quarta-feira, 12 de julho de 2017

Estamos de volta! - Lençóis Maranhenses - MA

Nesta última semana estivemos gastando sola nos famosos Lençóis Maranhenses, uma região ainda pouco explorada do ponto de vista turístico e que, por isso mesmo, oferece uma incrível oportunidade para aqueles que - como nós - valorizam a originalidade da cultura local.

Foram oito dias de intensa atividade e aprendizado, participando de um Workshop Fotográfico ministrado por André Dib, renomado fotógrafo de natureza.

Os Lençóis vistos de cima

Os Lençóis compõem uma paisagem única, composta de imensas dunas de areia entremeadas com lagoas de água cristalina e estão localizados numa região com uma incipiente infra-estrutura. Aqui a natureza ainda dita as regras na maior parte do tempo e é preciso estar preparado para enfrentar o sol inclemente e a ausência de vegetação.

É claro que vamos contar tudo que aprendemos e dar as dicas necessárias para curtir os Lençóis em sua plenitude. Por enquanto, aí vai uma pequena amostra do que vivenciamos por lá.

Viajando e fazendo amigos


Emoção e aventura foram companheiras constantes nessa viagem, mas um pequeno acontecimento foi especialmente marcante por demonstrar como a simplicidade e a generosidade estão presentes nesse lugar.

Caminhos nem sempre fáceis levam a lugares incríveis

Na sua maior parte os Lençóis são um imenso deserto. E como todo deserto, esse também tem seus oásis, pequenos povoados habitados por antigos moradores que aos poucos vão descobrindo no turismo uma nova alternativa de renda.

Foi assim que, num determinado dia, fomos almoçar em Betânia, uma aldeota constituída por aproximadamente 40 famílias, onde há um restaurante e uma pousada bastante simples, que servem de ponto de apoio aos que fazem a travessia dos Lençóis a pé.

Feita a refeição e câmera na mão saímos, eu e mais três membros do grupo, a caminhar pelos arredores clicando o quê encontrávamos pela frente. Depois de caminhar por algum tempo chegamos ao núcleo da povoação, com algumas casas e sem ninguém nas ruas!

Nesse dia o tempo não estava firme e repentinamente uma chuva forte começou a cair. Nos abrigamos numa varanda e aguardamos o aguaceiro estiar, para então retornar ao restaurante e dar seguimento ao roteiro do dia.

Mas aí nos demos conta que não sabíamos voltar! Uma alternativa seria refazer o caminho ao contrário, mas isso consumiria muito tempo e já estava praticamente na hora de embarcar. Além disso, a chuva ameaçava cair novamente a qualquer momento e estávamos preocupados em não molhar os equipamentos fotográficos. Nisso avistei uma senhora e seus, muitos, filhos parada na porta de casa, possivelmente olhando admirada aqueles gringos perdidos no seu quintal. Aproveitei para perguntar se podia fotografar a família tão simpática (não podia perder essa oportunidade!) e também quis saber qual o caminho de volta ao restaurante.

A senhora prontamente nos orientou e ainda enviou Luís, um de seus filhos, para nos guiar no caminho de volta. O menino era esperto e acostumado a fazer esse caminho, de modo que em instantes estávamos de volta. Ao chegar ao restaurante nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Luisinho, nosso pequeno guia - foto de Adriana Song 

Vivendo no Rio de Janeiro, onde a violência gera uma desconfiança irracional de qualquer semelhante, confesso que me senti tocado pela generosidade daquela família, que em sua vida simples desconhece as consequências da vida nas grandes cidades.

Veja mais imagens de Lençóis Maranhenses em nosso perfil no Instagram, clicando aqui.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parque Estadual dos Três Picos - Nova Friburgo - RJ

Esse post integra a blogagem coletiva #euadoroesseparque, uma iniciativa do grupo Pequenos Grandes Viajantes, do qual o GSMA faz parte !! Todo mês seus membros elegem um tema sobre o qual os participantes expõem o seu ponto de vista.

Como nosso negócio é Gastar Sola Mundo Afora, obviamente optamos por um parque no qual se pode realizar trilhas e escaladas, o Parque Estadual dos Três Picos - PETP. Aliás, esse parque também é conhecido como o paraíso dos montanhistas, por oferecer diversas vias de elevado nível técnico.

Sobre o PETP


O parque existe formalmente desde 2002, ano de sua criação, e é o que possui a maior área em todo o estado do Rio de Janeiro - aproximadamente 46 mil hectares, atualmente. Na sua maior parte (dois terços do total) está localizado no município de Cachoeiras de Macacu. Entretanto, devido ao seu tamanho, também ocupa parte dos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Guapimirim e Silva Jardim.

De acordo com Waldyr Neto, fotógrafo e montanhista,
O parque foi criado no período em que André Ilha, um montanhista bastante conhecido e engajado, foi presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente). Quando o parque foi efetivamente decretado, montanhistas locais foram contratados como chefes do parque e outras funções. A FEMERJ (Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro) e o Parque convidaram os montanhistas e o povo local para um Seminário de Mínimo Impacto Ambiental, um evento que aconteceu na escola Ibelga. Nesse encontro foram definidas as premissas de ética e utilização da área, que foram a base das regras de uso público do parque. Resumindo, um parque criado e gerido por montanhistas onde existe um nível de liberdade muito acima da média de outras unidades de conservação.

Os Três Picos que dão nome ao parque

Seu nome tem origem na formação montanhosa conhecida como Três Picos, composta pelo Pico Menor, Pico Médio e Pico Maior, sendo este último o ponto culminante da Serra do Mar, com 2.316 metros de altitude. Considerados a principal atração do parque, atraem escaladores do mundo inteiro que vem em busca do desafio, das belas paisagens e do contato com a natureza.

Mas os atrativos do PETP não se resumem a suas três estrelas. Na localidade de Três Picos - anteriormente conhecida como Salinas - se encontram o Capacete, montanha vizinha aos Três Picos, a Caixa de Fósforo, pedra de aproximadamente 7 metros de altura equilibrada sobre um monte e o Morro do Gato. Não custa lembrar que não basta saber escalar para fazer uma via por aqui. É preciso possuir nível técnico adequado e muita disposição, uma vez que os paredões são longos, podendo chegar a 700 metros de via.

E não só de escalada vive o PETP. Gastadores de sola possuem diversas opções de trilhas, em variados níveis de dificuldade como, por exemplo, a que leva ao Vale dos Deuses - onde há um camping - ou a subida ao morro Cabeça de Dragão. A região é cortada por inúmeros rios, com a ocorrência de pequenas quedas d´águas, onde é possível tomar um banho refrescante.

