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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Trilha do Alto da Ventania : em busca da Golden Hour - Petrópolis - RJ

Além de bons gastadores de sola, somos apaixonados por fotografia! Via de regra em nossas caminhadas nos deparamos com paisagens tão belas e surpreendentes que seria uma pena desperdiçar a oportunidade de registrá-las, tanto como forma de manter uma lembrança do momento, quanto para poder compartilhar com nossos leitores aqui no blog.

Entretanto ...

Quem já voltou com fotos chochas e sem graça de uma viagem sabe que uma coisa é a paisagem a nossa frente e outra, bem mais complicada, é o seu registro fotográfico. Por isso, conscientes da importância do aprimoramento nesta área, nos dias 28 e 29 de janeiro participamos do Workshop de Fotografia de Montanha ministrado pelo Professor Waldyr Neto. Além de fotógrafo especializado neste tipo de trabalho, Waldyr é autor de vários livros sobre o tema e também responsável pelo blog Magia da Montanha, o qual reúne artigos muito úteis quando o assunto é montanha, trilha e fotografia.

Golden Hour


Um dos tópicos discutidos durante o curso foi a variação das condições de iluminação natural no decorrer do dia e em especial a ocorrência do que se convencionou chamar de Golden Hour ou Hora Mágica.

Por definição, Golden Hour é um período de tempo que ocorre duas vezes ao dia, sendo a primeira hora depois do nascer do Sol e a última hora antes do pôr-do-Sol. Não é uma regra definitiva, uma vez que estes intervalos variam de acordo com o local que está sendo fotografado, clima, altitude e pela estação do ano. O importante é saber que nestes momentos as características da luz natural oferecem as melhores condições para o registro de paisagens, principalmente em montanhas.

Isso pode ser explicado pela posição do Sol, posicionado próximo à linha do horizonte, produzindo uma luz quente, mas ao mesmo tempo suave e difusa. Com esse tipo de luz é possível captar melhor a textura do ambiente e criar jogos de luz e sombra que valorizam o volume dos objetos.

Dito assim parece simples, só que na prática conseguir o resultado ideal pode ser um pouco mais complicado do que se gostaria. Não por outra razão estava previsto um exercício prático, que consistiu em realizar uma trilha noturna até o Alto da Ventania, onde os participantes puderam fotografar o nascer do sol tendo a serra como pano de fundo.

Alto da Ventania


A Pedra da Ventania, ou Alto da Ventania como também é conhecida, esta localizada na Serra da Estrela e é considerada a 48ª montanha mais alta de Petrópolis. Foi escolhida para a realização do exercício por apresentar um cume amplo, com muitas lajes de pedra e uma linda vista para o maciço oeste da Serra dos Órgãos, com excelente visada para o ponto onde despontaria o Sol.

No dia em que saímos em busca da Hora Mágica o alvorecer estava previsto para às 06h15min, de modo que tivemos que deixar a pousada onde nos encontrávamos por volta das 03h30min para um deslocamento de carro que durou em torno de meia hora.

O grupo era constituído por aproximadamente 10 alunos, o instrutor e um guia acompanhante. Além do equipamento de trilha, todos levavam sua tralha de fotografia, a qual era constituída basicamente de câmara, tripé e conjuntos de lentes / filtros - um peso adicional considerável, mas indispensável para a ocasião.

A trilha fica dentro dos limites do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, entretanto o acesso a ela é feito a partir da zona rural da cidade, no bairro do Caxambú. Como não há placas indicativas ou portaria, para achar o ponto inicial, principalmente no escuro, é preciso conhecer bem o local. Felizmente guia e professor estavam bastante familiarizados com a região e não tiveram dificuldade em indicar a passagem.

Torres de alta tensão servem como ponto de referência.

Uma curiosidade: depois de quase ser arrastado pelo vento na Pedra do Sino, me preparei para o pior ao trilhar num lugar que tem Ventania no nome!! Levei casaco e anorac que nem saíram da mochila, pois o clima estava agradável e soprava apenas uma leve brisa ...

Ficha técnica
Extensão:em torno de 3.500 m
Localização:Petrópolis - RJ
Saída:A partir de uma servidão no bairro Caxambu
Altura máxima:1.560 m acima do nível do mar.

A marcha em si é tranquila. Há um caminho bem demarcado no solo e estacas sinalizadoras indicativas da travessia Cobiçado x Ventania. Em caso de dúvida basta seguir os cabos de alta tensão que atravessam a elevação.

Para ver o track log da subida realizada no dia 24 de novembro de 2018, clique aqui.

Turma inicia retorno a base, após término da golden hour no topo do Ventania.

Poucos metros após o início há um riacho que pode ser transposto com facilidade, utilizando para isso as pedras de seu leito. A seguir vem um trecho em ascensão contínua que vai praticamente até o topo, seguindo as curvas de nível da encosta.

Em dois pontos é preciso ultrapassar barreiras colocadas ali para impedir a passagem do gado e motoqueiros. Tome cuidado, pois são estreitas e feitas com arame farpado.

Passagem das barreiras exige cuidado para não se ferir no arame farpado.

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, para padronizar as análises sobre trilhas, utilizamos a norma brasileira NBR 15505-2 - Turismo com atividades de caminhada - Parte 2: Classificação de percursos.

