sexta-feira, 29 de setembro de 2017

De São João Del Rey a Tiradentes de Maria Fumaça, um passeio a moda antiga - Tiradentes - MG

Sempre que faço um passeio de Maria Fumaça lembro de que quando era criança meu pai - que era ferroviário - contava que andar de trem era um acontecimento. As pessoas colocavam suas melhores roupas e se arrumavam para desfilar pelas estações. Só que, se queixava ele, as fagulhas da caldeira entravam pelas janelas, deixando marcas nos passageiros. Para todos que viveram naquela época talvez essa experiência fosse parecida com andar de avião pela primeira vez na vida nos dias de hoje.

O tempo passou e hoje o transporte de passageiros por trem caiu em desuso, as Maria Fumaça foram substituídas por possantes locomotivas a diesel e as rodoviárias não chegam nem perto do charme que ostentava uma estação ferroviária.

O glamour está de volta


Maria Fumaça em frente à Estação de São João Del Rey

É possível que o excesso de conforto e a pressa com que vivemos nas grandes cidades tenha acabado com as pequenas alegrias que animavam nossos antepassados. E talvez isso explique, pelo menos em parte, o enorme sucesso que as linhas de turismo ferroviário apresentam Brasil afora. Obviamente sou suspeito para falar, pois adoro trens, principalmente uma bela e resfolegante Maria Fumaça. Mas os números estão a meu favor: de acordo com uma reportagem publicada pelo Estado de Minas em abril deste ano, 135.000 pessoas visitaram o Museu Ferroviário de São João Del Rey e a operadora do passeio precisou colocar horários adicionais para atender a demanda provocada pelo feriado do Dia do Trabalho.

Para quem busca reviver as emoções dos tempos passados o passeio São João Del Rey - Tiradentes é um prato cheio por conseguir juntar várias atrações num único roteiro. A começar pela cidade de São João Del Rey, com sua arquitetura colonial e igrejas belíssimas, repletas de arte e história. Sendo que o tour começa na antiga estação, atualmente convertida num museu ferroviário. A dica é chegar com bastante antecedência, tanto para poder visitar o local com calma quanto para apreciar as manobras de acoplamento da locomotiva no pátio. Depois de encerradas as manobras, ela fica ali algum tempo soltando fumaça e vapor, fazendo pose para todos que quiserem registrar o momento para a posteridade.

Um dos vagões expostos no Museu Ferroviário de São João Del Rey

O trajeto possui uns 12km até a estação de Tiradentes, os quais são percorridos em 40 min., com folga. Tempo suficiente para apreciar o delicado trabalho de restauração realizado nos vagões. Tudo está como costumava ser nos tempos áureos da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM para os íntimos). Tem até vendedora de doces e bilheteiros caracterizados em trajes de época!

Pela janela se vê que o casario urbano em breve fica para trás e é substituído por uma bela paisagem rural. Ao contrário das rodovias que transformam o perímetro a sua volta, a estrada de ferro passa sem alterar significativamente o entorno, de modo que tudo concorre para cristalizar uma áurea de passado ao passeio.

Aproveite para curtir a paisagem rural

Vários detalhes de época estão presentes para reforçar o clima de "volta ao passado" e dar um toque nostálgico a atração. Desde a bilheteria ao uniforme dos encarregados, tudo é pensado para remeter o turista aos bons e velhos tempos em que a Maria Fumaça era mais que uma atração turística. Aliás, sempre é bom lembrar que esta linha foi inaugurada em 1881 pelo Imperador D. Pedro II em pessoa.

Uniforme dos funcionários remete aos trajes da época de ouro da ferrovia

E ao chegar à Tiradentes o visitante descobre que o passeio não acabou!

Primeiro, tire um tempinho para assistir a manobra da rotunda, um equipamento utilizado para reposicionar a locomotiva nos trilhos para que possa voltar à São João Del Rey.