Cachoeira dos Frades

Embora o lazer seja uma função fundamental na existência do parque, é preciso destacar que sua criação representou um enorme avanço na preservação ambiental com um acréscimo de 75% em toda a área protegida por parques e reservas estaduais. Sua posição estratégica forma um contínuo florestal que reúne o PETP, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e a Estação Ecológica do Paraíso, em Guapimirim. Isso garante a proteção dos mananciais que abastecem as cidades vizinhas, bem como a flora e a fauna da região. Que por sinal são riquíssimas, graças a uma significativa concentração de diferentes espécies.

O parque oferece uma incipiente infraestrutura para receber os turistas. Felizmente isso está mudando graças ao surgimento de pousadas e abrigos de montanha, que além de oferecerem uma estadia agradável e de baixo custo, também disponibilizam áreas para acampamento.

Preciso voltar!


Costumo dizer que a visita que fizemos ao Parque é um problema mal resolvido, não porque tenha sido ruim, mas porque precisamos voltar para poder apreciar novamente a exuberância do lugar.

Na verdade essa primeira ida fez parte de uma Expedição Fotográfica Assistida, organizada por Waldyr Neto, cujo objetivo era fotografar as paisagens do parque com ênfase nos Três Picos, aproveitando o feriado prolongado do Dia do Trabalho.

Quem fotografa em ambiente natural sabe que as condições climáticas são determinantes e imprevisíveis. Chegamos na noite de 28 de abril sob uma forte neblina que se estendeu até a noite do dia 30!

Os Três Picos encobertos pela neblina

Nesse período realizamos diversas trilhas a pontos estratégicos para registrar os famosos Três Picos, mas na maior parte do tempo a neblina era tão densa que a visibilidade era praticamente nula.

Sempre que as cenas de plano aberto ficavam prejudicadas, aproveitávamos para fotografar o efeito da água sobre a vegetação, bem como detalhes da flora e fauna locais.

Quaresmeiras em flor

Perólas de orvalho

João de Barro

Inacreditavelmente, de forma súbita, a cortina de água levantou na última noite de estadia e podemos então registrar o céu noturno. Quem nasceu e cresceu em cidades grandes, profusamente iluminadas, talvez não tenha noção do que é um céu estrelado num ambiente livre de poluição.

Céu noturno, sem poluição ou excesso de luz

Na manhã seguinte o sol apareceu, o céu permaneceu azul e finalmente registramos os Três Picos em toda sua grandeza.

Hospedagem


Refúgio Canto da Pedra

Ficamos hospedados no Refúgio Canto da Pedra, que foi reservado exclusivamente para o nosso grupo. Apesar de simples, oferece o apoio logístico e conforto necessários para uma boa estadia: energia elétrica, fogão, geladeira e banheiros com banho quente.

O dormitório é no mezanino e cada um deve levar seu saco de dormir, embora haja colchonetes disponíveis.

O pessoal do refúgio se encarregou de manter a turma bem alimentada com café da manhã reforçado, almoço e janta. Comida caseira, muito bem preparada com ingredientes frescos, cultivados nas propriedades do entorno. Destaque para o rodízio de pizzas no forno à lenha que rolou na noite de domingo.

Outra dica importante: bem próximo fica o Sítio Tartari, onde é vendida cerveja artesanal de excelente qualidade!!

Casa do Português

O parque engloba diversas propriedades rurais

Amanhecer no Jaborandi

Vale do Jaborandi encoberto pela neblina

Onde ficar


Abrigo República Três Picos

  • Abrigo República Três Picos – Tel. (21) 2245-7969 / 9254-2794 – Email: r3p@republicatrespicos.com.br – Contato: Paulo Mascarin
  • Abrigo Três Picos – Tel. (22) 9836-7555 – E-mail: refugio@trespicos.com.br – Contato: José Augusto (Zezinho)
  • Refúgio Canto da Pedra - Tel. (21) 99261-8407 - Contato: Alexandre Portela
  • Refúgio das Águas – Tel. (22) 2543-3504 – Contato: Sérgio Tartari ou Rosângela
  • Refúgio Pico Maior – Tel. (22) 2543-3512 – Contato: Sérgio Poyares

Fontes


TRILHAS E RUMOS. Parque Estadual dos Três Picos: paraíso dos escaladores. Disponível em https://trilhaserumos.com.br/dicas-roteiros/parque-estadual-dos-tres-picos-paraiso-dos-escaladores/. Acessado em 25 jun. 2017.

WALDYR NETO. A Magia da Montanha. Disponível em http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/. Acessado em 29 jun. 2017.

WIKI PARQUES. Parque Estadual dos Três Picos. Disponível em http://www.wikiparques.org/wiki/Parque_Estadual_dos_Tr%C3%AAs_Picos. Acessado em 25 jun. 2017.


Blogs participantes


Este post faz parte da blogagem coletiva #euadoroesseparque. Confira aqui a lista dos Blogs Participantes



  1. ILoveTrip - Parque da Cidade de Brasília: Conheça o Maior Parque da América Latina!;
  2. Destinos por onde andei... - Parque Lage, Rio de Janeiro, um oásis de paz na Cidade Maravilhosa;
  3. Vem pro Parque! - Inauguração do Parque Aquático Hot Beach Olímpia, nós fomos!;
  4. Atravessar Fronteiras - Parque das Garças à beira do lago em Brasília;
  5. Cantinho de Ná - Parque Dona Lindu em Recife: urbanismo à beira-mar;
  6. Gastando Sola Mundo Afora - Parque Estadual dos Três Picos;
  7. Viajonários - Holland Park e Kyoto Garden, o jardim japonês mais bonito de Londres;
  8. Uma Senhora Viagem - Balboa Park, Uma Maravilha em San Diego, Califórnia;
  9. Somando Destinos - Stanley Park, um paraíso verde em Vancouver;
  10. Ligado em Viagem - Como ir de carro ou trem de Londres para o Parque da Peppa Pig;

terça-feira, 27 de junho de 2017

Lençóis Maranhenses - a próxima aventura !


A redação do GSMA está em polvorosa, pois estamos finalizando os últimos detalhes para a nossa próxima aventura! Desta vez, iremos gastar sola numa região que é considerada a única existente no planeta: Os Lençóis Maranhenses.

Embarcaremos neste sábado, dia 1º de julho, rumo à São Luís - capital do Estado - para de lá seguirmos à Barreirinhas, porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Serão 8 dias de intensa movimentação entre as diversas atrações que nos esperam, pois nesse lugar a paisagem mescla gigantescas dunas de areia com lagoas de água cristalina e praias de água salgada.

