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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Torres de Bonsucesso, uma trilha inacabada - Teresópolis - RJ

Depois de um tempo de relativa inatividade aquela velha amnésia que acomete os trilheiros de montanha começou a fazer efeito e a vontade de voltar a ativa veio com força total.

Seguindo a sugestão de um amigo, optamos abrir a temporada com as Torres de Bonsucesso - um atrativo muito bacana, mas não tão conhecido como outros da região serrana do Rio de Janeiro.

As torres, vistas da base

Na verdade as torres são um imponente maciço rochoso com três picos que se salientam no conjunto: o Ferro de Passar Roupa, a Torre Central e a Torre Maior.

Antes de mais nada é preciso dizer que a trilha é sensacional, mas um pouco exigente em termos físicos. Infelizmente meu preparo não estava a altura do desafio e tive que interromper a subida próximo a primeira torre. Mesmo assim, posso garantir que vale a pena encarar esse desafio e já tenho como certo o retorno para espantar essa "mancha" do meu currículo!!

Como chegar

Siga pela estrada RJ-130 que liga Teresópolis à Nova Friburgo. Como não há sinalização específica indicando a entrada para as Torres, ao chegar na localidade de Bonsucesso (daí o seu nome) fique atento a uma rua que começa logo abaixo de uma igreja, que leva ao Vale dos Lúcios. Ao chegar numa bifurcação que tem um bar no meio, pegue à direita e entre numa estrada de chão batido com diversas propriedades rurais. No final dessa estrada há um estacionamento onde se deve obrigatoriamente deixar o veículo e pagar uma taxa ao proprietário. No dia, pagamos R$ 20,00.

Rumo ao início

A partir daí é preciso seguir por uns 500 m até o início da trilha propriamente dito. É fácil de localizar, pois fica junto às instalações de captação de água que abastecem a residência e as lavouras da fazenda.

Para o alto e avante!

A trilha tem início numa porteira e segue por uma mata fechada por quase dois quilômetros. Por um lado isso mantém a temperatura agradável e protege do sol forte (principalmente no verão!), mas por outro impede que seja possível apreciar o entorno. O caminho é, na maior parte, bem demarcado. Em alguns trechos a vegetação começa a tomar conta, principalmente trepadeiras que atrapalham um pouco a progressão. Também encontramos algumas árvores caídas sobre a passagem, fazendo parecer que está na hora da trilha passar por um manejo para conservação.

Porteira que dá acesso à trilha

Depois da mata vem um trecho ainda mais íngreme, cercado por um mato alto formado por samambaias e capim-navalha - cujas lâminas estava especialmente afiadas no dia ... Nessa parte os degraus foram cavados na terra e, quando molhados, ficam extremamente escorregadios. O lado bom é que a partir desse ponto começa a se descortinar uma belíssima paisagem, a qual pode ser apreciada a partir de alguns mirantes naturais mesmo antes de se alcançar a primeira torre.

Torre Maior, vista de um dos mirantes

Localidade de Bonsucesso, vista do alto da trilha

No dia em que fizemos a trilha estava muito quente e o sol era implacável. Inclusive a senhora que veio falar conosco no estacionamento disse que fazer a subida naquelas condições "era coisa de maluco!!". Como uma parte significativa do deslocamento é feita a céu aberto, fica a dica para escolher uma época do ano mais amena no quesito temperatura.

Ficha técnica
Extensão:em torno de 12.000 m (ida e volta);
Localização:Teresópolis - RJ
Saída:A partir de uma porteira numa propriedade rural
Altura máxima:1.860 m acima do nível do mar - Torre Central
Desnível:aproximadamente 800 m até o Ferro de Passar Roupa

Para ver o tracklog da trilha, clique aqui. É importante destacar que a trilha foi interrompida próximo a torre Ferro de Passar.

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, para padronizar as análises sobre trilhas, utilizamos a norma brasileira NBR 15505-2 - Turismo com atividades de caminhada - Parte 2: Classificação de percursos.

