sábado, 24 de setembro de 2016

Vamos gastar sola em Santa Teresa !!

O Gastando Sola Mundo Afora está completando 3 anos de caminhada e vamos comemorar com um passeio por Santa Teresa, o bairro mais charmoso do Rio de Janeiro.

Será no dia 08 de outubro e o blog está promovendo o sorteio de 20 participantes que irão desfrutar do evento gratuitamente. Para participar, basta se inscrever clicando aqui! Depois, leia as instruções e clique no botão QUERO PARTICIPAR.

Venha comemorar e se divertir com a gente! Vai ter distribuição de brindes, sorteios e até bolo.

E não esqueça de trazer sua câmera fotográfica, pois estaremos publicando as fotos enviadas pelos participantes em nossa página no Facebook.

Roteiro


A organização do roteiro ficou por conta da guia, amiga e parceira Ludmila Gottschalk, da agência Mila Turismo, que durante o trajeto irá contando as histórias de cada local visitado. O ponto de encontro será na sala Cecília Meirelles, na Lapa, e a saída está prevista paras as 10:00 com o seguinte itinerário:

  1. Sala Cecília Meirelles e entorno;
  2. Escadaria Selaron;
  3. Parque das Ruínas;
  4. Largo do Curvelo;
  5. Largo do Guimarães;
  6. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo 

Vai ter bolo!


Ao final do passeio haverá a distribuição de um kit montado com itens de escritório oferecidos pelo Hotel Regina e  marcadores de livro feitos com Vegplac, uma exclusividade da Kaapora Design.  Isso sem falar no sorteio de três pulseiras paracord e de um saco estanque para tablet.

E para encerrar com chave de ouro, vamos degustar os já famosos bolos da D. Renata, do blog Fornosura.

Kit oferecido pelo Hotel Regina inclui diversos itens de escritório.  

Pulseiras paracord, item indispensável em qualquer trilha ou viagem.

E aí, vai ficar fora dessa? Inscreva-se agora e concorra a uma das 20 vagas disponíveis. Contamos com sua presença!! Clique aqui para participar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Trilha da Pedra do Sino - Teresópolis - RJ

Embora já tivesse visitado o Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO em outras ocasiões, ainda não havia tido a oportunidade de realizar uma de suas famosas trilhas. Depois de algum tempo procurando alguém disposto a curtir esta aventura encontrei a guia Viviane Malafaia, que topou a empreitada apesar do calendário não estar a nosso favor.

A Pedra do Sino é um destino muito procurado por excursionistas

Acontece que a melhor época para realizar este tipo de trilha vai de junho a agosto, período com menor incidência de chuvas, e as datas que tínhamos disponíveis eram 03/04 ou 10/11 de setembro. Acabamos escolhendo a primeira opção para aumentar nossas chances de tempo bom. E deu certo!

Teresópolis vista do mirante do Abrigo 3

Para quem não sabe, o PARNASO fica em Teresópolis, região serrana do Estado do Rio de Janeiro e é considerado um dos melhores locais do Brasil para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada, rapel e outros. Possui a maior rede de trilhas do país, com mais de 200 quilômetros de extensão em todos os níveis de dificuldade: desde a trilha suspensa - acessível a cadeirantes - até a Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 Km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas.

Veja estas e outras imagens no álbum Trilha da Pedra do Sino, no Facebook, e no perfil @gastandosola no Instagram.

Sobre a trilha

É interessante lembrar que a trilha da Pedra do Sino é na verdade um dos trechos da travessia Petrópolis-Teresópolis. Para quem sai de Petrópolis, é a última parte da caminhada e tem a vantagem de ser descida até o final. Muitos trilheiros em fase de preparação costumam realizá-la como forma de treinamento, pois ela é considerada um bom termômetro para quem quer saber se tem condições de realizar todo o percurso da travessia.

Reta final para chegada no Abrigo 4

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, vamos utilizar a classificação apresentada pela guia Viviane Malafaia na etapa preparatória.

Ficha técnica
Extensão:11 km
Saída:Entrada da Barragem, a 1.100m acima do nível do mar
Altura máxima:2.275m acima do nível do mar
Desnível de subida:1.175m

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2, realizada pela guia Viviane Malafaia
Severidade do Meio:3 - Severo
Orientação no Percurso:3 - Exige a identificação de acidentes geográficos e de Pontos Cardeais
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:4 - Esforço intenso

Trocando em miúdos, não é uma trilha para principiantes ou sedentários e é bom estar preparado fisicamente para enfrentá-la.