Durante a viagem participaremos de um Workshop Fotográfico com André Dib, renomado fotógrafo especialista em fotografar ambientes naturais, com forte presença nas principais revistas de natureza, esporte e turismo do país. Além disso, André conquistou diversos prêmios no Brasil e no Exterior -  entre eles, o concurso da Fundação Nacional de Artes - FUNARTE com o tema Natureza e o de melhor fotografia da National Geographic Brasil.

O objetivo é trazer aos nossos leitores belas imagens desse lugar fascinante, bem como aproveitar os conhecimentos adquiridos para aprimorar cada vez mais nossos futuros registros.

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses - PNLM


Localizado na região nordeste do Brasil, às margens do Rio das Preguiças no Maranhão, o PNLM é formado por 155 mil hectares que abrigam uma condição geológica extremamente rara. Graças as altas dunas de areia - algumas com até 40 metros de altura - a região assemelha-se a um grande deserto, entretanto, devido ao elevado índice de precipitação pluviométrica, as águas represadas entre as dunas formam lagoas de água doce, com tonalidades que variam do verde ao azul, dando origem a oásis de vegetação característica de áreas litorâneas. Esses oásis abrigam comunidades de moradores que, a partir do incremento do turismo, passaram a ter uma nova fonte de renda, atendendo aos visitantes que chegam para conhecer ou percorrer as dunas em trilhas que podem durar até 4 dias. As lagoas mais famosas são a Lagoa Azul e a Lagoa Bonita, reconhecidas pelo seu encantamento e condições de banho.

Ao que tudo indica está será uma aventura inesquecível e que deverá render belas imagens. Como a região é de difícil acesso e não há conexão via internet, estaremos contando tudo que aconteceu nessa semana a partir do dia 08 de julho. Até lá!!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Blogagem Coletiva #MuseumWeek 2017 - Museo de Arte Precolombino - Cuzco - Peru

MuseumWeek - ou semana dos museus - é um evento online internacional cujo objetivo é celebrar e mostrar a cultura sob vários aspectos durante 7 dias, 7 temas e 7 hashtags! Este ano ocorrerá de 19 a 25 de junho e pretende promover o debate e o compartilhamento de temas apaixonantes nas redes sociais, utilizando hashtags dedicadas a cada evento. Na edição de 2016 houve um engajamento maciço do público: em uma semana 664.000 tweets foram vistos por mais de 294 milhões de vezes!

É claro que algo dessa magnitude rolando na rede só é possível com o engajamento de diversos setores, como é o caso dos blogueiros de viagens. Por isso a Rede Brasileira de Blogueiros de Viagens - RBBV está organizando uma blogagem coletiva para contribuir para o sucesso do evento, bem como dar oportunidade para que cada membro participante fale um pouco sobre seu museus favorito.

Este ano o post do Gastando Sola Mundo Afora será sobre o Museo de Arte Precolombino - MAP, um pequeno museu localizado em Cuzco, no Peru, que tivemos a oportunidade de visitar em 2016.

Sobre o museu


O MAP é o primeiro e único museu peruano dedicado à arte das antigas culturas do país. As peças aqui expostas pertencem ao acervo do Museo Larco, de Lima, mundialmente conhecido por abrigar verdadeiros tesouros da arte pré-colombiana e foram selecionadas de modo a retratar de forma didática a contribuição de cada povo ancestral na construção da cultura peruana no período anterior a chegada dos colonizadores.

É interessante ressaltar que a sede do museu é um antigo casarão colonial conhecido como Casa Cabrera. O prédio foi totalmente restaurado e é por si mesmo uma síntese da história arquitetônica da cidade, uma vez que nele são visíveis os vestígios do muro incaico sobre o qual foi construído, bem como os típicos balcões que dão para o pátio interior. Sua localização em frente a uma pequena praça serve para realçar seu aspecto imponente e ao mesmo tempo acolhedor.

A visita


Cheguei ao Peru no dia 04 de junho de 2016 com o objetivo de realizar a Trilha Salkantay dali a três dias, prazo mínimo recomendado para aclimatação com a altitude. No dia seguinte a minha chegada, para aproveitar o tempo livre, havia planejado visitar o Museo del Inca e o Monastério de Santa Catalina de Sena pela manhã - para a tarde já havia contratado um city tour. Entretanto, nesse dia ocorreram as eleições presidenciais no Peru e tanto um como outro estavam fechados devido ao processo eleitoral. De mapa em punho saí perambulando pelas estreitas ruas de Cuzco em busca de fotos como forma de passar o tempo. Até que, não muito longe da Plaza de Armas, deparei-me com uma pequena praça, encimada por um belo casarão no estilo colonial espanhol. E que era um museu! E que estava aberto!!

Sem me fazer de rogado, aproveitei a oportunidade e entrei para conhecer o Museo de Arte Precolombino da cidade.

Colar de conhcas

Alfinetes para fixar poncho

Os habitantes do Peru pré-colombiano foram hábeis artesãos, que souberam colocar beleza mesmo nos objetos mais simples e cotidianos. Estes alfinetes representam diversos tipos de aves características da região e foram trabalhados com extrema precisão, apesar de seu diminuto tamanho.

Cabeza de Porra - ponteira de porrete, feita em cobre

Mesmo na elaboração de armas é possível constatar a habilidade no trabalho em metal dos antigos peruanos.

Galeria de trabalhos em madeira

Veado antropomórfico - vasilha de cerâmica 

Os Moches foram uma das civilizações que dominaram o território peruano antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Deixaram como vestígio de sua passagem obras em cerâmica de alto valor estético e fino acabamento, como a peça retratada acima.

Condor - vasilha em cerâmica

Esta vasilha sintetiza aspectos da cultura Chimú, agregando detalhes nitidamente Incas, evidenciando a expansão do império cuzquenho rumo à costa norte peruana.

Galeria de arte colonial

Museo de Arte Precolombino


Endereço: Plazoleta Nazarenas 231, Cusco, Peru;
Site: http://map.museolarco.org/
Ingresso: N$ 20,00 (aproximadamente R$ 24,00);
Horário: aberto de segunda a segunda, das 09:00 às 22:00;
Telefone: +51 84 233210.

Fontes


#MuseumWeek 2017 is coming! Disponível em http://museum-week.org/en/7-days-7-themes-7-hashtags/. Acessado em 30 de maio de 2017.

MAP - Museo de Arte Precolombino. Disponível em http://map.museolarco.org/. Acessado em 30 de maio de 2017.


