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Largo das Forras em Tiradentes - MG |
Quando Tiradentes era
Alferes do Exército Colonial Português, a pequena cidade que hoje
leva seu nome era conhecida como Vila de São José del Rei e famosa
pela mineração de ouro na superfície. A abundância de ouro trouxe
a prosperidade e o desenvolvimento, mas sua escassez acabou por
desencadear o processo que acabaria por converter o alferes em réu,
mártir e, em 1889, com a ascensão da República, herói brasileiro.
Por mais de um século
a cidade ficou esquecida, como se o tempo tivesse decido poupar as
igrejas, as ruas de pedra e o casario da ruína, tornando-os
testemunhas silenciosas do passado. Redescoberta há alguns anos,
passou por um processo de revitalização que soube manter suas
características originais. Tiradentes está tão bem preservada que
é quase uma cidade cenográfica, tendo servido de locação para
algumas produções de época tanto do cinema quanto da televisão.
Atualmente é um polo
turístico singular e muito concorrido. Por um lado, recebe os
visitantes com seu ar bucólico de cidadezinha mineira. Por outro, é
palco de grandes eventos em diversas áreas (gastronomia, cinema,
fotografia e motociclismo!) e oferece uma ampla e moderna
infraestrutura para receber os milhares de turistas que a visitam
todos os anos. E ai vai a primeira dica: para curtir a cidade com
calma, fuja do final de semana. De segunda a sexta pode-se apreciar
Tiradentes com a calma que a cidade merece.
Basta uma volta pelo
Largo das Forras para perceber que é bom mesmo ir com calma, pois as
ruas principais possuem calçamento tipo pé-de-mole ou de pedras
viúvas (aquelas que não “casam” entre si). Em outras palavras,
a próxima dica é calçar um sapato confortável para facilitar
as andanças. Mas se caminhar não é o seu forte, tudo bem. Há
charretes que levam os passageiros seguindo um roteiro que abrange os
pontos principais e com direito a explanação do guia/cocheiro.
Igrejas
A religiosidade
marcante do séc. XVIII está presente em todas os recantos, seja nos
templos, nas estações da via sacra ou nas pequenas cruzes decoradas
que dão um toque todo especial às casas de Tiradentes. No período
em que estivemos na cidade, apenas três igrejas estavam abertas a
visitação:
- A Igreja Matriz de Santo Antônio: construção imponente que se destaca na paisagem, sendo visível do alto da Serra São José. A visitação é cobrada, mas podemos garantir que visitar seu interior vale o valor do ingresso. Por motivos de segurança, não é permitido tirar fotos. De acordo com alguns moradores, este é o segundo templo no Brasil em quantidade e ouro, informação amplamente contestada pelos moradores de Ouro Preto!
- Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: enquanto a Matriz destinava-se as classes mais abastadas, outras igrejas atendiam aos setores menos favorecidos da população, inclusive aos escravos. É o caso desta igreja. De uma singeleza comovente, conta a tradição que ela foi construída por escravos africanos em suas poucas horas de folga. Internamente apresenta o altar mor finamente decorado e apenas dois pequenos altares laterais. As pinturas do teto são um atrativo a parte. O curioso com relação a este templo é que ele está localizado de frente para a cadeia. Contam os antigos que este arranjo visava facilitar a vigilância dos negros pela guarda ali aquartelada.
- Igreja da Santíssima Trindade: foi a primeira a ser construída, mas está em pleno uso até hoje. Na parte posterior encontra-se uma ampla área ajardinada, salas destinada ao atendimento da população e uma loja de artigos religiosos.
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Igreja Matriz de Santo Antônio |
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Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos |
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Igreja da Santíssima Trindade |
Chafariz de São José
Está situado na parte
baixa da cidade e sua construção é datada de 1749. Destinado a
abastecer o povoado, divide-se em três partes principais: carrancas
e tanque para coleta de água, área para lavagem de roupa e cocho
para dar de beber aos animais. A tubulação responsável pelo
fornecimento de água foi escavada na pedra pelos escravos e o ponto
de coleta se situa no bosque atrás da edificação, o qual está
aberto para visitação até as 16h00. Não deixe de examinar
atentamente a tubulação para identificar as escavações feitas
pelos escravos para capturar o ouro que descia da serra junto com a
água.
