Mostrando postagens com marcador Montevidéu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Montevidéu. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Alguns fatos sobre o Uruguai que não constam nas estatísticas oficiais, mas que você vai gostar de saber antes de viajar para lá

Na semana de 20 a 27 de outubro de 2016 estivemos Gastando Sola pelo Uruguai, nosso vizinho mais ao Sul e que compartilha a herança gaúcha com o estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

É um país fabuloso, com um povo amável e hospitaleiro que nos recebeu muito bem. Ao longo deste tempo recolhemos alguns dados e impressões sobre los hermanos e sua terra que agora compartilhamos com nossos leitores.

Vamos aos fatos


A área total do Uruguai equivale a do estado brasileiro do Rio Grande do Sul.

O território uruguaio é muito plano, principalmente na região de Montevidéu e arredores. Se você está planejando comprar terras por lá, fique longe do litoral. Quando as calotas polares derreterem vai ser um Deus nos acuda!

Sua capital, Montevidéu, é segura - inclusive a noite. Encontramos alguns moradores de rua que nos pediram dinheiro e nada mais. E é bom que se diga que em nossas andanças - e foram muitas! - vimos menos mendigos na rua do que é comum avistar num único dia na Cinelândia, aqui no Rio de Janeiro.

A cidade é um prato cheio para os amantes da arquitetura, pois há belos prédios do final do século XIX e início do XX relativamente bem preservados espalhados por toda parte e com uma notável concentração na Ciudad Vieja.

Veja estas e outras imagens em @gastandosola, nosso perfil no Instagram ou em nossos álbuns no Facebook:
- Cementerio Central de Montevideo;
- Palácio Salvo.

Fachada da confeitaria Las Missiones.

No dia mais movimentado, no horário de pico, a Avenida 18 de Julio não chega aos pés - em termos de trânsito - da Rua do Catete, aqui no Rio.

Em uma semana, não vimos engarrafamentos em Montevidéu.

O Aeropuerto Internacional de Carrasco é pequeno. Realmente pequeno. Mas em compensação tem wi-fi grátis e de qualidade.

Atendimento em geral é demorado, principalmente no aeroporto. Na chegada perdemos mais de uma hora na fila de imigração. O check-in é outra demora certa, pois os atendentes conversam entre si e com os passageiros como se fossem velhos amigos.

Montevidéu é uma cidade muito limpa, com poucas pichações. As praças são bem conservadas e utilizadas pela população em seus momentos de lazer - inclusive à noite.

Plaza Constitución, também conhecida como Plaza Matriz.

Todos os lugares cheiram bem. Pelo visto, há um grande investimento em aromatizadores de ambiente no Uruguai.

A maconha está liberada. Entretanto não encontramos alguém fumando, nem mesmo sentimos o cheiro, ao contrário do que acontece na Praça São Salvador, aqui no Rio, onde um transeunte pode ficar chapado só de respirar o ar que circula por lá.

As pessoas estão sempre encasacadas, mesmo quando não está muito frio.

Carros são baratos. Combustível é caríssimo.

O vinho uruguaio é de excelente qualidade. Não deixe de provar o tanat, considerado carro chefe da produção local.

Se você gosta de vinhos preste atenção no seguinte: os passeios às vinícolas oferecidos pelas operadoras são absurdamente caros. Um tour de dia inteiro em Punta Del Este custou U$ 50,00 por pessoa, enquanto uma visita de quatro horas, no máximo, a uma bodega custaria U$ 84,00. Caso decida ir, organize-se por conta própria, pois o custo é bem menor. E deixe para comprar seus vinhos num dos inúmeros mercadinhos que se espalham pela cidade. O conteúdo é o mesmo, mas o preço é incrivelmente mais baixo do que na cantina da vinícola.

A devolução do IVA torna o uso de cartão de crédito vantajoso! Verifique sempre se o benefício foi aplicado em suas compras. Caso contrário, no aeroporto há um posto onde pode ser feita a solicitação. Detalhe curioso: este posto fica na área de desembarque.

Av. 18 de Julho, a principal da cidade.

Como há pouca gente, via de regra não há excesso de lotação nos lugares. Seja em ônibus, lojas, supermercados, sempre há lugar sobrando.

É comum os homens se cumprimentarem com um beijo no rosto. Vimos vários.