A rotunda em ação

Depois, aproveite que a estação fica um pouco afastada do Centro Histórico da cidade para apreciar a tranquilidade interiorana numa breve caminhada até as principais atrações do local. Outra opção é utilizar os serviços de um dos muito charreteiros que aguardam os visitantes no entorno da estação.

Para saber o quê a cidade tem a oferecer, leia o post Tiradentes: parar no tempo não significa perder o trem da história.

Casario colonial bem preservado numa das ruas de Tiradentes
Veja mais imagens de Tiradentes em nosso perfil no Instagram clicando aqui!
Um detalhe importante: há pouca diferença de preço entre os valores cobrados para somente ida ou ida e volta. No fechamento desse post, uma passagem de São João Del Rey para Tiradentes ou vice-versa custava R$ 50,00, enquanto uma de ida e volta apenas R$ 60,00. Faça as contas e veja o que é melhor para o seu bolso!!

Informações sobre horários e tarifas podem ser obtidas diretamente no site da VLI (clique aqui), operadora da linha turística São João Del Rey - Tiradentes.

Fontes


ESTADO DE MINAS. Maria fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes terá horários especiais durante feriado. Disponível em https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/04/26/interna_gerais,865205/maria-fumaca-entre-sao-joao-del-rei-e-tiradentes-tera-horarios-especia.shtml. Acessado em 26 set. 2017.

VLI. Trem turístico : patrimônio integrado. Disponível em http://www.vli-logistica.com/pt-br/trem-turistico. Acessado em 25 set. 2017.


Blogs Participantes


Esse post integra a blogagem coletiva #viajardetrem, uma iniciativa do grupo Pequenos Grandes Viajantes, do qual o GSMA faz parte !! Todo mês seus membros elegem um tema sobre o qual os participantes expõem o seu ponto de vista.

Agora que você já sabe tudo sobre o passeio de trem em São João Del Rey, aproveite para conhecer outras alternativas disponíveis pelo mundo:
  1. Ligado em Viagem - Viagem de trem na Alemanha - Como comprar, andar e dicas - https://www.ligadoemviagem.com.br/2017/09/29/trem-alemanha/
  2. Vem que te Conto! - Viagem de trem do Vale Sagrado para Machu Picchu pela Inca Rail - http://vemqueteconto.com.br/2017/09/29/trem-machu-picchu-inca-rail
  3. AzWanderlust - Viajar de trem pela Europa: como comprar passagens baratas - http://azwanderlust.com/blog/viajar-de-trem-pela-europa/
  4. Viajonários - Dicas para viajar de trem pela Inglaterra - http://wp.me/p5MVZL-8dZ
  5. Espiando Pelo Mundo - Sobre trilhos mundo afora - http://espiandopelomundo.com.br/viajar-de-trem/
  6. Destinos por onde andei... - Minhas viagens de trem na Europa - http://wp.me/p7tope-29r
  7. Viajento - Suiça - Perguntas frequentes sobre viagens de trem pelo país http://viajento.com/2017/09/29/suica-perguntas-frequentes-sobre-viagens-de-trem-pelo-pais
  8. Cantinho de Ná - Como é viajar de trem pela Espanha https://cantinhodena.com.br/2017/09/como-e-viajar-de-trem-pela-espanha/
  9. Viajante Comum - De Ouro Preto a Mariana no trem da Vale http://www.viajantecomum.com/2017/09/29/de-ouro-preto-a-mariana-no-trem-da-vale/
  10. Apure Guria - Trens panorâmicos na Suíça e trajetos incríveis http://apureguria.com/europa/suica/trens-panoramicos-na-suica/

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Revisitando a Floresta da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Já faz algum tempo que o Rio de Janeiro vem sendo assolado por problemas de todos os tipos, como resultado da perigosa combinação de má gestão e corrupção que se instalaram no governo do Estado. No topo desta lista de agruras figura a violência urbana, com diversos relatos de assaltos não raro seguidos de agressões e até mortes - inclusive de turistas.