Membros da RBBV participantes da #MuseumWeek2017


1) Trilhas e Cantos: Museu Casa dos Contos, em Ouro Preto, Minas Gerais;
2) Tá indo pra onde?: Museus e experiências além do básico em Barcelona;
3) Mariana Viaja: National Gallery of Art, em Washington;
4) Turistando.in: Visitando o Museu de História da Arte de Viena (Kunsthistorisches Museum);
5) Vamos Por Aí: Meus Museus Favoritos;
6) Viajar correndo: Museu Light da Energia, Rio de Janeiro;
7) Guia do Nômade Digital: Galeria 11/07/95: Galeria sobre o Genocídio na Bósnia e Herzegovina;
8) Uma Viagem Diferente: 4 Museus Imperdíveis em Florença;
9) Quase Nômade: Museu Iberê Camargo, em Porto Alegre;
10) Gastando Sola Mundo Afora: Museo de Arte Precolombino de Cuzco;
11) Passeios na Toscana: Florença do alto: as Torres abertas à visitação;
12) Cantinho de Ná: Museu do Futebol em São Paulo: paixão, história e entretenimento;
13) Destino Compartilhado: Museu Lasar Segall;
14) Entre Polos: Museu Nacional do Hermitage - São Petersburgo - Rússia;
15) Do RS para o Mundo: Centro Português de Fotografia - Porto/Portugal;
16) Mulher Casada Viaja: Exploratorium - Museu de São Francisco, Califórnia;
17) TurMundial: Museu do Picasso em Málaga, Barcelona e Antíbes;
18) Farrabadares: Memorial São Nikolai em Hamburgo;
19) Itinerário de Viagem: MET Museum em Nova Iorque;
20) Viajar hei: Museu Imperial - Petrópolis - Rio de Janeiro;
21) Sol de Barcelona: Museu Olímpico e do Esporte - Barcelona;
22) Família Viagem: Children’s Museum of Houston - Texas com crianças;
23) Viaje na Web: American Museum of Natural History - Museu de História Natural de Nova York;
24) Aquele Lugar: Museus do Vaticano - Roma - Itália;
25) Viagem LadoB: Ilha dos Museus - Berlim;
26) Viajento: Museo Santuarios Andinos - Arequipa, Peru;
27) MEL a Mil pelo Mundo; Museo de Ciências Naturais de Madrid;
28) Caixa de Viagens: Museu Charlie Chaplin: o Chaplin’s World em Vevey, Suíça;
29) Let's Fly Away: Museu Botero, Bogotá, Colômbia;
30) Viajo com filhos: Nemo Science Museum, em Amsterdã, Holanda;
31) Sonhando em Viajar: Catetinho, em Brasília, Brasil;
32) Viajoteca: Batik na Indonésia: Museu Têxtil em Jakarta, Indonésia;
33) Mochileza: Museu do Automóvel de Turim, Itália;
34) Comendo Chucrute e Salsicha: Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Argentina;
35) 1001 Dicas de Viagem: Museu Histórico de Berna, Suíça;
36) Estrangeira: 8 Museus Imperdíveis em Barcelona, Espanha;
37) Devaneios de Biela: Museu Nacional da Finlândia em Helsinki;
38) ILoveTrip: Top 7 Museus em Brasília que você precisa conhecer;
39) Me Deixa Ser Turista: Conheça o Museu da Revolução, em Havana;
40) A Fragata Surprise: Museus de Florença - Guia de Sobrevivência;
41) Direto de Paris: Os Museus de Troyes;
42) A Vida é Como Um Livro: Galeria Nacional da Noruega; ;
43) Dedo no Mapa: Museu Paranaense;
44) Ligado em Viagem: Beco do Batman é museu de grafite e arte de rua em São Paulo;

quarta-feira, 22 de março de 2017

Tag Wanderlust - porque viver é a maior viagem!


Por que wanderlust?


O termo wanderlust é uma expressão de origem alemã e exprime um conceito intraduzível para o português, mas perfeitamente compreensível para os viajantes de plantão: é o desejo profundo de viajar, explorar, conhecer coisas e destinos novos, bem como uma saudade inexplicável de lugares que - ainda - não se conhece.

E o que acontece quando esse desejo transborda de tal maneira que a pessoa se sente compelida a compartilhar suas experiências com a humanidade? Surge um blog de viagem, é claro!

Dessa simbiose meio estranha surgiu uma brincadeira que consiste em convidar colegas blogueiros a responderem 10 perguntinhas sobre seus hábitos e costumes enquanto viajantes. Quem nos convidou foi a Júlia Sampaio do blog Fora da Toca, a quem agradecemos pela oportunidade de falar sobre esse assunto que está presente em todos os momentos de nossa vida.

Paulo e Renata curtindo um friozinho no Valle Nevado.

Como o Gastando Sola Mundo Afora é escrito à quatro mãos, nada mais justo que cada membro da equipe dê a sua versão dos fatos. Assim, sem mais delongas ...

Vamos às perguntas:


1) Quando e para onde ia o seu primeiro avião?

Paulo: Como meu pai era ferroviário, viajávamos muito de trem quando era criança. Talvez por isso minha primeira experiência com aviões tenha acontecido quando eu já era bem taludinho. Embarquei num voo da saudosa Varig rumo à Brasília para participar de um treinamento profissional. Isso lá pelos idos de 1994!

Renata: Minha primeira viagem de avião foi para turistar em Alagoas, provavelmente em 1995.

2) Para onde você já foi e gostaria de voltar?

Paulo: África, mais especificamente para o Kruger Park na África do Sul. Visitei o parque em 2006, pouco tempo depois que meu equipamento fotográfico havia sido roubado! Viajei com uma câmera tipo saboneteira e, sempre que olho para as fotos daquela viagem, juro para mim mesmo que vou voltar e fotografar aqueles animais todos novamente!!

Renata: Rio Grande do Sul, onde vivi por um bom tempo numa cidade chamada Lagoa Vermelha.

3) Você está viajando amanhã e dinheiro não é o problema. Para onde você vai?

Paulo: África! Kruger Park!! Preciso preencher essa lacuna do meu passado!!!

Renata: Nova Zelândia. Fiquei encantada com as locações da trilogia do Senhor dos Anéis.

4) Método preferido de viagem: avião, trem ou carro?

Paulo: Como se diz no meu Rio Grande, de a pé. Não é a toa que o nome do blog é Gastando Sola Mundo Afora. Avião, trem e automóvel são meios para se chegar até o destino. Para mim a viagem acontece mesmo quando começo a explorar cada canto do lugar em busca do melhor ângulo, da luz ideal, daquele enquadramento matador. E isso vale tanto para trilhas na natureza quanto para excursões urbanas.

Renata: Trem!

5) Site preferido de viagens?

Paulo: Companhias aéreas com promoções arrasadoras.

