quinta-feira, 6 de março de 2014

Folia que não para de crescer - Rio de Janeiro - RJ

O carnaval não acabou! E pelo visto, nem vai terminar tão cedo aqui no Rio de Janeiro. De acordo com o site WikiRio, 40 blocos devem desfilar entre os dias 06 e 09 de março, entre eles o Monobloco com público previsto de 500.000 pessoas.

Não é preciso ser estatístico para perceber que houve um significativo aumento na procura por blocos em relação ao ano passado. Este ano, por exemplo, o Bangalafumenga levou ao Aterro do Flamengo em torno de 90.000 pessoas, três vezes mais que no último carnaval. Mesmo blocos de bairro como o Bagunça Meu Coreto e Quem Não Guenta Bebe Água viram a massa de foliões crescer.

Por um lado este crescimento todo é positivo, pois mostra que o carnaval de rua está mais vivo do que nunca. Entretanto, crescimento sem controle pode acarretar sérios problemas, como caos no trânsito, acúmulo de lixo, xixi na rua e por ai vai. E o mais grave, pode descaracterizar agremiações que surgiram justamente para promover o convívio entre os participantes e que são a própria essência do carnaval de rua. Os excessos cometidos por turistas interessados apenas em aproveitar os dias de folia para beber, pular e namorar acabam afastando aqueles que preferem brincar de forma mais equilibrada.

Cariocas da gema e de coração.

Quem curte o circuito de rua sabe que tradicionalmente estes blocos são o local preferido de famílias que trazem filhos pequenos e de figuras típicas que dão um colorido todo especial à festa. Sem eles, o carnaval certamente não terá a mesma graça.

É o caso de Márcia Bloch, contadora de histórias, que frequenta os blocos da Zona Sul com sua mãe fantasiada de Maria Coça-Coça. Uma brincadeira na qual ela convida as pessoas a "coçarem" a cabeça da Maria com um massageador e quem topa recebe um adesivo redondo no nariz. Ideia simples, divertida e que, a julgar pelo número de narizes adesivados, atrai bastante interessados.

Márcia e sua mãe, a Maria Coça-Coça.
E quem frequenta as rodas de samba na Praça São Salvador já deve ter visto a Tia do Passinho, uma moradora de rua que afirma já ter sido destaque em escola de samba. Quando começa a música, ela mostra que tem samba no pé e vai pro meio da roda mostrar como se dança. Este ano, ela também deu o ar da graça na apresentação do bloco É do Pandeiro.

Tia do Passinho, figura carimbada nas rodas de samba da Praça São Salvador.
Ao que tudo indica o carnaval de rua se tornou um negócio lucrativo para a indústria do turismo e a tendência de crescimento deve se manter por vários anos ainda. E para aqueles que curtem brincar o carnaval resta torcer que tanto interesse não venha a acabar com o lado ingênuo e divertido dos blocos de rua. Afinal, se isto acontecer, eles poderão estar matando a galinnha dos ovos de ouro.


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