Fazendo uma análise pessoal - e totalmente subjetiva - dos itens constantes da NBR 15505-2, diria o seguinte:

  • Severidade do meio: o local é habitat de diversas espécies peçonhentas, por isso é bom ficar atento. Além disso, não há pontos de abastecimento, é preciso levar consigo equipamentos e suprimentos suficientes para o tempo de permanência. Os pontos de captação de água estavam muito baixos, alguns secos. No Abrigo 4 é possível reabastecer, mas é altamente recomendável o uso de purificadores de água;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é pequeno, mas fique atento: marcas de erosão ou o trânsito de animais podem gerar a falsa impressão de desvios;
  • Terreno: bastante irregular em alguns trechos, mas não há necessidade de escalaminhada ou rapel. A trilha é basicamente um zig-zag que vai acompanhando as curvas de nível da montanha. A caminhada é feita sob o arboreto que margeia o caminho, proporcionando sombra, mas impedindo a visão da paisagem em boa parte do trecho;
  • Esforço físico: esteja preparado para percorrer 11km em ascensão constante com uma mochila cargueira nas costas. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em cada etapa de nossa caminhada:

Subida
Início:09:00
Abrigo 01:10:00
Cachoeira Véu de Noiva:10:20
Abrigo 03:12:55
Mirante do Abrigo 03:13:30
Abrigo 04:15:30
Total:06:30
Saída rumo ao cume:16:25
Chegada:16:55
Retorno
Início:08:30
Abrigo 03:09:45
Abrigo 02:10:40
Cachoeira do Papel:11:20
Véu de Noiva:12:15
Abrigo 1:12:25
Porteira:13:16
Total:05:00

Sobre o equipamento

Nestes casos a regra é simples: leve somente o indispensável, pois cada quilo extra será um peso morto a ser transportado - nas suas costas! - montanha acima.

Para esta trilha é considerado indispensável:

  • roupas para frio extremo: mesmo que esteja agradável no sopé, lembre-se que lá em cima faz muito frio;
  • capa de chuva ou similar;
  • botas pré-amaciadas;
  • saco de dormir;
  • isolante térmico;
  • água potável;
  • purificador de água;
  • suprimentos.


Acampamos nos fundos do Abrigo 4, em busca de tranquilidade

O item barraca não foi incluído na lista porque o parque oferece a opção de aluguel de uma ou hospedagem no Abrigo 4 nas modalidades beliche e bivaque. Para saber preços e condições consulte a Tabela de Preços clicando aqui. Por falar nisso, no Abrigo 4 há banheiros e cozinha para uso dos visitantes, sendo que a cozinha não pode ser utilizada pelos campistas.

Abrigo 4, com barracas de aluguel à direita

Sobre o grupo

Para esta empreitada reunimos três participantes, mais a guia. No total éramos quatro excursionistas bem animados - afinal bom humor é fundamental - e isso ajudou muito durante o trajeto, pois o esforço acabou se diluindo entre inúmeras conversas, observações de pássaros (dois eram biólogos) e algumas discussões sobre conservacionismo em unidades de proteção ambiental. E aqui fica outra dica muito importante: não se aventure sozinho! Embora as regras do parque não exijam o acompanhamento de um guia, a presença de um profissional habilitado é altamente recomendável.

Organizando o equipamento antes da subida

Por fim, cansados mas felizes, ao encerrar esta aventura rumamos para um bom restaurante para colocar a fome em dia. E agora, toca a planejar a Travessia Petrópolis x Teresópolis para 2017!!

Veja estas e outras imagens no álbum Trilha da Pedra do Sino, no Facebook, e no perfil @gastandosola no Instagram.

Fonte


MINISTÉRIO do Meio Ambiente. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Parque Nacional Serra dos Órgãos. Disponível em http://www.icmbio.gov.br/parnaserradosorgaos/. Acessado em 15 set. 2016.


Promoção de Aniversário!!

Venha gastar sola conosco!!
Em setembro o Gastando Sola Mundo Afora completa 03 anos de existência. E para comemorar no melhor estilo dos gastadores de sola fechamos uma parceria com a Agência Mila Turismo  - que é especialista em montar roteiros sensacionais - para realizar um tour no Morro de Santa Teresa, o bairro mais charmoso do Rio de Janeiro. Será uma caminhada entre amigos a ser efetuada no próximo dia 08 de outubro, onde os presentes irão desfrutar dos atrativos de Santa e participar do sorteio de diversos brindes úteis e divertidos.

A participação é gratuita, mas limitada a 20 vagas. Por isso estamos promovendo um sorteio entre os interessados e a condição para participar é curtir nossa página no Facebook. Para se inscrever no sorteio, clique aqui.


Venha Gastar Sola em Santa Teresa!
Quando: dia 08 de outubro
Onde: o ponto de encontro será na Sala Cecília Meirelles, no Centro do Rio
Horário: inicia às 10:00

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Gastando sola no Cosme Velho - Rio de Janeiro - RJ

Domingo foi dia de gastar sola seguindo os passos do Tour Bruxo, Pintor e Boticário, organizado por Mila Turismo e que reuniu um grupo bem animado e disposto a conhecer os segredos deste recanto tão pitoresco do Rio de Janeiro.

Um pouco de história


Cosme Velho é um antigo bairro da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, acessível pela continuação da Rua das Laranjeiras e situado aos pés do Corcovado, morro no qual mora uma das sete maravilhas do mundo moderno: o Cristo Redentor.