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2
Severidade do Meio:2 - Moderadamente severo
Orientação no Percurso:2 - Caminho ou sinalização que indica a continuidade
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:3 - Esforço significativo

Análise da classificação
  • Severidade do meio: em caso de chuva, extensos trechos tornam-se escorregadios; no verão, é alta a probabilidade de exposição ao sol e a temperaturas superiores a 32 °C; a trilha é deserta, não há casas, pontos de apoio ou uma estrada com fluxo de veículos; o trajeto é feito quase que em sua totalidade  por vegetação densa  e em terreno irregular; não há pontos de captação de água potável;
  • Orientação: o caminho não é bem sinalizado, mas o risco de desorientação é mínimo. Em alguns pontos a trilha fica encoberta pela vegetação e é necessário redobrar a atenção para não se desviar do percurso;
  • Terreno: típico de montanha, com elevação significativa durante todo o percurso;
  • Esforço físico: esteja preparado para uma subida constante, do início ao fim da trilha; faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto nessa caminhada:

Subida
Início:09:15
Chegada:12:20
Retorno
Início:12:36
Chegada:14:30

Uma pausa para respirar

Terminada a trilha, há uma mesa e alguns bancos rústicos onde o pessoal aproveita para se recompor antes de retornar à civilização. Instantes antes de largar a mochila percebi que havia uma baita aranha no tampo da mesa, como se estivesse ali para alertar que sempre é bom manter os equipamentos fechados e verificar o conteúdo de botas e luvas antes de calça-los.

Veja quem nos esperava no final da aventura ...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Trilha da Pedra do Sino - Teresópolis - RJ

Embora já tivesse visitado o Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO em outras ocasiões, ainda não havia tido a oportunidade de realizar uma de suas famosas trilhas. Depois de algum tempo procurando alguém disposto a curtir esta aventura encontrei a guia Viviane Malafaia, que topou a empreitada apesar do calendário não estar a nosso favor.

A Pedra do Sino é um destino muito procurado por excursionistas

Acontece que a melhor época para realizar este tipo de trilha vai de junho a agosto, período com menor incidência de chuvas, e as datas que tínhamos disponíveis eram 03/04 ou 10/11 de setembro. Acabamos escolhendo a primeira opção para aumentar nossas chances de tempo bom. E deu certo!

Teresópolis vista do mirante do Abrigo 3

Para quem não sabe, o PARNASO fica em Teresópolis, região serrana do Estado do Rio de Janeiro e é considerado um dos melhores locais do Brasil para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada, rapel e outros. Possui a maior rede de trilhas do país, com mais de 200 quilômetros de extensão em todos os níveis de dificuldade: desde a trilha suspensa - acessível a cadeirantes - até a Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 Km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas.

Veja estas e outras imagens no álbum Trilha da Pedra do Sino, no Facebook, e no perfil @gastandosola no Instagram.

Sobre a trilha

É interessante lembrar que a trilha da Pedra do Sino é na verdade um dos trechos da travessia Petrópolis-Teresópolis. Para quem sai de Petrópolis, é a última parte da caminhada e tem a vantagem de ser descida até o final. Muitos trilheiros em fase de preparação costumam realizá-la como forma de treinamento, pois ela é considerada um bom termômetro para quem quer saber se tem condições de realizar todo o percurso da travessia.

Reta final para chegada no Abrigo 4

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, vamos utilizar a classificação apresentada pela guia Viviane Malafaia na etapa preparatória.

Ficha técnica
Extensão:11 km
Saída:Entrada da Barragem, a 1.100m acima do nível do mar
Altura máxima:2.275m acima do nível do mar
Desnível de subida:1.175m

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2, realizada pela guia Viviane Malafaia
Severidade do Meio:3 - Severo
Orientação no Percurso:3 - Exige a identificação de acidentes geográficos e de Pontos Cardeais
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:4 - Esforço intenso

Trocando em miúdos, não é uma trilha para principiantes ou sedentários e é bom estar preparado fisicamente para enfrentá-la.

