quarta-feira, 12 de julho de 2017

Estamos de volta! - Lençóis Maranhenses - MA

Nesta última semana estivemos gastando sola nos famosos Lençóis Maranhenses, uma região ainda pouco explorada do ponto de vista turístico e que, por isso mesmo, oferece uma incrível oportunidade para aqueles que - como nós - valorizam a originalidade da cultura local.

Foram oito dias de intensa atividade e aprendizado, participando de um Workshop Fotográfico ministrado por André Dib, renomado fotógrafo de natureza.

Os Lençóis vistos de cima

Os Lençóis compõem uma paisagem única, composta de imensas dunas de areia entremeadas com lagoas de água cristalina e estão localizados numa região com uma incipiente infra-estrutura. Aqui a natureza ainda dita as regras na maior parte do tempo e é preciso estar preparado para enfrentar o sol inclemente e a ausência de vegetação.

É claro que vamos contar tudo que aprendemos e dar as dicas necessárias para curtir os Lençóis em sua plenitude. Por enquanto, aí vai uma pequena amostra do que vivenciamos por lá.

Viajando e fazendo amigos


Emoção e aventura foram companheiras constantes nessa viagem, mas um pequeno acontecimento foi especialmente marcante por demonstrar como a simplicidade e a generosidade estão presentes nesse lugar.

Caminhos nem sempre fáceis levam a lugares incríveis

Na sua maior parte os Lençóis são um imenso deserto. E como todo deserto, esse também tem seus oásis, pequenos povoados habitados por antigos moradores que aos poucos vão descobrindo no turismo uma nova alternativa de renda.

Foi assim que, num determinado dia, fomos almoçar em Betânia, uma aldeota constituída por aproximadamente 40 famílias, onde há um restaurante e uma pousada bastante simples, que servem de ponto de apoio aos que fazem a travessia dos Lençóis a pé.

Feita a refeição e câmera na mão saímos, eu e mais três membros do grupo, a caminhar pelos arredores clicando o quê encontrávamos pela frente. Depois de caminhar por algum tempo chegamos ao núcleo da povoação, com algumas casas e sem ninguém nas ruas!

Nesse dia o tempo não estava firme e repentinamente uma chuva forte começou a cair. Nos abrigamos numa varanda e aguardamos o aguaceiro estiar, para então retornar ao restaurante e dar seguimento ao roteiro do dia.

Mas aí nos demos conta que não sabíamos voltar! Uma alternativa seria refazer o caminho ao contrário, mas isso consumiria muito tempo e já estava praticamente na hora de embarcar. Além disso, a chuva ameaçava cair novamente a qualquer momento e estávamos preocupados em não molhar os equipamentos fotográficos. Nisso avistei uma senhora e seus, muitos, filhos parada na porta de casa, possivelmente olhando admirada aqueles gringos perdidos no seu quintal. Aproveitei para perguntar se podia fotografar a família tão simpática (não podia perder essa oportunidade!) e também quis saber qual o caminho de volta ao restaurante.

A senhora prontamente nos orientou e ainda enviou Luís, um de seus filhos, para nos guiar no caminho de volta. O menino era esperto e acostumado a fazer esse caminho, de modo que em instantes estávamos de volta. Ao chegar ao restaurante nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Luisinho, nosso pequeno guia - foto de Adriana Song 

Vivendo no Rio de Janeiro, onde a violência gera uma desconfiança irracional de qualquer semelhante, confesso que me senti tocado pela generosidade daquela família, que em sua vida simples desconhece as consequências da vida nas grandes cidades.

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