segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Maracatu no Aterro - Rio de Janeiro - RJ


Domingo foi dia de conferir mais um ensaio aberto do grupo de maracatu Tambores de Olokun, no Aterro do Flamengo.

Catirinas e alfaias animaram a tarde no Aterro do Flamengo.
O grupo Tambores de Olokun é um grupo que tem como inspiração e referência os maracatus de baque virado do Recife e tem uma batida envolvente. O som das alfaias (tambores de madeira) era ouvido fora do Aterro e chamava a atenção dos passantes. Muitos curiosos se juntaram ao grupo atraidos por este som quase hipnótico. E a verdade é que não há como ficar indeferente à batida do tambor, principalmente com a movimentação frenética das Catirinas - as damas de frente que irão desfilar no Cortejo da Corte do Maracatu.


De origem nordestina, o maracatu é uma expressão
genuinamente brasileira.
As saias rodadas dão movimento
à dança das Catirinas.


A coreografia cria curiosas formações.

E ai cabe um pouco de história para compreender melhor a simbologia presente nesta manifestação cultural: Os grupos de Maracatu de Baque Virado são também conhecidos como Maracatu de Nação e têm origem nas coroações de reis e rainhas africanos. É um ritmo tradicional de origem nordestina, proveniente do continente africano, mais específicamente o Congo e a nação Nagô. Foi criado há mais ou menos 300 anos como forma de camuflar os cultos afros (proibidos pelo rei e pela igreja católica) e para repassar a tradição, costumes e história para as novas gerações.


Por ocasião dos cortejos, os grupos de maracatu apresentam-se como uma corte ricamente trajada com sedas, veludos, bordados e pedrarias. À frente vem o Porta-Estandarte; em seguida a Dama-do-Paço, pessoa que conduz a calunga (ícone consagrado, detentor do axé do maracatu);depois surgem as Damas de Frente, as Baianas de cordão ou Catirinas, as Baianas Ricas. Têm-se ainda imperatriz e imperador; duque e duquesa; conde e condessa; marquês e marquesa; cônsul e consulesa; embaixador e embaixatriz; príncipe e princesa; lampiões, soldados romanos e vassalos. A figura do caboclo "arreia mar" ou caboclo de pena representa a sabedoria dos povos indígenas e a proteção dos espíritos das florestas. O cortejo encerra-se com a chegada do rei e da rainha, que desfilam protegidos por um grande guarda-sol colorido (pálio), carregado por um escravo (pajem).


Cada maracatu tem uma batida ou baque próprio que o identifica. O instrumental é composto de tarol, caixa de guerra, mineiro, abê, gonguê e alfaias e é comandado pelo Mestre de Apito.


Tocadores de abês.

Mestre do apito comanda o instrumental e puxa o canto.

Tocadores de alfaias. São elas que dão o toque típico do maracatu.

Para saber quando serão os próximos ensaios abertos, visite a página do grupo no Facebook: https://www.facebook.com/TamboresDeOlokun?fref=ts

Fontes:
O QUE É: Maracatu de Baque Virado (Nação). 22 nov. 2010. Disponível em http://njpe.wordpress.com/2010/11/22/o-que-e-maracatu-de-baque-virado-nacao/. Acessado em 06 jan. 2014.

Maracatu Nação / Baque Virado. Pernambuco. Governo do Estado. Disponível em http://www.recife.pe.gov.br/fccr/cadastro/generico_29.php. Acessado em 06. jan. 2014.