Renata: Aquele que me mostra lugares incomuns para turistas.

6) Para onde você viajaria só pra comer a comida local?

Paulo: Quem me conhece sabe que não tenho preconceito alimentar, apenas uma restrição devido a intolerância a lactose. Por isso, sempre que viajo experimento de tudo. Nunca pensei em viajar para experimentar um determinado prato, mas quando em viagem nunca deixo passar a oportunidade de fazê-lo.

Renata: Grécia, provavelmente porque o Paulo vive falando em comer azeitonas e beber vinho branco olhando para o Mar Egeu ...

7) Você sabe seu número de passaporte de cabeça?

Paulo: Não, mas tenho cópia para uma eventual necessidade.

Renata: Não.

8) Você prefere o assento do meio, corredor ou janela?

Paulo: Gosto da janela para ver a paisagem, principalmente quando viajo via terrestre. Por via aérea muitas vezes dou preferência ao corredor para poder esticar as pernas - que não são pequenas.

Renata: Meio, até porque o Paulo adora ir na janelinha.

9) Como você passa o tempo quando está no avião?

Paulo: Via de regra dormindo. Em voos muito longos gosto de assistir séries ou filmes no sistema de entretenimento de bordo (quando disponível). Tenho por hábito manter meus dispositivos eletrônicos desligados durante a viagem. Vai que é verdade que eles interferem com o funcionamento da aeronave ...

Renata: Aflita! E rezando.

10) Existe algum lugar para onde você nunca mais voltaria?

Paulo: Eu jamais voltarei para a pessoa que eu era antes de começar a viajar. Isso mudou a minha vida de tal forma que faço questão de manter do jeito que está. Quanto a lugares propriamente ditos, não tenho problemas em voltar, mas, se possível, em diferentes épocas do ano para fazer novas fotografias.

Renata: Não.


Espero que tenham gostado de nossa participação nesta brincadeira. E para não quebrar a corrente já convidei um trio que com certeza tem muita história pra contar. São elas Sylvia Yano do Sentidos do Viajar, Viviane do Vivi Trilhas, Lena Reis do Viajando No Blog e Ana Morize do Viagens Bacanas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Corsário ataca novamente - Rio de Janeiro - RJ

Como diria meu avô "barco parado não ganha frete" e foi dentro deste espírito inquieto que a equipe d'O Corsário Carioca içou mais uma vez as velas de sua nau capitânia e partiu para conquistar corações e mentes para seu projeto de turismo pedagógico e corporativo.

Singrar as águas da Baía de Guanabara com essa tripulação é uma experiência inesquecível - para saber como é veja o post Um Corsário ao contrário, clicando aqui - mas desta vez o objetivo ia além de encantar, divertir e difundir cultura. O Corsário estava em busca de parceiros para essa jornada que exige bem mais que disposição e boa vontade para poder continuar acontecendo.

Marcelo Senra recepciona os participantes do evento.

De acordo com Marcelo Senra, idealizador do projeto, essa edição do evento foi um FamTur com ênfase na divulgação e desenvolvimento de negócios. Estiveram presentes 105 pessoas, representantes de diversas empresas, instituições, agências de turismo e blogs de viagem. Destaque para a participação da Sra. Pepita Soler, CEO da Pepitas Secretareis Club, representantes do Consulado Americano, da Presidência da Globo Comunicação e Participações S.A. e Jean Pierre Domingues, que levou 40 representantes de empresas ligadas ao turismo de aventura e turismo pedagógico.

Navegando rumo ao futuro


Determinados a oferecer um serviço de excelência aos seus passageiros, a dupla Marcelo Senra e Elizethe Potye - sócios na empreitada, junto a Marcio Novas - diretor da Oya Turismo e proprietário da embarcação - estão introduzindo algumas melhorias no serviço de bordo. Além dos sucos, amendoim e água, a partir de agora a tradicional salada de frutas será servida em cestas de biscoito, que além de serem mais charmosas são também mais práticas. Foram introduzidos no cardápio geladinhos (também conhecidos como sacolé) de sabores diversos e a dupla carioquíssima Mate Leão e Biscoitos Globo.

Hora da merenda!

Veja estas e outras imagens no álbum Gastando Sola com O Corsário Carioca em nossa página no Facebook.

Oficina de cartografia.

Mas os planos não param por ai. A ideia é justamente montar parcerias que permitam incrementar o que já está sendo feito e dar início a uma série de melhorias. Marcelo Senra planeja decorar o barco para que ele fique com uma aparência mais temática. Por exemplo, aprimorar os figurinos e as apresentações, utilizar barris de pólvora (falsos, é claro) como latas de lixo e colocar uma enorme bandeira pirata tremulando ao vento junto à tradicional bandeira d'O Corsário Carioca. Trocando em miúdos, o que ele quer é deixar a escuna atual com a cara de um autêntico navio pirata...

A trupe que dá vida a vários personagens da história carioca.

E é claro que todo navio tem sua tripulação, a qual faz toda diferença para que cada viagem seja um sucesso. São eles:
  • Marcelo Senra e Elizethe Potye, como sócios d'O Corsário Carioca;
  • Bruno Senra, como Estácio de Sá;
  • Gil Monteiro, como Mem de Sá e o Corsário francês René Duguay Trouin;
  • Alessandro Persan, como Nicolas Durand de Villegagnon;
  • Leo Amorim, como Cacique Araribóia e o Corsário francês Jean François Du Clerc;
  • Rafael Gota, como Padre José de Anchieta e historiador;
  • Paulinho Andrade, como Cacique Aimberê;
  • André Luis Mansur, escritor e jornalista como apoio;
  • Felipe Duval, José Carlos Gomes, Alice Novaes, Vanderlaine Menezes e Renata Lia Ferreira (biólogos, oceanógrafos, cartógrafos e professores) como monitores das oficinas de Especiarias, Cartografia e Baía de Guanabara;
  • Sargentos Marcio Amauri, Anderson Muniz e Rodrigo Oliveira, oficiais do GMar, como equipe de segurança a bordo;

A aventura não pode parar!


No próximo sábado, dia 18 de março, O Corsário Carioca estará levantando âncora da Marina da Glória para celebrar o primeiro aniversário pirata infantil a bordo, ocasião em que a encantadora Letícia Bianchi celebrará seus 11 anos junto aos seus familiares, amigos e convidados.

E no dia 02 de abril, às14:30, marinheiros de todas as idades poderão se apresentar no mesmo cais para fazer parte de mais uma divertida aventura com a tripulação d'O Corsário. Vai ter Mate Leão, Biscoito Globo, sacolé geladinho, salada de frutas e tudo que os cariocas - da gema ou do coração - apreciam. Para os mais audazes, oficinas de cartografia e especiarias. E corre a boca miúda que velhos inimigos irão passar suas diferenças a limpo numa incrível luta de espadas e num duelo de repentes que envolve até feitiços!