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2
Severidade do Meio:2 - Moderadamente severo
Orientação no Percurso:2 - Caminho ou sinalização que indica a continuidade
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:3 - Esforço significativo

Análise da classificação
  • Severidade do meio: a maior parte do trecho possui cobertura vegetal e é muito tranquilo. Entretanto, em alguns pontos a marcha é feita sobre pedras com abundante infiltração de água - combinação propícia para escorregões, torções e tombos;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é mínimo. Mesmo assim procure não se desviar da rota marcada para evitar acidentes;
  • Terreno: típico de montanha, com elevação significativa em mais da metade do percurso. Pode ser vencido com marcha regular, sem necessidade de escalaminhada;
  • Esforço físico: esteja preparado para uma subida constante em praticamente todo o percurso. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em nossa caminhada:

Subida
Início:04:05
Chegada:06:05
Retorno
Início:07:11
Chegada:08:35

A hora da verdade


Desta vez a trilha não era o objetivo principal, mas apenas um meio para estar no topo do Ventania na famosa Hora Mágica. Assim que atingimos o ponto previsto, cada um tratou de montar seu equipamento e dar início ao trabalho. Neste dia fomos brindados por um nascer do sol espetacular, com poucas nuvens no céu e alguma neblina entre as montanhas. O resultado pode ser conferido abaixo!

O tom amarelado, característico da golden hour.

As condições de luz mudam rapidamente, permitindo a obtenção de
diferentes efeitos em pouco espaço de tempo.

Foto do grupo, realizada pelo Prof. Waldyr Neto.

Nota: post atualizado em 28/11/2018 com as informações obtidas na trilha realizada entre os dias 24 e 25 de novembro de 2018.

terça-feira, 25 de março de 2014

A Encantada - Petrópolis - RJ

Santos Dumont possuia um gênio inventivo que se revelava até mesmo em detalhes de sua vida cotidiana. A idéia do relógio de pulso é dele, nascida da necessidade de manter as mãos livres enquanto pilotava seus balões.

A Encantada é hoje o Museu Casa de Santos Dumont.

Por isso, não é de estranhar que sua casa de campo em Petrópolis apresente tantas inovações e detalhes curiosos. A começar pelo terreno, pois a casa foi construída na encosta íngreme de um morro. Santos Dumont a projetou, mas a construção ficou a cargo do engenheiro Eduardo Pederneiras e foi concluída em 1918. Por ficar na rua do Encanto, foi batizada de A Encantada, nome que preserva até os dias atuais.

Para quem não sabe, o Pai da Aviação tinha estatura baixa e era franzino, o quê explica por certo as diminutas dimensões da casa. A impressão que se tem é que foi projetada de acordo com a estatura do dono, de modo a lhe oferecer mais conforto e praticidade.

Escada de acesso, com seu recorte característico.

Um dos itens que mais chamam a atenção dos visitantes é a escada de acesso, recortada de modo a evitar tropeços e que obriga a iniciar a subida sempre com o pé direito. Há quem acredite que há um quê de superstição neste arranjo, porém, considerando as dimensões da casa, parece mais um artifício prático para aproveitamento do pouco espaço disponível para construção.

A casa é pequena, mas com excelente aproveitamento dos espaços.

No seu interior, Santos Dumont usou o conceito de ambientes integrados - o qual só viria a se tornar comum na arquitetura muitos anos depois. Não há paredes divisórias na casa e os ambientes são definidos pela disposição dos móveis e das escadas. Aliás, a mobília é uma extensão da estrutura das paredes e projetada de modo a otimizar o espaço interno. A cama, por exemplo, é a parte de cima de uma cômoda com diversas gavetas. Outra curiosidade é o chuveiro com sistema de aquecimento à álcool. Um engenhoso sistema de roldanas permitia a dosagem da temperatura pela mistura das águas quente e fria. Quem já sentiu o friozinho da serra de Petrópolis sabe porquê Santos Dumont se deu ao trabalho de inventar isto!

Parte superior do telhado, com o observatório.

A casa conta ainda com um observatório no telhado e uma abertura que dá acesso direto ao ponto mais alto do terreno.

Por ocasião de sua morte em 1932 a casa permaneceu fechada por um bom tempo. Em 1936, a casa e seu conteúdo foram doados à Prefeitura de Petrópolis pelos familiares do inventor. O Museu Casa de Santos Dumont foi criado em 1956 e em 1992 uma reforma devolveu ao prédio seu aspecto original.

Museu Casa de Santos Dumont

Endereço: Rua do Encanto, 22 – Centro, Petrópolis, RJ
Visitação: terça a domingo de 9h30m às 17 h.
É cobrado ingresso. Crianças até 6 anos e maiores de 65 anos tem acesso livre.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Palácio de Cristal - Petrópolis - RJ

Considerado um dos pontos turísticos mais românticos da cidade, o Palácio de Cristal na verdade foi construído para funcionar como um quiosque de exposição e comercialização de frutas, flores e pássaros. A iniciativa é atribuída ao casal imperial Princesa Isabel e Conde D'Eu, que encomedaram a obra à fundição francesa Saint-Souver Lês Arras. Inaugurado em 1884, em 1888 serviu de palco para a cerimônia de alforria dos últimos escravos de Petrópolis.

Palácio de Cristal


Durante alguns anos serviu como sede para o Museu Histórico de Petrópolis, sendo que neste período foi completamente descaracterizado pelo fechamento de suas paredes com alvenaria. Em 1984, ano de seu centenário, uma reforma procurou reconstituir seu feitio original, mas utilizando vidro no lugar dos antigos cristais.



Vista interna do Palácio de Cristal.
Seu interior é basicamente vazio e o espaço é utilizado para exposições e eventos culturais. Fica localizado no interior de um parque ajardinado, compondo um cenário perfeito para belas fotografias.

A estrutura metálica é original, mas os cristais foram substituídos por vidro.

Palácio de Cristal

Endereço: Rua Alfredo Pachá, s/nº - Centro
Telefone: (24) 2247-3721.
Visitação guiada: terça a domingo, de 09h às 18h. Entrada franca.