Segundo uma das guias de turismo que nos acompanhou, há mais ou menos 3.000.000 de habitantes no Uruguai e 12.000.000 de vacas! Ou seja, há quatro vacas para cada habitante! Apesar dessa desproporção o quilo da carne é alto, pois o produto se destina basicamente à exportação. Ainda de acordo com ela, a educação é totalmente gratuita e de qualidade da pré-escola ao ensino superior. Mesmo assim sobram vagas nas universidades públicas. Por outro lado, o custo de vida é altíssimo, principalmente no quesito alimentação.

Veja estas e outras imagens em @gastandosola, nosso perfil no Instagram ou em nossos álbuns no Facebook:
- Cementerio Central de Montevideo;
- Palácio Salvo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Cementerio Central, o mais antigo cemitério da capital uruguaia - Montevidéu - Uruguai

Antes de iniciarmos a viagem pelo Uruguai havia feito a lição de casa, traçando roteiros, checando cotações e definindo pontos de interesse para visitar. Por isso, já sabia que em Montevidéu havia o Cementerio Central, um local conhecido por sua impressionante coleção de arte funerária representativa da primeira metade do século XIX. Faltava apenas saber como chegar lá a partir do hotel em que nos encontrávamos. Por isso, ao passar pela recepção resolvi parar e perguntar.

Há anos visitamos e fotografamos campos santos e já estamos acostumados com a reação das pessoas quando pedimos alguma informação a respeito. Entretanto, não pude deixar de sorrir internamente ao perceber a surpresa do atendente quando soube aonde queríamos ir. Ao mesmo tempo fiquei na dúvida se meu portunhol havia sido claro o suficiente para passar o recado e repeti a pergunta:

- ¿Me puede decir cómo llegar al Cementerio Central?

- No lo sé. Yo voy ver, y por mañana le digo, respondeu ele baixinho.

Agradeci e seguimos a pé rumo à Rambla Sur, outro ponto interessante marcado em nossa agenda. Ao verificar o mapa para checar nossa posição, uma surpresa: o Cementerio Central  era um quadradinho verde relativamente próximo do nosso destino final daquele dia!

Como já imaginava, na manhã seguinte o atendente do hotel se limitou a nos dar bom dia e nem tocou no assunto! Chegar no Cemitério Central a partir do centro ou da Ciudad Vieja é muito fácil, tanto que decidimos ir caminhando até lá. Era uma quarta-feira e o local estava deserto.

Testemunhas da história


Durante nossa estada no Uruguai ocorreu o falecimento do ex-presidente Jorge Batlle. Como estávamos gastando sola e nos divertindo, só ficamos sabendo porque no dia anterior tentamos visitar o Palácio Legislativo e não pudemos entrar devido ao velório que estava sendo realizado. E neste dia, logo na entrada do cemitério,  me deparei com uma enorme coroa de flores encostada na parede. Numa fita lia-se o nome de uma embaixada sul-americana.

- Sinal que o sepultamento deve ter ocorrido aqui. Vamos poder concluir esta reportagem histórica, pensei com meus botões.

Um belo jardim


Basta atravessar os portões para ver que o local é muito bem cuidado. As alamedas estão conservadas e limpas. Além disso, o projeto original (ver abaixo) é respeitado ainda hoje. Os túmulos estão dispostos de tal forma que se mantém um bom espaço entre eles, o qual é preenchido com diferentes tipos de plantas ornamentais e algumas árvores. Além de transmitir uma sensação de harmonia, esta concepção ajuda a criar uma atmosfera de recolhimento e tranquilidade.

A área do cemitério é na verdade um grande jardim

Perambulamos sem ser incomodados por umas duas horas. Volta e meia um dos três funcionários encarregados da manutenção parava o que estava fazendo e ficava nos olhando de longe, por certo querendo saber o porquê de tanta foto!

Os gatos vivem soltos entre os jazigos

Um detalhe que nos chamou a atenção foi a quantidade de gatos que vivem por ali. Todos aparentemente saudáveis e bem alimentados, diga-se de passagem.

Veja estas e outras imagens no álbum Cementerio Central de Montevideo em nossa página no Facebook.

Um pouco de história


O Cementerio Central é a necrópole mais antiga e importante do Uruguai. Concebido pelo arquiteto Carlos Zucchi para ser um cemitério jardim, foi inaugurado em 1835 e desde então abriga grandes nomes da história do país, como Gerardo Matos Rodríguez (1897- 1948), autor de La Cumparsita - apreciadores de tango entenderão seu valor, Vaimaca Perú, último cacique charrua, diversos ex-presidentes, entre eles o recém falecido Jorge Batlle, bem como líderes militares, artistas e pessoas do povo.

