), a visitação as praias é muito concorrida e ocasiona superlotação das barcas. 



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Derrubada da perimetral : como era e como ficou (por enquanto)

Já faz algum tempo que o carioca sofre com a profusão de tapumes e barreiras que tomaram as ruas do  centro da cidade, tornando o trânsito ainda mais caótico do que normalmente costumava ser. Do conjunto de obras em andamento, a mais visível e de maior impacto é sem dúvida a derrubada do Elevado da Perimetral. Com 5 km de extensão, a estrutura de aço e concreto veio ao chão em duas etapas, sendo a primeira em novembro de 2013 e a segunda no dia 20 de abril deste ano.

Ainda resta muito a ser feito para que os escombros sejam totalmente removidos e a área reurbanizada seja devolvida à população, mas já é possível perceber grandes mudanças na paisagem. As duas fotos abaixo mostram o trecho da Av. Rodrigues Alves próximo a Praça Mauá. Na primeira o Elevado ainda está de pé, uma vez que sua remoção ocorreu na segunda etapa da derrubada. Já na outra foto é possível perceber como ficou a paisagem sem o Elevado.

Elevado da perimetral em novembro de 2012.


A mesma região em setembro de 2014.

Uma parte significativa da estrutura não pode ser implodida devido ao risco de desabamento do túnel - mais conhecido como Mergulhão - que passa sob ela. Com isso a demolição é feita mais lentamente e boa parte dos remanescentes do Elevado deverão permanecer visíveis por um bom tempo ainda.

Remoção total da estrutura deve demorar pelo menos mais um ano.

Enquanto a população sofre com os congestionamentos e interdições, a Prefeitura se justifica afirmando que são transtornos passageiros, necessários para atingir um bem maior. Se o planejamento original for seguido, o resultado final será um boulevard de três quilômetros que deverá resgatar o contato da cidade com o mar. O passeio dará acesso a espaços até então inacessíveis e ganhará um calçadão arborizado equipado com brinquedos para crianças. Outra vantagem é que será possível caminhar ou ir de bicicleta do aterro à rodoviária.