É um bairro onde as marcas do passado continuam presentes, embora, em alguns casos, em evidente estado de abandono. Foi endereço de artistas, escritores e compositores do naipe de Machado de Assis, Manuel Bandeira, Euclides da Cunha, Austregésilo de Athayde, Cecília Meireles, Cândido Portinari, entre outros. Também é um ponto turístico muito concorrido, pois nele se localiza a estação do Trem do Corcovado, cuja linha férrea foi inaugurada por D. Pedro II, que leva milhares de visitantes todos os anos para conhecer o Cristo Redentor.

A denominação é uma homenagem a Cosme Velho Pereira, comerciante português da antiga rua Direita, atual rua Primeiro de Março. que mantinha uma chácara na parte alta do vale do rio Carioca em meados do século XVI. Após sua morte, a chácara foi loteada e ali passaram a viver alguns nobres da corte. Com o passar do tempo e o crescimento urbano, o local perdeu suas características rurais e converteu-se numa área eminentemente residencial.

O Tour

Segundo a guia Ludmila, o passeio foi organizado com base em três personagens ilustres que habitaram a região em momentos diferentes, daí o nome Bruxo, Pintor e Boticário - os quais foram sendo revelados durante a caminhada.

O ponto de partida foi o Edifício Caetés, referência como conjunto habitacional planejado, cujo objetivo original era servir aos funcionários da Companhia Sul América.

O Bruxo

Depois, seguindo pela Rua das Laranjeiras, uma parada estratégica na Casa do Minho, onde fomos recepcionados pelo Sr. Paulo Martins, que fez questão de contar histórias e curiosidades sobre a divulgação da cultura minhota feita pelo clube no Rio de Janeiro.

Detalhe da decoração da escadaria da Casa do Minho

Seguindo em frente, mais adiante ficamos sabendo que o Bruxo era ninguém mais que Machado de Assis, ilustre morador do Cosme Velho. Entretanto, sua antiga casa não resistiu ao avanço imobiliário e hoje a única referência que se tem sobre sua localização é uma placa na parede de um edifício ...

A alcunha de Bruxo do Cosme Velho tem origem numa bela homenagem prestada por Carlos Drummond de Andrade no poema A um bruxo, com amor, no qual faz explícita referência à obra de Machado sem no entanto lhe citar o nome.

O Pintor

Por estas bandas passaram vários pintores, pois em certo período o bairro se converteu num ponto de concentração de artistas e intelectuais que se reuniam em sarais que varavam as madrugadas. Dentre todos, a referência ilustre é para a casa de Cândido Portinari, premiado pintor brasileiro reconhecido internacionalmente e que tem uma de suas obras - Guerra e Paz - instalada na sede da Organização das Nações Unidas - ONU, em Nova York. O casarão em estilo neoclássico está fechado há muitos anos e se mantém de pé, embora em precário estado de conservação. Uma lástima para a memória e a história brasileira.

Residência de Cândido Portinari

Veja estas e outras imagens no álbum Gastando Sola pelo Cosme Velho em nossa página no Facebook.

E por falar em memória é bom lembrar da Bica da Rainha, um recanto bem preservado que tem origem no início do século XIX e é fonte de muitas estórias que o povo conta. Oficialmente a bica foi construída para canalizar as águas ferrosas de uma fonte a qual se atribuíam propriedades terapêuticas. Nela vinham beber D. Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, acompanhada por D. Maria, a Louca, e seu séquito de damas da Corte.

Hoje seca, a bica é fonte de estórias que o povo conta

D. Maria era conhecida como A Louca não por acaso e, contam, acompanhava a Nora sem ter muita noção do quê estava se passando. Ao chegar à fonte costumava dizer coisas do tipo:

- Porque andar tanto para beber se tem água no Palácio?

E, também dizem, que expressão popular Maria vai com as outras tem origem justamente nestas visitas à fonte, quando D. Maria ia junto sem saber bem o porquê!

O Boticário

Como muitos já devem ter percebido, a terceira e última parte do tour diz respeito ao Largo do Boticário, outro recanto da história brasileira condenado ao abandono. Em dezembro de 2013 o Gastando Sola esteve por lá e fez uma matéria falando sobre isso (clique aqui para ver). Infelizmente de lá para cá o tempo só fez aumentar os sinais de deterioração.

Detalhe de um dos casarões

O boticário ao qual se refere o nome do largo diz respeito à Joaquim Luís da Silva Souto, fornecedor da Casa Real, que ali mandou construir sua residência por volta de 1831. Após ser um ponto de encontro da intelectualidade carioca, o local entrou em decadência e hoje seus casarões encontram-se em petição de miséria.

Mas nem tudo são más notícias. Nesta última etapa do roteiro estão dois pontos turísticos que valem a pena conhecer: O terminal do Trem do Corcovado e o Museu Internacional de Arte Naif - MIAN.

O MIAN é um museu privado, fruto da obra de Lucien Finkelstein que reuniu um acervo com mais de 6.000 obras representativa desta forma de expressão artística. O termo naif pode ser traduzido como ingênuo e designa uma forma de pintura na qual a representação da realidade se dá de forma livre pelo artista. Noções de perspectiva e proporção, por exemplo, são intencionalmente ignoradas para gerar um efeito de espontaneidade. O prédio foi inteiramente reformado e conta com um bistrô com mesas ao ar livre.

