quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Gastando Sola em Bonito - MS

A pandemia não acabou e nem a nossa vontade de viajar! Por isso, tomando todos os cuidados, calçamos as botinas e fomos até Bonito, no Matro Grosso do Sul, sacudir o pó acumulado durante a quarentena.

Paulo e Renata no Buraco das Araras
Paulo e Renata no Buraco das Araras

Foi uma viagem e tanto, que nos permitiu conhecer um lugar maravilhoso e pessoas bacanas, as quais nos deram dicas super legais de passeios. Inclusive de um que não está nos roteiros tradicionais, mas que adoramos e sobre o qual faremos um post. Aguarde.

Enquanto preparamos as fotos e as matérias sobre Bonito, deixo aqui uma dica quente para quem deseja turistar por lá:

- alugue um carro!

É isso mesmo. O transporte turístico é monopólio de uma empresa local que cobra um absurdo pelo transporte para os atrativos. Houve um caso em que o custo do deslocamento era maior que o ingresso no atrativo.

Há duas locadoras de carros em Bonito: a Unidas e a Localiza. Optamos pela Unidas, que nos atendeu muito bem e ofereceu um custo de locação bem mais em conta do que gastaríamos utilizando o transporte monopolizado.

Rodamos com o carro locado por quatro dias e pagamos R$ 549,54 (uma suv com câmbio automático e ar condicionado).

Considerando os passeios pagos que fizemos, o equivalente usando o transporte da operadora, seria de R$ 660,00.

Entretanto, é importante ressaltar que de posse do carro conseguimos realizar passeios por conta própria com total liberdade de horário, o que seria impossível de outra forma.

E considerando a situação atual da pandemia, evitar o uso de vans lotadas é um plus que não pode ser negligenciado!



quinta-feira, 23 de julho de 2020

Cadê meu kit?! Mais um causo de viagem - Cavalcante - GO

Te aprochega vivente! Enquanto essa tal de pandemia não se aquieta, vou te contar mais um causo de viagem desse gaúcho que mora no Rio e resolveu gastar sola na Chapada dos Veadeiros lá pelos idos de 2018.

Antes de começar a história, esclareço que perrengue só é ruim na hora em que acontece. Na verdade eles são o tempero que dá sabor à aventura. São deles que nos recordamos - e rimos - nas conversas entre amigos e são eles que mantém viva a memória dos personagens envolvidos. Não é mesmo?

E por fim, preciso informar aos que não me conhecem que ando sempre com um kit de sobrevivência na mochila e que o mesmo não é fraco não! Já salvou a mim e meus companheiros de muita enroscada, tanto em trilhas quanto no asfalto. Enfim, vamos aos fatos.

O causo da Cachoeira Rei do Prata

Os detalhes dessa trilha - verdadeiramente sensacional - estão disponíveis no artigo Trilha da Cachoeira Rei do Prata, aqui mesmo no blog, que contém informações importantes para quem deseja se aventurar por aquelas bandas. Agora o foco é o que aconteceu depois de termos realizado a trilha.

Naquele dia saímos bem cedo da pousada para percorrer um trecho de aproximadamente 60 km em estrada de chão batido, que nos levou ao ponto inicial da caminhada. Quem costuma viajar pelo interior sabe que essas picadas cobertas de costeletas acabam com qualquer veículo, por mais forte que seja, e o nosso já estava pra lá de Bagdá. 

A estrada e os veículos que protagonizaram esse causo
Os protagonistas desse causo.

Na ida foi tudo bem. Depois de aproveitarmos o dia em meio a natureza fantástica do lugar foi chegado o momento de retornar aos carros, que nos levariam a um restaurante para encerrarmos a noite.

Chegamos no estacionamento por volta das 18:30. Como eu estava na turma da frente fui o primeiro a chegar e depositar minha mochila no porta malas do carro. E, assim como eu, os demais membros da expedição foram chegando e colocando suas mochilas sobre a minha.

Foi aí que se deu a origem desse causo ...

Grupo completo, carga carregada, todos acomodados em seus respectivos assentos, hora de partir. Haviam dois carros e o primeiro saiu lépido e fagueiro. Sentado ao lado do motorista vi quando ele tentou dar a partida repetidas vezes sem sucesso. Fiquei na minha, imaginando que fosse manha de carro velho. Ledo engano! Lá pelas tantas o rapaz puxou o rádio e tentou contato com a primeira viatura:

- Fulano, na escuta? Pane elétrica no carro. Solicito ajuda.

- ...

E nada. Silêncio absoluto. O outro veículo já estava fora de alcance devido a topografia acidentada da região que bloqueava o sinal de rádio.

Aí teve início um princípio de confusão com todos descendo do carro, dando palpites, querendo ajudar e - essa é que era a verdade, loucos para saírem daquele fim de mundo.

- Fulano, me vê uma chave de fenda - ouvi o motorista dizer ao guia.

- Tá pedindo pra mim? respondeu ele e emendou: não tem no carro?

Na verdade tinha. No meu kit de emergência. Soterrado por não sei quantas mochilas e com o porta-malas trancado. 

E não era só isso. A noite começou a cair e com ela veio o frio. Era junho e lá é clima de deserto. Calor durante o dia e baixas temperaturas a noite.