Para participar, basta entrar em contato com Marcelo Senra pelo email ocorsariocarioca@gmail.com, ou através do telefone (21)99377-1856.

O Gastando Sola Mundo Afora participou deste evento a convite do O Corsário Carioca.

terça-feira, 14 de março de 2017

Paquetá, uma ilha e seus sabores - Rio de Janeiro - RJ

Fazia algum tempo que não gastávamos sola pelas ruas de Paquetá, o bairro carioca que é uma ilha e é conhecido por ser quase um personagem do romance A Moreninha, obra de Joaquim Manoel de Macedo. Para se ter uma ideia, na última vez em que lá estivemos as charretes ainda eram puxadas por cavalos. Agora a prática está proibida e os veículos tradicionais foram substituídos por modernos - e totalmente desprovidos de charme - carrinhos elétricos. Melhor para os pobres animais que realmente sofriam sob uma rotina exaustiva, mas que mesmo assim eram simpáticos e bonitos de se ver.

Assim, neste fim de semana fomos até a estação das barcas na Praça XV e nos juntamos a centenas de cariocas que, como nós, haviam decidido passar o dia na Ilha dos Amores, como também é conhecida Paquetá.

A barca que nos levou até lá possui capacidade para 2.000 passageiros (é gente pra caramba!), mas felizmente não estava lotada. Muitos embarcaram carregando todo o equipamento necessário para um típico dia de veraneio: caixas de isopor com bebidas, sacolas, cadeiras de praia, sacos de carvão e até churrasqueira. Sempre é bom lembrar que nos finais de semana é comum o afluxo de um grande número de turistas nativos que vão em busca de um lazer relativamente barato nas praias de Paquetá. E é claro que não podiam faltar ainda os instrumentos musicais indispensáveis para um bom pagode! Assim fomos navegando embalados pela alegre cantoria de um grupo muito animado.

O percurso dura em torno de uma hora e vinte minutos e no caminho é possível apreciar as belezas da Baía de Guanabara, bem como veleiros, pequenas embarcações, navios e instalações industriais relacionadas ao processamento de petróleo e gás natural.

Uma das embarcações utilizadas na linha Praça XV - Paquetá.

Já na aproximação é fácil de perceber porque Paquetá ocupa um lugar de destaque na preferência dos cariocas. A topografia da ilha é composta por uma alternância entre morros arborizados e praias de águas calmas - infelizmente não muito limpas devido à poluição que assola a baía como um todo. E para completar o cenário, em dias claros, o contorno da Serra dos Órgãos, com o pico Dedo de Deus, se destaca na paisagem.

Ponta da Ribeira com o Relógio da Mesbla e a Serra dos Órgãos ao fundo.

Como a imensa maioria dos passageiros tinha como destino a Praia da Guarda - do outro lado da ilha - pouco tempo depois de finalizado o desembarque a calma voltou a reinar na praça em frente à estação e demos início ao nosso roteiro particular.

Praia dos Tamoios


Desta vez decidimos iniciar a caminhada pela Praia dos Tamoios, que oferece uma bela vista e onde estão localizados alguns atrativos turísticos, como o canhão de D. João VI e Maria Gorda, um baobá africano naturalizado paquetanense, sobre o qual se contam muitas lendas e histórias. Em 2014 publicamos um post sobre ele (para ver, clique aqui).

Renata fazendo pose em frente à Maria Gorda.

Um pouco antes da praia propriamente dita está a igreja da Paróquia Senhor Bom Jesus do Monte, uma edificação singela do início do século XX, com o teto todo em madeira aparente e belos vitrais. No pátio, ao lado da igreja, funciona uma cantina que serve refeições ao estilo prato-feito a preços módicos (no dia em que visitamos o custo era de R$ 20,00). Não experimentamos para saber se é bom ou não, mas o pessoal que nos atendeu foi de uma simpatia ímpar. Fica a dica.

Seguindo pela praia logo de cara se observa um fenômeno comum por aqui: árvores no meio da rua, literalmente.

É comum encontrar árvores no meio da rua em Paquetá.

Interessante que isso não é necessariamente um problema. Como não são permitidos automóveis na ilha, sua presença, ao contrário de ser um incômodo, traz o alívio da sombra nos dias ensolarados e o trânsito das bicicletas é feito normalmente ao seu redor.

Capela de São Roque


São Roque é padroeiro de Paquetá e por isso tem uma merecida capela em sua homenagem. Infelizmente a história se encarregou de manchar suas paredes com o sangue das vítimas da Revolta da Armada (para saber mais, clique aqui), mas hoje em dia poucos lembram desta passagem e os sinais foram devidamente apagados.

Praça e Capela de São Roque.

Em frente à capela há uma praia também batizada com o nome do padroeiro. É um lugar tranquilo, como de resto o é toda a ilha, e muito bonito.

Vista da Praia de São Roque.

Uma saborosa pausa para o almoço


A estas alturas o sol já estava alto e se aproximava do meio-dia. Como bem próximo à capela fica a Casa de Artes Paquetá, resolvemos dar uma paradinha ali para decidir com calma aonde iríamos almoçar. A Casa é uma instituição ligada à preservação da cultura e da natureza com forte atuação na área da música (a Orquestra Jovem Paquetá nasceu aqui) e sua sede é um vetusto casarão muito bem conservado de frente para a praia com uma ampla área arborizada nos fundos, onde algumas mesas estrategicamente espalhadas são um convite irrecusável ao ócio, seja ele criativo ou não.

Uma vez instalados sob a sombra de um frondoso pé de cacau demos início a degustação da Cerveja Paquetá (R$ 19,00 a garrafa de 600ml), que deve seu nome à ilha mas é produzida em Nova Friburgo. O cardápio estava ali dando sopa, o papo estava agradável, a cerveja gelada e, como uma coisa leva a outra, acabamos por fazer nossos pedidos e estender a permanência naquele recanto tão agradável.