Referências


WIKIPÉDIA. Cosme Velho. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Cosme_Velho. Acessado em 12 set. 2016.


Promoção de Aniversário!!

Venha gastar sola conosco!!
Em setembro o Gastando Sola Mundo Afora completa 03 anos de existência. E para comemorar no melhor estilo dos gastadores de sola fechamos uma parceria com a Agência Mila Turismo  - que é especialista em montar roteiros sensacionais - para realizar um tour no Morro de Santa Teresa, o bairro mais charmoso do Rio de Janeiro. Será uma caminhada entre amigos a ser efetuada no próximo dia 08 de outubro, onde os presentes irão desfrutar dos atrativos de Santa e participar do sorteio de diversos brindes úteis e divertidos.

A participação é gratuita, mas limitada a 20 vagas. Por isso estamos promovendo um sorteio entre os interessados e a condição para participar é curtir nossa página no Facebook. Para se inscrever no sorteio, clique aqui.


Venha Gastar Sola em Santa Teresa!
Quando: dia 08 de outubro
Onde: o ponto de encontro será na Sala Cecília Meirelles, no Centro do Rio
Horário: inicia às 10:00

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Gastando Sola faz três anos de estrada - venha comemorar caminhando conosco!!

Em setembro o Gastando Sola Mundo Afora completa 03 anos de existência. E para comemorar no melhor estilo dos gastadores de sola fechamos uma parceria com a Agência Mila Turismo  - que é especialista em montar roteiros sensacionais - para realizar um tour no Morro de Santa Teresa, o bairro mais charmoso do Rio de Janeiro. Será uma caminhada entre amigos a ser efetuada no próximo dia 08 de outubro, onde os presentes irão desfrutar dos atrativos de Santa e participar do sorteio de diversos brindes úteis e divertidos.

A participação é gratuita, mas limitada a 20 vagas. Por isso estamos promovendo um sorteio entre os interessados e a condição para participar é curtir nossa página no Facebook. Para se inscrever no sorteio, clique aqui.



Venha Gastar Sola em Santa Teresa!


Quando: dia 08 de outubro
Onde: o ponto de encontro será na Sala Cecília Meirelles, no Centro do Rio

Roteiro:
  • Escadaria Selaron;
  • Convento de Sta Teresa (caso esteja fechado, visitação externa);
  • Parque das Ruínas;
  • Museu Chácara do Céu;
  • Largo do Curvelo;
  • Largo dos Guimarães;
  • Museu do bonde;
  • Museu Benjamim Constant.

Recomendamos o uso de calçados confortáveis, de preferência tênis.

Não esqueça de trazer sua câmera fotográfica e depois enviar suas fotos para participar da nossa galeria virtual!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

De volta à Terra da Seresta - Conservatória - RJ

Estivemos em Conservatória pela primeira vez em 2013 e ficamos encantados com a atmosfera interiorana deste pequeno distrito de Valença. Nessa ocasião, ainda pudemos acompanhar um grupo de seresteiros que saiu em caminhada noite adentro tocando, cantando, se divertindo e fazendo a alegria de todos que se reuniam a eles atendendo ao convite irrecusável das violas.

Antiga estação ferroviária, hoje rodoviária de Conservatória

Aproveitando o evento Encontro Conservatória, promovido pelo Projeto Fotografando Pelo Rio. voltamos à Terra da Seresta nos dias 30 e 31 de julho deste ano. O lugar em si até não mudou muito, mas ficamos com a impressão que o sucesso e a fama acarretaram um fluxo excessivo de turistas para um lugar que já não comporta mais tanta gente. Nas duas ruas principais do centro as residências foram convertidas em pontos de comércio e por vezes fica até difícil caminhar por ali devido ao aglomerado de pessoas.

O que não significa que Conservatória perdeu seus encantos. Sabendo olhar, percebe-se que o estilo de vida rural ainda está presente no dia-a-dia de muitos de seus moradores. Hábitos há muito esquecidos nas grandes cidades, como sentar na calçada para apreciar o movimento, chamar pelo nome seus vizinhos ou dar aquele dedo de prosa com os passantes, continuam ativos por aqui.

Apesar do crescimento, ainda há espaço para um dedo de prosa

Outro ponto que continua a chamar a atenção é a arquitetura, principalmente no que diz respeito as famosas janelas de Conservatória. Estes adornos ricamente elaborados já foram sinal de prosperidade de seus proprietários e dificilmente podem ser encontrados em outro local. Para quem curte, é um prato cheio.

As janelas são um bom motivo para visitar a região

E por falar em obras de arte em madeira, é aqui em Conservatória que a artista Cristina Painhas mantém seu ateliê Arte em Oratórios. Das mãos mágicas de Cristina saem capelinhas, presépios e oratórios que chamam a atenção tanto pela beleza quanto pela singelesa das cores e formas. São itens totalmente artesanais e exclusivos, coisa rara de se encontrar nestes tempos de artesanato feito em série.

E se depois de gastar sola curtindo as belezas da cidadezinha bater aquela fome recomendamos o Restaurante Boemia, onde D. Tânia e família oferecem um buffet de comida caseira temperada com muita simpatia.