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O Chafariz em ação! |
Poço dos Escravos
Localizado na parte
alta, num beco atrás da rua ????, foi escavado pelos escravos que
trabalhavam na construção da Igreja Matriz para evitar o trabalho
de ir e vir até o Chafariz de São José.
Passagens não tão
secretas
E por falar em becos,
aqui vai outra dica: fique atento aos caminhos secundários que
cortam as ruas principais de Tiradentes. Estas vielas, ou becos, eram
destinadas aos escravos em seus deslocamentos a serviço dos patrões
e hoje facilitam a vida dos moradores locais. Além de cortar
caminho, é possível descobrir recantos aprazíveis e pedaços da
história da cidade.
Artesanato
Opções não faltam e
é possível encontrar antiquários e lojas de artesanato por toda
parte. Seguindo a tradição do século XVIII, o comércio apresenta
maior concentração de lojas na rua Direita, mas também há lojas
na rua da Cadeia e no Largo das Forras. Se os preços estiverem um
pouco salgados, a dica é ir direto à fonte, no caso o Distrito de
Bichinho. Fica a uns 6km de Tiradentes e lá se concentram os ateliês
dos artesãos. A região é conhecida especialmente pelos trabalhos
em estanho e móveis rústicos feitos com madeira de demolição.
Em frente ao Chafariz
de São José encontramos algo realmente diferente. Um artesão local
que confecciona miniaturas do casario reciclando garrafas pet. O
resultado final é muito bom. Além de serem ecologicamente corretas,
as miniaturas são extremamente resistentes e sobrevivem a qualquer
viagem.
Restaurantes
Considerando que
Tiradentes é um polo gastronômico em franca expansão fica fácil
entender a presença de tantos restaurantes com cozinha internacional
e pratos pra lá de sofisticados. Contudo, em nossa modesta opinião,
estando em Minas nada melhor que aproveitar para provar a verdadeira
comida mineira, certo? Além disso, depois de explorar cada canto da
cidade o corpo pede algo que dê sustança (como se diz por
aqui). E foi assim que encontramos uma opção familiar, com mesinhas
na rua e o verdadeiro sabor do fogão a lenha. Fica no mesmo largo da
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Trilhas e Trilhos
Ecoturismo está em
alta por aqui e as agências montaram roteiros diversificados para
atender aos diversos tipos de turistas que visitam a cidade.
Os mais aventureiros (e
bem preparados fisicamente) podem fazer uma das trilhas que cortam a
Serra de São José. O caminho é íngreme e nem sempre bem
demarcado, por isso vá sempre com um guia experiente.
Também há city tour,
visita a cavernas e cachoeiras, além da possibilidade de fazer seu
próprio roteiro alugando bicicletas ou quadriciclos.
E por último, mas não
menos importante, o passeio de Maria Fumaça Tiradentes x São João
Del Rei. Existe a opção de comprar apenas a passagem de ida, uma
vez que a ligação entre as duas cidades é feita por ônibus
regulares. Como a Maria Fumaça faz apenas duas viagens por dia esta
é uma forma do visitante ter mais tempo para aproveitar a visita. Se
for utilizar a linha de ônibus Presidente, procure pegar a condução
na Rodoviária, pois alguns motoristas tem o péssimo hábito de
ignorar as pessoas que esperam nas paradas ao longo do trajeto.
Como chegar
Vindo de avião ou
ônibus, é preciso ir a São João Del Rei que fica a uns 17km de
Tiradentes.
De carro
Vindo de Belo
Horizonte: BR-040 (até Congonhas) e BR-383 (direção a São João
del Rei);
Vindo do Rio de
Janeiro: BR-040 (até Barbacena) e BR-265 (direção a São João del
Rei);
Vindo de São Paulo:
BR-381 (até Lavras) e BR-265.
De ônibus
- Saindo de São Paulo: Expresso Gardênia – http://www.expressogardenia.com.br/;
- Saindo do Rio de Janeiro: Expresso Paraibuna – http://www.paraibunatransportes.com.br/novosite/index.php?centro=home.php;
- Saindo de Belo Horizonte: Viação Sandra – http://www.viacaosandra.com.br/site/.
- Linha São João del Rei x Tiradentes: ao chegar em São João Del Rei informe-se na Rodoviária sobre os horários de saída para Tiradentes. A empresa responsável é a Viação Presidente.
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