Fazendo uma análise pessoal - e totalmente subjetiva - dos itens constantes da NBR 15505-2, diria o seguinte:

  • Severidade do meio: o local é habitat de diversas espécies peçonhentas, por isso é bom ficar atento. Além disso, não há pontos de abastecimento, é preciso levar consigo equipamentos e suprimentos suficientes para o tempo de permanência. Os pontos de captação de água estavam muito baixos, alguns secos. No Abrigo 4 é possível reabastecer, mas é altamente recomendável o uso de purificadores de água;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é pequeno, mas fique atento: marcas de erosão ou o trânsito de animais podem gerar a falsa impressão de desvios;
  • Terreno: bastante irregular em alguns trechos, mas não há necessidade de escalaminhada ou rapel. A trilha é basicamente um zig-zag que vai acompanhando as curvas de nível da montanha. A caminhada é feita sob o arboreto que margeia o caminho, proporcionando sombra, mas impedindo a visão da paisagem em boa parte do trecho;
  • Esforço físico: esteja preparado para percorrer 11km em ascensão constante com uma mochila cargueira nas costas. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em cada etapa de nossa caminhada:

Subida
Início:09:00
Abrigo 01:10:00
Cachoeira Véu de Noiva:10:20
Abrigo 03:12:55
Mirante do Abrigo 03:13:30
Abrigo 04:15:30
Total:06:30
Saída rumo ao cume:16:25
Chegada:16:55
Retorno
Início:08:30
Abrigo 03:09:45
Abrigo 02:10:40
Cachoeira do Papel:11:20
Véu de Noiva:12:15
Abrigo 1:12:25
Porteira:13:16
Total:05:00

Sobre o equipamento

Nestes casos a regra é simples: leve somente o indispensável, pois cada quilo extra será um peso morto a ser transportado - nas suas costas! - montanha acima.

Para esta trilha é considerado indispensável:

  • roupas para frio extremo: mesmo que esteja agradável no sopé, lembre-se que lá em cima faz muito frio;
  • capa de chuva ou similar;
  • botas pré-amaciadas;
  • saco de dormir;
  • isolante térmico;
  • água potável;
  • purificador de água;
  • suprimentos.


Acampamos nos fundos do Abrigo 4, em busca de tranquilidade

O item barraca não foi incluído na lista porque o parque oferece a opção de aluguel de uma ou hospedagem no Abrigo 4 nas modalidades beliche e bivaque. Para saber preços e condições consulte a Tabela de Preços clicando aqui. Por falar nisso, no Abrigo 4 há banheiros e cozinha para uso dos visitantes, sendo que a cozinha não pode ser utilizada pelos campistas.

Abrigo 4, com barracas de aluguel à direita

Sobre o grupo

Para esta empreitada reunimos três participantes, mais a guia. No total éramos quatro excursionistas bem animados - afinal bom humor é fundamental - e isso ajudou muito durante o trajeto, pois o esforço acabou se diluindo entre inúmeras conversas, observações de pássaros (dois eram biólogos) e algumas discussões sobre conservacionismo em unidades de proteção ambiental. E aqui fica outra dica muito importante: não se aventure sozinho! Embora as regras do parque não exijam o acompanhamento de um guia, a presença de um profissional habilitado é altamente recomendável.

Organizando o equipamento antes da subida

Por fim, cansados mas felizes, ao encerrar esta aventura rumamos para um bom restaurante para colocar a fome em dia. E agora, toca a planejar a Travessia Petrópolis x Teresópolis para 2017!!

Veja estas e outras imagens no álbum Trilha da Pedra do Sino, no Facebook, e no perfil @gastandosola no Instagram.

Fonte


MINISTÉRIO do Meio Ambiente. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Parque Nacional Serra dos Órgãos. Disponível em http://www.icmbio.gov.br/parnaserradosorgaos/. Acessado em 15 set. 2016.


Promoção de Aniversário!!

Venha gastar sola conosco!!
Em setembro o Gastando Sola Mundo Afora completa 03 anos de existência. E para comemorar no melhor estilo dos gastadores de sola fechamos uma parceria com a Agência Mila Turismo  - que é especialista em montar roteiros sensacionais - para realizar um tour no Morro de Santa Teresa, o bairro mais charmoso do Rio de Janeiro. Será uma caminhada entre amigos a ser efetuada no próximo dia 08 de outubro, onde os presentes irão desfrutar dos atrativos de Santa e participar do sorteio de diversos brindes úteis e divertidos.

A participação é gratuita, mas limitada a 20 vagas. Por isso estamos promovendo um sorteio entre os interessados e a condição para participar é curtir nossa página no Facebook. Para se inscrever no sorteio, clique aqui.


Venha Gastar Sola em Santa Teresa!
Quando: dia 08 de outubro
Onde: o ponto de encontro será na Sala Cecília Meirelles, no Centro do Rio
Horário: inicia às 10:00