Confira estas e outras imagens nos perfis do GSMA nas redes sociais:
Facebook: álbum Gastando Sola na Terra da Seresta;
Instagram: utilize a hashtag #gsmaconservatoria.
A seguir separamos algumas das principais atrações oferecidas aos visitantes em Conservatória.

Cachoeira da Índia


Apesar de ser um dos pontos turísticos mais visitados de Conservatória, poucos sabem que a misteriosa figura que dá nome ao local tem nome e se chama Araris. Depois da primeira viagem nossa equipe foi atrás desta história e contou tudo num post exclusivo sobre ela (leia clicando aqui!).

Araris, a bela e enigmática figura que todos conhecem por Índia da Cachoeira

A estátua fica no Balneário Municipal João Raposo, distante uns dois quilômetros do centro de Conservatória. O entorno foi revitalizado e agora conta com um quiosque que oferece bebidas geladas e refeições - comida mineira feita em fogão à lenha.

Balneário conta com boa infraestrutura

Quem gosta de caminhar pode ir a pé, pois o caminho é bem tranquilo e não há como se perder. E aqueles que preferirem ir de carro poderão estacionar sem custo dentro do balneário.

Cachaçaria Vilarejo


E por falar em cachoeira, bem pertinho dali há uma outra atração que certamente vai interessar os que preferem a água que passarinho não bebe: a Cachaçaria Vilarejo.

 Além da marvada propriamente dita o visitante pode degustar várias outras especialidades da casa, como licores e rapaduras, por exemplo. A loja é bem organizada e os atendentes atenciosos.


Tonéis onde a cachaça é envelhecida

A adega onde é envelhecida a cachaça, muito boa por sinal, também é aberta a visitação. Entretanto não é recomendável para quem sofre de alergias devido a alta umidade do local.

O Túnel Que Chora


Segundo contam os antigos, em tempos idos a água vertia em tal quantidade que alagava a passagem. Hoje em dia um fraco gotejamento forma algumas poças pelo chão. O interessante é que isso parece não incomodar os visitantes que se divertem em cruzar o túnel de um lado ao outro.

O túnel foi escavado por escravos

Ao visitar esta atração fique atento! Embora seja uma atividade para pedestres o fluxo de veículos é grande e há pouco espaço no interior do túnel.

Serra da Beleza


Fica um pouco distante do centro e é preciso ir de carro até o mirante localizado nas margens da rodovia, mas podemos garantir que vale a pena a viagem. A serra por si só justifica seu nome e a fama de seu por de sol não fica atrás. Diariamente diversos espectadores se reúnem para apreciar esse belo espetáculo da natureza.

Pôr do sol na Serra da Beleza, uma atração que vale a pena

E se você é daqueles que acredita que a verdade está lá fora talvez seja o caso de estender um pouco mais a visita. A Serra da Beleza também é internacionalmente conhecida por ser um ponto de avistamento de OVNI´s.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Trilha Salcantay - 4º dia - seguindo os passos de antigos peregrinos - Salcantay -Peru

Este post é uma continuação de Trilha Salcantay - 3º dia - vamos a La Playa!

A terceira noite esteve longe de ser agradável, pois passei boa parte do tempo tentando dormir, apesar da música muito alta e gente berrando ao lado da minha barraca. Por isso, na manhã seguinte, um pouco irritado, fui ter com o guia para relatar meu desconforto com a situação.

Acampado junto aos vizinhos barulhentos

Christian, o guia, ficou um pouco sem jeito e disse que não esperava que a festa fosse até tão tarde. E que a responsabilidade, na verdade, era do guia que acompanhava o grupo de baderneiros.

- Certamente! - respondi. Mas porque ele não tomou uma atitude?

- Porque ele também estava bêbado, Sr. Paulo ... retrucou Christian um tanto envergonhado.

Depois dessa instrutiva conversa fomos ao café. Nossa mesa era ao lado da cozinha onde Alejandro, o cozinheiro, preparava a refeição ouvindo rádio. Era possível escutar uma melodia tipicamente andina, acompanhada por alguém que cantava em quéchua. Christian explicou que se tratava de Huayno, um estilo de música regional que está ganhando cada vez mais adeptos no Peru graças a valorização da cultura inca tradicional. Segundo ele os grupos Huaynos Antiguos, Los Campesinos e Los Boemios são os melhores no momento. Fica a dica.

Voando alto


Conforme havíamos combinado na noite anterior, o transporte da Vertikal - empresa que opera a tirolesa - estava a postos aguardando os corajosos que haviam topado o desafio. Apenas umas quatro pessoas não aderiram e seguiram a pé até a hidroelétrica, ponto de partida para a última etapa da Trilha Salcantay.

Embarcamos no ônibus e ficamos aguardando até que los festeros chegassem. Como a farra fora até muito tarde ontem a maioria estava de ressaca e um tanto lerda. Saímos às 08:00 e em 15 min chegamos ao local.