Basicamente é um grande quadrilátero dividido em três setores que, provavelmente, foram sendo expandidos conforme escasseava o espaço disponível. Nos jazigos das famílias mais abastadas estão instaladas obras de famosos escultores italianos como José Livi, Juan Azzarini e Félix Morelli, ou de escultores uruguaios como José Belloni e José Zorrilla de San Martín- o qual encontra-se sepultado no Panteón Nacional.

Lápides são ricas em simbologia

Outro aspecto importante a destacar é a abundante simbologia utilizada nas sepulturas. Além das tradicionais ampulhetas, tochas e anjos chorosos é possível encontrar códigos maçonicos, símbolos militares, alegorias greco-romanas e representações da vida cotidiana dos entes queridos ali depositados, algumas com cenas fortes relacionadas ao tipo de morte do sepultado e outras  verdadeiramente tocantes.

A topografia da região metropolitana é basicamente plana, mesmo assim causa certa estranheza a escolha do local onde foi construído o cemitério: às margens do Rio da Prata. Normalmente instalações deste tipo são erguidas em locais altos, para evitar a contaminação do lençol freático, o que não ocorreu neste caso. Talvez o fato possa ser explicado pela situação vivida na primeira metade do século XIX, pois nesta época o terreno encontrava-se afastado do setor urbano. Com o inevitável crescimento da cidade, a necrópole acabou sendo engolida pela metrópole.

Veja estas e outras imagens no álbum Cementerio Central de Montevideo em nossa página no Facebook.

Cementerio Central


Endereço: Av. Gonzalo Ramirez, 1302
Telefone: 2900 2434
Funcionamento: de segunda a domingo, das 10 às 16 horas
Entrada franca
Linhas de ônibus: 137 - 396

Fontes


INTENDENCIA de Montevideo. Cementerio Central. Disponível em http://www.montevideo.gub.uy/institucional/dependencias/cementerio-central. Acessado em 01 nov. 2016

ENLACES uruguaios. Cementerio Central de Montevideo. Disponível em http://www.enlacesuruguayos.com/Cementerio.Central.htm. Acessado em 01 nov. 2016

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Candombe - Montevidéo - Uruguai

Antes de chegar a Punta Ballena para conhecer a Casapueblo de Vilaró (clique aqui para saber mais), gastei alguma sola perambulando pelas ruas de Montevidéu, capital do Uruguai. Foi nesta ocasião que conheci o Candombe, uma manifestação cultural típica da região e cujas raízes africanas deixam bem claro suas ligações com o Candomblé brasileiro. Entretanto, é bom esclarecer que o Candombe, pelo menos na atualidade, não possui conotação religiosa.

De forma similar ao que ocorreu com a colônia portuguesa, as colônias espanholas também receberam um significativo contingente de escravos africanos. No Uruguai o processo teve início por volta de 1750 e se intensificou de tal maneira que no ínio do século XIX mais de 50% da população de Montevidéu era constituída por afro-descendentes.

Assim que chegavam, os escravizados eram submetidos a um processo de aniquilamento cultural para que esquecessem suas origens. Desprovidos de tudo, restava-lhes apenas a música, como uma recompensa pelas pesadas tarefas executadas durante o dia e um refúgio contra a nostalgia da terra natal. Da mistura de etnias africanas reunidas nestes encontros musicais nasceu o Candombe no século XVIII. O termo inicialmente designava as danças praticadas pelos negros, posteriormente passou a significar o ritmo musical baseado sobretudo nos tambores. Estas reuniões a céu aberto foram duramente reprimidas durante muito tempo e o Candombe passou a ser executado em lugares fechados, muitas vezes em segredo. Atualmente, é considerado uma representação fundamental da cultura uruguaia e foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Mama Vieja com seu leque, personagem típica do Candombe.


O Candombe moderno é executado por três tipos distintos de tambores (chamados genericamente de tangó ou tambó):
  • tambor piano: é o maior e sua função é dar o som de fundo, como um bumbo;
  • tambor chico: é o menor, seu som agudo dita o ritmo;
  • tambor repique: de tamanho intermediário, serve para dar o tom nas improvisações feitas pelos músicos.
 Um conjunto de tangós é chamado de cuerda. Durante o carnaval uruguaio, formam-se blocos chamados de comparsas, que saem às ruas acompanhados por multidões de dançarinos e populares. O cortejo é conduzido pelo Escobero, em geral um jovem que tem a função de arauto; o mestre dos tambores é conhecido como gramillero, sempre acompanhado de sua mama vieja - uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque à mão.

Fonte

O que é Candombe. CANDOMBE. Disponível em http://www.candombe.com/portuguese.html. Acessado em 27 fev. 2014.