E por falar em cardápio, o daqui tinha que fazer jus a verve criativa dos donos da casa. A descrição dos pratos é um tanto diferente do que se costuma encontrar por aí. Se não, vejamos. Eu escolhi Costelinhas Salve o Karl! (R$ 35,00):
"As lindinhas são preparadas, sem pressa, no nosso molho caótico, com uma queda para o oriente, e desossadas.Vêm acompanhadas de farofinha de alho e outros enfeites. E, devido à farta safra do final de ano, molho de pitanga. Dádiva dessa sagrada árvore entre o leitor e o céu deste quintal. E você sabe quem é o Karl? É nada menos que o alemão, nosso Rei Momo de Paquetá, e é chegada a hora das reverências."
Já a Renata foi de Nessas Noites Olorosas, nome que faz referência a uma estrofe do Hino de Paquetá (então, além de Rei Momo próprio, Paquetá tem seu próprio hino) e designa um peito de frango grelhado na mostarda e no molho de fungui com acompanhamentos (R$ 29,00).

Só resta dizer que o atendimento é primoroso, as porções generosas e os pratos saborosos. Precisa mais do que isso?

Hora de voltar


A caminhada de volta à estação das barcas foi feita com calma, pois havia tempo suficiente para mais algumas fotos antes do horário previsto para o retorno à Praça XV.

Mesmo assim chegamos com bastante antecedência. O suficiente para saborear um sorvete na Carecas e Frescos (2 bolas por R$ 6,00), misto de mercado, padaria, bar e, claro, sorveteria. Ela fica na rua principal e dali podíamos observar a intensa movimentação de bicicletas, principal meio de locomoção dos moradores locais. Neste ponto se concentram os riquixás, que cumprem o papel de táxi, a espera dos passageiros que desembarcam na estação ou no pier ao lado.

Trânsito pesado na rua principal ...

O retorno é bastante tranquilo e, conforme a hora em que se pega a barca, é possível admirar o entardecer na Baía de Guanabara, um  espetáculo que vale a pena conferir.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um corsário ao contrário - Rio de Janeiro - RJ

Piratas, bucaneiros e corsários sempre estiveram presentes em nossa vida, seja na literatura, no cinema, nas viagens imaginárias da infância ou nas lições adquiridas nos bancos escolares. Por isso tomar conhecimento da existência do O Corsário Carioca não chegou a ser uma total surpresa. Surpreendidos mesmo ficamos com a proposta do projeto e o nível de engajamento de seus participantes.

Um pouco de história


Por definição, Corsário nada mais é que um pirata agraciado com uma Carta de Corso, documento outorgado por Reis e Rainhas que lhe permitia pilhar navios de nações inimigas do país outorgante. Ou seja, uma forma bem menos dispendiosa de travar uma guerra, uma vez que os custos do empreendimento corriam por conta do Corsário e parte do resultado das pilhagens ia para o tesouro real.

Entretanto ...

O Corsário Carioca é um tipo bem diferente destes aventureiros que singravam os Sete Mares em busca de fama e fortuna. De acordo com Marcelo Senra - misto de capitão e idealizador do projeto - este corsário "veio a mando da Rainha Educação e do Rei Conhecimento, tendo como missão resgatar a cidadania do carioca distribuindo cultura de forma lúdica".

Marcelo Senra, de preto, mete a mão no tesouro de Estácio de Sá.

Tudo começou em 2014, durante os festejos de 450 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro. De lá para cá já passaram pelo seu tombadilho em torno de 8.000 pessoas. O público-alvo são as crianças, mas a programação é montada para atender a toda a família. Claro que todos são bem vindos, de modo que nestes dois anos de atividade muitos turistas nacionais e estrangeiros tiveram a oportunidade de se divertir e conhecer um pouco da história da cidade.

Navegando pela história


O tour tem início na Marina da Glória e tem duração aproximada de duas horas e meia. Além da tripulação do barco, fazem parte da equipe dois especialistas em salvamento marítimo e seis atores caracterizados com figurino de época.

Marina da Glória.

Assim, por volta das 10:00 horas do último domingo, um grupo de mais ou menos 105 marujos de primeira viagem se reuniu no pier da marina para aguardar o embarque em uma nau que os levaria a uma jornada pelos principais pontos históricos da Baía de Guanabara. Foram recebidos pelos ilustres personagens: Aimberé, Araribóia, Anchieta, Villegagnon, Estácio e Mem de Sá.

Mem de Sá se apresenta ao público.

Enquanto a escuna seguia costeando a terra firme, um professor de história ia narrando fatos pitorescos sobre cada lugar e fazendo a conexão com o personagem representado a bordo. Muitos frequentam a Praia do Flamengo, por exemplo, mas poucos sabem que ali deságua o Rio Carioca, às margens do qual foi estabelecida a primeira povoação portuguesa da região.

Pão de Açúcar e bairro da Urca.

Diversão é cultura


Ao passar pela Praia de Fora o locutor anuncia uma grande luta! Estácio de Sá versus Villegagnon - uma disputa valendo a posse do Novo Mundo!!

Veja estas e outras imagens no álbum O Corsário Carioca em nossa página no Facebook.

A garotada vibra, torce, se emociona. Villegagnon tenta um golpe sujo. Um pequeno assistente indignado quer dar um tiro com a garrucha no vilão debochado!! Felizmente ela é cenográfica e a tragédia é evitada. O duelo foge do controle e os contentores lutam em volta da embarcação. A peruca do francês cai, todos riem - menos ele, é claro. Por fim, Mem de Sá vem em socorro do sobrinho e resolvem a parada. Vencido, um resignado Villegagnon é consolado por um grupo de senhoras que querem uma selfie com ele.

Oficina de cartografia.

Além deste pequeno teatro, o passeio inclui duas oficinas: uma de cartografia para crianças e outra de especiarias para navegantes de todas as idades. Afinal, as grandes navegações se deram com base em cartas náuticas e tiveram como motivo a busca de rotas para aquisição de temperos!

Um lanche de frutas com suco e água a vontade completa o cardápio. Diga-se de passagem que não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas a bordo.

Comprovando a tese que O Corsário Carioca é um corsário ao contrário, ao final do passeio cada criança recebeu sua parte do butim: um saco de moedas de ouro (de chocolate) e maços de dinheiro (de mentirinha, é claro). Alegres e ainda animados com tudo que vivenciaram voltaram à terra firme sem se aperceber que em meio as brincadeiras tiveram uma bela aula de história onde tudo aconteceu. Uma lição que dificilmente será esquecida.

O Gastando Sola Mundo Afora participou deste evento a convite do O Corsário Carioca.

O Corsário Carioca

Turismo pedagógico e ambiental
Passeio de barco pela Baía de Guanabara, com contação de histórias dramatizadas e oficinas
Saídas: Todos os sábados às 10:00 da Marina da Glória - Rio de Janeiro - RJ
Valor: R$ 70,00 por pessoa
Para maiores informações visite a página O Corsário Carioca no Facebook ou mande um e-mail para ocorsariocarioca@gmail.com.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Trilha do Alto da Ventania : em busca da Golden Hour - Petrópolis - RJ

Além de bons gastadores de sola, somos apaixonados por fotografia! Via de regra em nossas caminhadas nos deparamos com paisagens tão belas e surpreendentes que seria uma pena desperdiçar a oportunidade de registrá-las, tanto como forma de manter uma lembrança do momento, quanto para poder compartilhar com nossos leitores aqui no blog.