A atividade iniciou com a colocação do equipamento de segurança: capacete, luvas de couro e cinto de segurança. O custo foi de S/100,00 mais uma taxa de S/ 30,00 para as fotografias feitas pela própria equipe durante o desenrolar do passeio. O percurso completo possui mais de 3 km de extensão divididos em 4 linhas e uma ponte suspensa. Numa das etapas é possível realizar o percurso de ponta cabeça e noutra deitado, o chamado estilo condor.

Para o alto e avante!

Após uma breve explanação sobre o funcionamento dos equipamentos e dicas básicas de segurança, fomos até o ponto inicial. Para começar, uma linha de um quilômetro a uns 250 m de altura! Confesso que parado a beira daquele abismo hesitei por alguns momentos, mas depois que decidi me lançar e a adrenalina entrou no sangue a vontade era de voar cada vez mais alto.

Membro da quipe de apoio resgata um praticante que parou no meio do caminho

Outro ponto alto foi a travessia da famosa Ponte Inca, uma estrutura de tábuas bem espaçadas suspensa entre duas colinas que é tudo, menos estável - cada passo é um frio na barriga. Boa parte da diversão consiste em segurar nos cabos de aço e balançar um pouco para ver os colegas tentarem se equilibrar!!! E esteja preparado por que alguém mais vai ter esta mesma ideia ...

A hidroelétrica


Por volta das 10:30 encerramos a visita à Vertikal e embarcamos no ônibus que nos levou até o ponto de partida para a última etapa da Trilha Salcantay.

Às 11:30 desembarcamos na localidade conhecida como Hidroelétrica, assim conhecida devido a proximidade com as instalações da geradora de energia, mas que na verdade é a estação final do trem que vai até Águas Calientes.

Estação Hidroelétrica

O leito dessa ferrovia segue sobre um caminho construído pelos incas que conectava Cuzco a vários centros cerimoniais, inclusive Machu Picchu, e era muito utilizado pelos antigos habitantes em suas peregrinações religiosas. Em 1916 esse caminho foi completamente destruído, com a remoção das pedras do calçamento original para dar passagem aos trilhos. Felizmente alguns sítios arqueológicos mais afastados não foram tão duramente afetados e permanecem de pé, como marcos desta ancestral rota de peregrinação. Assim, passamos por um antigo local de culto ainda bem conservado, com a Intiwatana, fonte de água para os ritos, nichos para múmias e uma área para depósito de oferendas. Intiwatana, para quem não sabe, é o local onde se amarra o Sol, ou seja, o altar do deus Inti.

Intiwatana do centro cerimonial próximo à hidroelétrica

A distância da estação à Àguas Calientes é de aproximadamente 10 km e a caminhada é feita seguindo os trilhos da ferrovia. Há também uma estação naquela cidade, mas o custo da passagem é proibitivo para boa parte dos peruanos e mochileiros em geral. Por esta razão, no lugar dos peregrinos originais, atualmente este caminho é utilizado por um expressivo número de turistas que utilizam o trem que sai da hidroelétrica em busca de uma tarifa mais acessível. Inclusive há serviços regulares de vans que fazem o roteiro Cuzco x Hidroelétrica x Cuzco de olho neste nicho de mercado.

Durante o trajeto cruzamos por vários grupos que voltavam da visita à Machu Picchu e a pergunta era sempre a mesma:

- Falta muito até a estação?

Caminhada é feita sobre o leito da ferrovia

A caminhada em si foi tranquila, sem alterações no caminho. A dificuldade ficou por conta da brita utilizada na manutenção da estrada de ferro, que cobre praticamente todo o percurso. É mais ou menos como caminhar sobre areia macia. No início não faz muita diferença, mas aos poucos o esforço extra exigido para manter o equilíbrio e a passada começam a fazer diferença. No meu caso, havia ainda um outro problema: como estava com o dedão machucado a instabilidade do terreno exigia que forçasse mais o pé, fazendo doer o ferimento.

Por ai não!


Já próximo a Águas Calientes paramos para descansar. Passado algum tempo - como estava me sentindo bem disposto - disse ao guia que iria na frente seguindo os trilhos. Christian concordou e ficou combinado que ele me alcançaria mais adiante no caminho.

Em determinado ponto passei por uma área de oficinas da ferrovia e, meio distraído, segui caminhando. Entretanto notei que um dos funcionários havia ficado olhando para mim com um ar meio estranho, mas não dei bola. Passado algum tempo escutei alguém chamando ao longe:

- Sr. Paulo! Por ai não Sr. Paulo!!

Olhei para trás e vi o guia correndo em minha direção.

- Sr. Paulo, não podemos seguir por este caminho. Mais adiante tem um túnel e é proibido passar a pé  por motivos de segurança.

Segundo Christian, depois de minha partida, ele havia ficado descansando por mais alguns minutos confiante que seria fácil me alcançar devido ao meu passo lento. Entretanto, quando retomou a marcha eu já havia sumido de vista (certamente devido a vontade de chegar no hotel e tirar as botinas!). No meio do caminho ele encontrou o tal funcionário que indicou por onde eu andava e se deu conta que eu continuara em frente, ao invés de tomar o desvio que contornava o túnel.

