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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Salto do Raizama e Vale da Lua na Chapada dos Veadeiros - Alto Paraíso - GO

As noites na Vila de São Jorge costumam ser tranquilas e silenciosas, um pouco estranho para quem vive numa rua movimentada do Rio de Janeiro e se acostumou a dormir embalado por freadas e buzinas. Talvez por isso a primeira noite na Chapada dos Veadeiros tenha sido tão marcante e repousante. O fato é que bem cedo já estava a postos no refeitório da pousada pronto para saborear um café reforçado com tapioca, ovos mexidos e bruschetta. Como sabiamente dizia minha vó, saco vazio não para em pé e uma boa refeição é essencial para gastar sola por aqui.

No Espaço Infinito


A Trilha do Raizama começa no Sítio Espaço Infinito, localizado há uns três quilômetros da Vila de São Jorge. Confesso que estranhei um pouco o local, meio largado - como se diz lá no Sul quando a falta de conservação é evidente. Logo na entrada há um grande palco de madeira com ícones do rock dos anos 70/80 e logo a seguir as ruínas de uma construção semi-demolida e, aparentemente, abandonada.

Entrada do Espaço Infinito.

Passado o susto inicial fui perguntar ao guia o que era aquilo, afinal o aspecto do lugar destoava bastante das demais instalações turísticas que existem na região. Pelo visto não era a primeira vez que ele respondia a esta mesma pergunta, pois ele não tardou em explicar que o sítio era um local alternativo, assim como seu proprietário, voltado para o lado místico do contato com a natureza. Além disso, aqui também são realizadas festas e festivais de música.

Depois de uma rápida preleção do guia, seguimos em frente rumo ao Córrego Raizama e suas quedas. O percurso total da trilha é de 4 km, nível fácil a moderado, e seu traçado basicamente segue o curso d'água até chegar ao salto propriamente dito. Ao longo do caminho vão surgindo pequenas quedas que são verdadeiras hidromassagens naturais, bem como piscinas escavadas na rocha, propícias para banho. A água é límpida, mas um pouco fria - o que não chegou a ser um problema devido ao calor que fazia na ocasião.

A primeira parada foi nesta cascatinha, com uma bela piscina natural.

O trajeto é bem sinalizado e há trechos em que a caminhada é feita em estruturas de madeira mantidas pelo proprietário do sítio. Após passarmos pelo Salto do Raizama o caminho ficou estreito e foi preciso ter um pouco mais de atenção, mas a passagem foi bem tranquila. É neste ponto que o Raizama se encontra com o Rio São Miguel e há um mirante de onde é possível observar o Salto ao fundo, o cânion e as corredeiras. Um cenário realmente magnífico.

Corredeiras do Rio São Miguel.

Um pouco mais adiante as águas ficam mais tranquilas e o rio corre em meio a paredões de pedra. Esta é uma excelente área para banho, sendo que é possível mergulhar das pedras em alguns pontos. Depois desta parada refrescante seguimos pela trilha até alcançar novamente o ponto de partida. Pausa para um lanche reforçado e direto para o próximo destino.

Trecho do Rio São Miguel, entre as rochas.

Vale da Lua


A formação rochosa conhecida como Vale da Lua é realmente impressionante, mas o ponto alto desta visita - para mim! - foi sem dúvida a paisagem que emoldura o caminho. A trilha em si é de nível fácil e tem extensão aproximada de um quilômetro. Durante boa parte do trajeto é possível admirar a formação rochosa da Serra do Segredo. Já mais próximo do rio há um mirante natural, uma enorme pedra, onde se pode subir sem maiores problemas, perfeita para um tempo de contemplação da vista que se descortina a frente.

Panorâmica do cerrado, com a Serra do Segredo ao fundo.

Este vale é uma das atrações mais procuradas na Chapada dos Veadeiros e a visita pode ser feita sem a presença de uma guia, pois o caminho é bem sinalizado e não apresenta perigo. Entretanto, é bom estar atento as mudanças do tempo, principalmente no período de chuvas, para não ser surpreendido pela enxurrada.

Formações rochosas lembram uma paisagem lunar.

O nome Vale da Lua vem do aspecto peculiar das rochas arenosas escavadas pela ação da água do Rio São Miguel e também por sua cor acinzentada, que remete ao solo lunar. O lugar está repleto de crateras de todos os tamanhos, passagens subterrâneas, funis e moinhos. Para andar aqui com segurança é indispensável o uso de sapatos fechados, com solado anti-derrapante.

Ação da água é responsável pelo aspecto do lugar.

Em alguns pontos se formam bacias próprias para banho, algumas bem profundas. Por um lado é bom para os que gostam de saltar das pedras, mas por outro é bom ficar atento e somente se aventurar por ali se for um bom nadador.

Almojanta


Para quem não sabe, almojanta é uma refeição reforçada que se toma ao fim da tarde e faz as vezes de almoço e janta - dai o nome. Como os passeios começam cedo, são muitos os lugares para ver, as distâncias são grandes e nos levam para o meio da natureza fica difícil conciliar as refeições com horários regulares. Então a solução mais prática é fazer uma parada para um lanche por volta do meio do dia e uma bela refeição no retorno à pousada.