Entretanto ...

Quem já voltou com fotos chochas e sem graça de uma viagem sabe que uma coisa é a paisagem a nossa frente e outra, bem mais complicada, é o seu registro fotográfico. Por isso, conscientes da importância do aprimoramento nesta área, nos dias 28 e 29 de janeiro participamos do Workshop de Fotografia de Montanha ministrado pelo Professor Waldyr Neto. Além de fotógrafo especializado neste tipo de trabalho, Waldyr é autor de vários livros sobre o tema e também responsável pelo blog Magia da Montanha, o qual reúne artigos muito úteis quando o assunto é montanha, trilha e fotografia.

Golden Hour


Um dos tópicos discutidos durante o curso foi a variação das condições de iluminação natural no decorrer do dia e em especial a ocorrência do que se convencionou chamar de Golden Hour ou Hora Mágica.

Por definição, Golden Hour é um período de tempo que ocorre duas vezes ao dia, sendo a primeira hora depois do nascer do Sol e a última hora antes do pôr-do-Sol. Não é uma regra definitiva, uma vez que estes intervalos variam de acordo com o local que está sendo fotografado, clima, altitude e pela estação do ano. O importante é saber que nestes momentos as características da luz natural oferecem as melhores condições para o registro de paisagens, principalmente em montanhas.

Isso pode ser explicado pela posição do Sol, posicionado próximo à linha do horizonte, produzindo uma luz quente, mas ao mesmo tempo suave e difusa. Com esse tipo de luz é possível captar melhor a textura do ambiente e criar jogos de luz e sombra que valorizam o volume dos objetos.

Dito assim parece simples, só que na prática conseguir o resultado ideal pode ser um pouco mais complicado do que se gostaria. Não por outra razão estava previsto um exercício prático, que consistiu em realizar uma trilha noturna até o Alto da Ventania, onde os participantes puderam fotografar o nascer do sol tendo a serra como pano de fundo.

Alto da Ventania


A Pedra da Ventania, ou Alto da Ventania como também é conhecida, esta localizada na Serra da Estrela e é considerada a 48ª montanha mais alta de Petrópolis. Foi escolhida para a realização do exercício por apresentar um cume amplo, com muitas lajes de pedra e uma linda vista para o maciço oeste da Serra dos Órgãos, com excelente visada para o ponto onde despontaria o Sol.

No dia em que saímos em busca da Hora Mágica o alvorecer estava previsto para às 06h15min, de modo que tivemos que deixar a pousada onde nos encontrávamos por volta das 03h30min para um deslocamento de carro que durou em torno de meia hora.

O grupo era constituído por aproximadamente 10 alunos, o instrutor e um guia acompanhante. Além do equipamento de trilha, todos levavam sua tralha de fotografia, a qual era constituída basicamente de câmara, tripé e conjuntos de lentes / filtros - um peso adicional considerável, mas indispensável para a ocasião.

A trilha fica dentro dos limites do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, entretanto o acesso a ela é feito a partir da zona rural da cidade, no bairro do Caxambú. Como não há placas indicativas ou portaria, para achar o ponto inicial, principalmente no escuro, é preciso conhecer bem o local. Felizmente guia e professor estavam bastante familiarizados com a região e não tiveram dificuldade em indicar a passagem.

Torres de alta tensão servem como ponto de referência.

Uma curiosidade: depois de quase ser arrastado pelo vento na Pedra do Sino, me preparei para o pior ao trilhar num lugar que tem Ventania no nome!! Levei casaco e anorac que nem saíram da mochila, pois o clima estava agradável e soprava apenas uma leve brisa ...

Ficha técnica
Extensão:em torno de 2 km
Localização:Petrópolis - RJ
Saída:A partir de uma servidão no bairro Caxambu
Altura máxima:1.560m acima do nível do mar.

A marcha em si é tranquila. Há um caminho bem demarcado no solo e estacas sinalizadoras indicativas da travessia Cobiçado x Ventania. Em caso de dúvida basta seguir os cabos de alta tensão que atravessam a elevação.

Turma inicia retorno a base, após término da golden hour no topo do Ventania.

Poucos metros após o início há um riacho que pode ser transposto com facilidade, utilizando para isso as pedras de seu leito. A seguir vem um trecho em ascensão contínua que vai praticamente até o topo, seguindo as curvas de nível da encosta.

Em dois pontos é preciso ultrapassar barreiras colocadas ali para impedir a passagem do gado e motoqueiros. Tome cuidado, pois são estreitas e feitas com arame farpado.

Passagem das barreiras exige cuidado para não se ferir no arame farpado.

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, para padronizar as análises sobre trilhas, utilizamos a norma brasileira NBR 15505-2 - Turismo com atividades de caminhada - Parte 2: Classificação de percursos.

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2
Severidade do Meio:2 - Moderadamente severo
Orientação no Percurso:2 - Caminho ou sinalização que indica a continuidade
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:3 - Esforço significativo

Análise da classificação
  • Severidade do meio: a maior parte do trecho possui cobertura vegetal e é muito tranquilo. Entretanto, em alguns pontos a marcha é feita sobre pedras com abundante infiltração de água - combinação propícia para escorregões, torções e tombos;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é mínimo. Mesmo assim procure não se desviar da rota marcada para evitar acidentes;
  • Terreno: típico de montanha, com elevação significativa em mais da metade do percurso. Pode ser vencido com marcha regular, sem necessidade de escalaminhada;
  • Esforço físico: esteja preparado para uma subida constante em praticamente todo o percurso. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em nossa caminhada:

Subida
Início:04:05
Chegada:06:05
Retorno
Início:07:11
Chegada:08:35

A hora da verdade


Desta vez a trilha não era o objetivo principal, mas apenas um meio para estar no topo do Ventania na famosa Hora Mágica. Assim que atingimos o ponto previsto, cada um tratou de montar seu equipamento e dar início ao trabalho. Neste dia fomos brindados por um nascer do sol espetacular, com poucas nuvens no céu e alguma neblina entre as montanhas. O resultado pode ser conferido abaixo!

O tom amarelado, característico da golden hour.

As condições de luz mudam rapidamente, permitindo a obtenção de
diferentes efeitos em pouco espaço de tempo.

Foto do grupo, realizada pelo Prof. Waldyr Neto.