Felizmente o retorno até a encruzilhada da trilha não era muito distante e seguimos em frente por mais alguns minutos, quando então alcançamos Águas Calientes e demos por concluída a tão famosa Trilha Salcantay.


Este post é uma continuação de Trilha Salcantay - 3º dia - vamos a La Playa!

Veja os álbuns com as fotos de cada dia de trilha em nossa página no Facebook:
Trilha Salkantay - 1º dia de Mollepata a Soraypampa;
Trilha Salkantay - 2º dia de Soraypampa a Collpapampa;
Trilha Salkantay - 3º dia de Collpapampa a Santa Teresa;
Trilha Salkantay - 4º dia - Tirolesa e caminhada desde a hidrelétrica até Águas Calientes;
Trilha Salkantay - 5º dia - Visita à Machu Picchu.

Seguindo o modelo da viagem anterior, quando realizamos a Trilha Inca, iremos alternando entre fotos e relatos de modo a transmitir o mais fielmente possível as emoções desta jornada.

Acompanhe nossas publicações no Instagram através da hashtag #gsmasalcantay.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Trilha Salcantay - 3º dia - vamos a La Playa! - Salcantay - Peru

Este post é uma continuação de Trilha Salcantay - 2º dia - através da montanha
O acampamento em Collpapampa

Após uma boa noite de sono tudo pareceu bem melhor, inclusive o pé que havia machucado na véspera. Tratei de reforçar o curativo, acabando com o estoque de gaze que trazia para emergências como essa. Em seguida tomamos café e nos despedimos de José, o arrieiro, pois a partir daquele ponto o transporte do equipamento não precisaria mais ser feito a cavalo. Como é de praxe, junto com meus agradecimentos deixei uma boa gorjeta.

Saímos do acampamento em Collpapampa (2.800 m) às 06:15 rumo à localidade de Sahuayacu (1.800 m), mais conhecida como La Playa por ficar nas margens de um grande rio do qual não guardei o nome. O percurso do terceiro dia tem extensão aproximada de 10 km e é mais tranquilo que o dos dias anteriores. A temperatura é amena e as terras áridas e pedregosas dão lugar à floresta sub-tropical, alterando completamente a paisagem.

Pela floresta é mais divertido


Seguimos por uma estrada de chão até chegarmos ao rio Tottora, cujo leito acompanha o vale formado na junção de duas montanhas. A partir deste ponto há duas opções de trajeto. A primeira é continuar caminhando por la carretera (estrada) na encosta do monte localizado na margem direita. A segunda é seguir por uma trilha que corta a elevação situada na margem esquerda. Pela estrada o caminho é mais fácil, mas também mais monótono e empoeirado. Como bons aventureiros que somos optamos pela trilha e fomos adiante, protegidos pela sombra das árvores que ladeavam o caminho.

Ponto em que a trilha se divide entre a estrada e o caminho da encosta

Às 09:20 parada em Waynapocco para um lanche rápido. A área é bem organizada, com banheiros e uma tienda onde é possível comprar água mineral, isotônicos, biscoitos e outras guloseimas. Um burrico pastava por ali, a espera dos petiscos deixados pelos turistas.

Burrico é atração local

Ao contrário das áreas pelas quais havíamos passado nos dias anteriores, esta região é mais densamente povoada. Seus habitantes são, em sua maioria, pequenos agricultores que começam a descobrir as possibilidades oferecidas pelo aumento do turismo. Por isso, além das cascatas e da floresta, avistamos roçados e pontos de venda montados pelos locais em busca de uma renda extra. Foi num destes que paramos por volta das 11:35 na localidade de Pgllu. Era uma pequena tienda construída com as matérias primas disponíveis no local: madeira, palha e pedras. O estabelecimento é novo - fora inaugurado há apenas uma semana! Ao fundo o marido da senhora que atendia no balcão quebrava pedras com uma enorme marreta, certamente providenciando material de construção para ampliação do estabelecimento.

O caminho da encosta e suas paisagens

Sempre há tempo para um café


Chegamos a La Playa por volta das 13:00 para almoço no Camping Restaurant Canela. O lugar é bem organizado, com instalações confortáveis e cercado pela natureza. Há um pátio interno gramado onde as pessoas podem descansar e dar uma lagarteada ao sol. Aproveitando que havíamos chegado cedo, sentei e tirei as botinas para dar um alívio aos pés e ao pobre dedão magoado. Como o trajeto a pé estava encerrado, calçei as sandálias e fiquei mais a vontade.

Na parte da tarde havia a opção de seguir para as águas termais de ônibus e de lá para Santa Teresa (1.500 m), local do terceiro acampamento. Entretanto não estava minimamente disposto a compartilhar piscinas de água quente com um bando de desconhecidos. Por isso pedi ao guia que contratasse um transporte particular, dentre os vários disponíveis na entrada do camping. Pouco tempo depois Christian retornou, informando que havia conseguido alugar um carro com motorista por S/ 30,00 - o mesmo preço da passagem do ônibus!! O preço normal, segundo ele, oscila entre S/ 50,00 e S/ 60,00, mas ele encontrou um motorista novo e regateou até conseguir um bom preço. Pedir ao guia que fizesse a negociação foi estratégico, pois devido a minha cara de gringo os prestadores de serviço normalmente cobram pelo menos o dobro do valor regular.