Veja estas e outras imagens nos links abaixo:

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Chapada dos Veadeiros e Vila de São Jorge - Alto Paraíso de Goiás - GO

De 14 a 21 de junho estivemos gastando sola num dos lugares mais bonitos e impressionantes do Brasil, a Chapada dos Veadeiros, no coração de Goiás.

Foram oito dias de atividades intensas, com longas caminhadas, paisagens de encher os olhos e muito aprendizado com os guias que nos acompanharam nesta aventura. Isto sem falar nas fotos - muitas fotos! - que já estamos publicando em nossa página no Facebook (clique nos títulos para ver as imagens):


A primeira etapa da viagem consistiu em reunir os participantes do grupo no Aeroporto de Brasília, onde um transfer nos aguardava para pegar a estrada rumo ao interior do Estado. O deslocamento foi tranquilo, com pouco movimento e estradas em boas condições. Uma rápida parada no distrito de São Gabriel para um café já deu o tom do que seriam os dias que tínhamos pela frente: muito sol num céu profundamente azul com algumas nuvens fazendo contraponto!

Um rebanho de nuvens na pradaria azul do céu.

Este é o clima típico de início de inverno no cerrado. Aliás, diga-se de passagem que a época do ano para a realização desta viagem foi escolhida a dedo, uma vez que é a mais indicada para visitar a região por ser o início da estação seca. Na prática isto significa dias ensolarados, temperatura amena e cursos ainda com um bom volume de água. Dali seguimos por mais duas horas direto para Alto Paraíso, onde rolou um "almojanta" às quatro horas da tarde! Depois, mais um pouco de chão até chegarmos ao destino final: Vila de São Jorge.

Vila de São Jorge


São Jorge é um pequeno povoado pertencente ao município de Alto Paraíso, com ruas de chão batido, casas baixas e a sensação de que pressa e urgência são termos que ficaram para trás. De acordo com o relato de um goiano conhecedor da região, a ausência de asfalto não é um problema, mas sim uma opção dos habitantes da Vila, que acreditam ser esta uma forma de manter o progresso e suas mazelas longe de suas portas. Depois de passar alguns dias muito tranquilos por aqui tive que concordar com eles.

Uma rua como outras tantas em São Jorge.

O que não significa que não se possa contar com os confortos de uma vida moderna. A localidade conta com a infraestrutura básica indispensável, como luz, água tratada, saneamento e telefonia - inclusive móvel. O acesso à internet é precário e nos horários de pico praticamente não há conexão.

Por outro lado, aqui o visitante pode levantar os olhos da tela do celular à noite e se surpreender com um céu muito diferente do que ele está acostumado. Para quem mora num grande centro urbano, como eu, onde a iluminação feérica impede o avistamento de boa parte das estrelas, poder desfrutar de uma visão como esta é um privilégio.

Céu de São Jorge - fazia tempo que não via tanta estrela assim!

O comércio local conta com dois mercados bem abastecidos e, claro, diversas pousadas. Também há vários bares e restaurantes, mas atente para este detalhe curioso: muitos deles só funcionam de quinta a domingo, que é quando o afluxo de turistas é maior.

Um pouco de história


Inicialmente a região da Chapada era ocupada por tribos indígenas, principalmente pelos Goyazes, bem como por numerosos bandos de veados-campeiros. No final do século XVI os primeiros bandeirantes começaram a chegar em busca de ouro. Em decorrência, os índios foram exterminados assim como os veados-campeiros. Em contrapartida a terra herdou seus nomes: Goiás para o Estado e Chapada dos Veadeiros para a região. Neste período também teve início o povoamento de áreas remotas pelos escravos que fugiam das expedições europeias e fundavam quilombos. Devido à dificuldade de acesso, algumas destas comunidades quilombolas permaneceram praticamente intocadas até o século XX, conservando antigos costumes e modos tradicionais de existência.

Em 1912 foi descoberta a primeira grande jazida de cristal-de-rocha, dando início a um novo fluxo migratório que incrementou o povoamento da Vila de São Jorge. Levas de garimpeiros se aventuraram nestas terras em busca de fortuna, motivados pelo preço alcançado pelo mineral, já que existia uma grande demanda da indústria eletro-eletrônica por cristais de boa qualidade. Com o surgimento dos cristais sintéticos, a atividade mineradora entrou em declínio e a região só voltou a ser descoberta pelos idos da década de 70 do século passado, quando uma onda de misticismo fez acorrer outra leva de pessoas, desta vez em busca de revelações espirituais. Segundo eles, a geografia do lugar faz com que esta seja uma região especial do planeta, onde as energias fluem de forma intensa.

Por fim, mais recentemente, a Chapada começou a atrair o interesse do Ecoturismo e do turismo de aventura, graças a suas belas e fascinantes paisagens.

Na trilha


A partir da próxima semana estaremos publicando posts exclusivos contando cada passo desta aventura. Não perca!

Já saiu o primeiro post: Salto do Raizama e Vale da Lua na Chapada dos Veadeiros - Alto Paraíso - GO