Em resumo, sentíamos uma mistura de frio, fome, cansaço e frustração por não conseguir fazer aquele maldito motor funcionar.

E no meu caso particular, a frustração era dupla porque tudo que eu precisava naquele momento estava inacessível.

Depois de um tempo, que pareceu uma eternidade, chegou o primeiro carro de volta, vazio. O responsável pela excursão havia estranhado a demora e o mandara de volta adivinhando algum perrengue no caminho.

Após algumas várias tentativas, finalmente conseguiram fazer o carro pegar na base da chupeta. Por pouco não esgotaram a bateria do primeiro carro, nos condenando, talvez, a passar a noite ali.

Resumo da história: chegamos ao restaurante por volta das 21:00 horas, varados de fome! E foi assim que eu aprendi a não me separar da minha mochila sob hipótese alguma. Pelo menos também foi assim que eu pude apreciar o estrelado céu noturno do Cerrado. Acreditem, é uma visão memorável e inesquecível.

Para saber mais sobre segurança na trilha leia o artigo Gastando sola com segurança - guia básico de sobrevivência para iniciantes.

Sobre o kit

O conteúdo do kit varia em função de vários fatores, tais como o local da trilha, estação do ano, tempo de duração da empreitada, infraestrutura disponível no destino, entre outros. Entretanto, há um pequeno grupo de itens que não podem faltar e que já provaram sua utilidade em muitas ocasiões - que teriam sido bem piores se eles não estivessem comigo naquele momento.


Kit básico de sobrevivência
Núcleo duro do meu kit de sobrevivência.


A base do kit é a seguinte:
  • hidratação: cantil e purificador de água;
  • iluminação: lanterna de cabeça e de facho;
  • fogo: isqueiro e iscas para acelerar a combustão;
  • orientação: bússola;
  • cutelaria: canivete de resgate;
  • ferramentas: alicate multifuncional;
  • cordame: dois rolos com 6 m de paracord e uma pulseira do mesmo material com bússola e pederneira;
  • fixação: dois prendedores.
Além desses itens, costumo levar um kit de primeiros socorros, poncho descartável, rações de emergência e mais algumas cositas que podem ser úteis.

E antes que alguém pergunte:
  • isqueiro dá de dez a zero em pederneira, não pesa e ocupa pouquíssimo espaço. Na hora do aperto é fogo rápido e garantido;
  • porque prendedores? Pois é. Essa foi uma das coisas que a experiência me ensinou. São um recurso valioso no meio do nada. Servem até pra segurar a roupa no varal. 
Seja como for, monte o seu conjunto e não saia de casa sem ele. O tempo e os perrengues vão se encarregar de mostrar o que é essencial e o que é acessório em caso de necessidade!!




segunda-feira, 22 de junho de 2020

Causos de viagem - perdido em Curitiba - PR

Enquanto a pandemia não deixa a gente sair de casa, o jeito é ir revivendo antigas histórias de viagem para não perder o jeito e não deixar cair no esquecimento - afinal são tantas aventuras que lá pelas tantas o cérebro se confunde ...

Essa aconteceu num passado distante, quando eu trabalhava numa empresa de automação de acervos bibliográficos (sim, isso existe) e viajava pelo Brasil demonstrando o produto, dando cursos, fazendo manutenção e suporte, essas coisas típicas daquela profissão.

Nesta ocasião a empresa onde trabalhava, agendou uma série de visitas que começava na Bahia e ia descendo até chegar em Curitiba, passando por umas três ou quatro outras cidades no meio do caminho. Algumas visitas eram rápidas, outras levavam alguns dias, de modo que eu trocava de hotel com relativa frequência. E foi aí que se deu o problema.

Quando cheguei em Curitiba estava exausto e faminto. Fui direto ao hotel e, lá chegando, fui informado que meu quarto ainda não estava arrumado. O atendente perguntou se eu não preferia dar uma volta - era domingo - em vez de ficar esperando no saguão. Aceitei a ideia e fui direto para a Boca Maldita em busca de um mata-fome qualquer. Entretanto ...

Eis a Boca Maldita

Eu havia passado vários dias na cidade anterior e, chegando no aeroporto, fora direto para o hotel de forma automática - movido pelo hábito. Só  na hora de voltar é que me apercebi que não lembrava o nome do hotel atual, apenas o da semana anterior!!

Fiquei zigue-zagueando pelas calçadas, olhando vitrines sem enxergar, até que uma vaga sugestão de nome se formou em minha mente. De posse desse vislumbre fui até um taxista e larguei direto:

- o senhor sabe se existe um hotel chamado ... aqui em Curitiba?
- com esse nome não, mas tem um parecido - respondeu ele;
- é pra lá que a gente vai então - disse eu.

Claro que no caminho expliquei ao motorista o quê havia acontecido. Ele achou muita graça e disse que eu ficasse tranquilo. Caso esse não fosse o hotel certo, ele conhecia praticamente todos os hotéis da cidade e iríamos de um em um até encontrar!

Felizmente acertamos na primeira. Confesso que suspirei aliviado e, desde então, sempre que me hospedo onde quer que seja, pego um cartãozinho com o nome e endereço do local e coloco na carteira.