As tigelas bebedouros

Enquanto aguardava o guia retornar fiquei observando os carregadores de outro grupo organizarem algumas bagagens no pátio central. Como de costume, após colocarem as mochilas agrupadas a espera de seus donos, deixaram três bacias com água para que os viajantes pudessem se refrescar quando chegassem. Entrementes dois cachorrinhos que andavam brincando por ali aproveitaram as bacias para matar a sede. Coisas que acontecem.

Depois do almoço fomos assistir a uma apresentação sobre a produção de café orgânico feita pelo Sr. Abel, um dos proprietários do estabelecimento. Cheio de disposição, ele nos levou aos fundos da propriedade, onde fica a plantação de café, e começou a colheita dos grãos, os quais ia depositando numa sacola. De acordo com ele há duas variedades plantadas: o cátimor e o arábico, sendo que o segundo produz bem numa altitude em torno de 2.000 m.

Uma vez colhidos, os grãos são descascados e, posteriormente, torrados. Neste dia foi utilizado o método tradicional, que consiste em colocar os grãos num recipiente de barro conhecido como Canalla e torrá-los lentamente em fogo de lenha. O interessante é que todos podem participar e aprender na prática como realizar o procedimento. Aliás, este foi um dos melhores momentos da visita. Uma vez torrado, basta moer e voilá, o café está pronto para ser consumido.

Torrando café na Canalla

Depois de tanto esforço é claro que acabei comprando dois pacotes para trazer ao Brasil. Diga-se de passagem que um já se foi e o sabor é o mesmo daquele que provei em terras peruanas.

Santa Teresa


O percurso de carro até Huadquña (o nome quéchua de Santa Teresa, 1.560 m) leva uns 40 minutos e é feito em uma estrada de chão batido em condições regulares de conservação. Fomos eu, o guia, o cozinheiro e todo o equipamento (barraca, tralhas de cozinha, etc.).  O carro até que não era dos piores, embora a suspensão já estivesse dando evidentes sinais de desgaste de tanto rodar naquela buraqueira.

Ficamos no Camping do Sr. Genaro, o qual é bem localizado e possui instalações melhores do que o de Collpapampa. Outra vantagem é que aqui o banho quente custava apenas S/ 5,00 e o banheiro tinha vidro nas janelas!!

Como chegamos cedo, Christian e eu aproveitamos para ir ao centro de Santa Teresa. Meu estoque de gaze havia acabado e era preciso trocar o curativo do dedão. Além disso, depois de passar três dias no meio do nada, estava curioso para conhecer o povoado. O interessante é que todos os prédios são novos. Conforme me contou o guia, a cidade original ficava um pouco mais abaixo e foi completamente destruída por ocasião de uma enchente há alguns anos, tendo sido totalmente reconstruída no local atual. Como ao lado da farmácia havia uma lan-house aproveitei para mandar uma mensagem para casa dizendo que estava vivo e bem (não falei sobre o acidente, claro). Paguei S/ 0,50 por quinze minutos de uso.

O centro de Santa Teresa

Retornamos ao acampamento para a janta. Nesta noite um representante da Vertical Zip Line veio apresentar a atração para os turistas ali acampados. Trata-se de uma tirolesa muito conhecida pelos amantes de esportes radicais. São mais de 3 km de extensão divididos em 5 linhas, cada uma com um estilo próprio.

Para participar é preciso se inscrever com antecedência, pois a empresa envia um ônibus para recolher os interessados. Depois, este mesmo ônibus leva os turistas até a hidrelétrica, de onde a trilha segue até Águas Calientes.

Durma-se com um barulho destes


O tempo estava bom e a temperatura agradável, por isso me preparei para dormir confiante que seria outra noite repousante. Ledo engano! Uma balada com música "aos berros" como se diz lá em casa não me deixou dormir sossegado. E para completar, um argentino bêbado, cuja barraca ficava próxima a minha, foi arrastado pelos colegas porque queria brigar com outro viajante e ficou por um longo tempo bradando bravatas e chamando o oponente de maricón.

No dia seguinte tive uma conversa séria a respeito desses incidentes com o guia, mas isto já é assunto para o próximo episódio da série!

(continua no próximo post)

Este post é uma continuação de Trilha Salcantay - 2º dia - através da montanha

Veja os álbuns com as fotos de cada dia de trilha em nossa página no Facebook:
Trilha Salkantay - 1º dia de Mollepata a Soraypampa;
Trilha Salkantay - 2º dia de Soraypampa a Collpapampa;
Trilha Salkantay - 3º dia de Collpapampa a Santa Teresa;
Trilha Salkantay - 4º dia - Tirolesa e caminhada desde a hidrelétrica até Águas Calientes;
Trilha Salkantay - 5º dia - Visita à Machu Picchu.

Seguindo o modelo da viagem anterior, quando realizamos a Trilha Inca, iremos alternando entre fotos e relatos de modo a transmitir o mais fielmente possível as emoções desta jornada.

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