Insegurança, uma triste realidade


Devido a essa situação calamitosa, lugares até então muito utilizados pelos amantes dos esportes outdoor tornaram-se verdadeiras armadilhas, pois o isolamento e a falta de comunicação dos pontos mais distantes são perfeitos para as emboscadas montadas pelos assaltantes.

Não faz muito tempo a Floresta da Tijuca andou aparecendo nas manchetes justamente devido a ação de grupos de meliantes que estavam praticando assaltos em suas trilhas, até mesmo no Parque Nacional da Tijuca - PNT, que é administrado pela União.

Por isso resolvemos realizar uma visita no local para ter uma noção de como andam as coisas por lá e, felizmente, tudo andou bem.

Muitas famílias aproveitavam o local para curtir a natureza.

Estivemos no PNT no domingo do feriadão da Independência, um belo dia de sol diga-se de passagem. O parque não estava propriamente lotado, mas havia um expressivo número de visitantes.

As áreas de circulação, bem como os estacionamentos, praças e recantos para piquenique estavam organizados e limpos. Além disso, encontramos diversos guarda-parques circulando pelo local.

Devido ao tempo relativamente curto de que dispúnhamos, optamos por realizar uma trilha não muito longa, que leva da área da Capela Mayrink até o Alto da Bandeira, a qual foi percorrida sem maiores problemas.

Entretanto não há como afirmar que a área do Parque esteja cem por cento segura, pois há diversas trilhas que cortam a mata, sendo que algumas delas levam a pontos realmente ermos. Pelo que pudemos observar há uma preocupação por parte das autoridades em manter as áreas de maior circulação em condições mínimas para receber os visitantes. Trocando em miúdos, frequente o Parque por sua conta e risco!

Para saber mais sobre o PNT leia o post Parque Nacional da Tijuca.

A seguir algumas fotos desse lugar tão especial para os cariocas.

Ponte em frente a Cascata Taunay

Carranca que ornamenta uma das muitas banheiras que captam a água das fontes.

Apesar do que diz a placa, o melhor é não beber desta água.

As cores da natureza indicam que a primavera se aproxima.

A vista do Alto da Bandeira.

Um quati veio checar se havia algo aproveitável no lixo.

Parque Nacional da Tijuca


Endereço: Estrada da Cascatinha, 850 - Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro - RJ
Entrada franca
Horário: das 08:00 às 17:00, sendo que é recomendável iniciar as trilhas no máximo às 14:00
Como chegar: utilize uma das linhas de ônibus 301, 302 ou 345 e desça na Praça Antônio Viseu. A dica para quem está na Zona Sul é pegar o metrô e descer na Estação Uruguai, da onde é possível prosseguir de ônibus.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Já somos 1.000 gastadores de sola no Instagram! - Rio de Janeiro - RJ

Para o alto e avante!

Hoje o perfil GASTANDOSOLA, no Instagram, atingiu a marca de 1.000 seguidores, fato que nos deixa imensamente felizes por demonstrar que nosso trabalho vem sendo reconhecido por cada vez mais gastadores de sola de todas as partes do mundo. E com um detalhe muito importante: essa marca foi obtida apenas com postagens regulares, sem o uso de campanhas, robôs ou compra de seguidores. Quem milita na área das mídias sociais sabe o quanto é difícil obter crescimento orgânico competindo contra perfis que utilizam esse tipo de prática em busca de uma audiência grande, mas artificial.

Por isso fazemos questão de agradecer a todos que nos honram com sua presença em nossa lista de seguidores e dizer que continuaremos nessa linha, postando conteúdo de qualidade e ampliando o círculo de amizades!! Muito obrigado!!!

Curta o perfil do GASTANDOSOLA no Instagram clicando aqui.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Hospedagem nos Lençóis Maranhenses - Barreirinhas - MA

Estivemos no Maranhão na semana de 1° a 8 de julho participando de uma expedição fotográfica pelos Lençóis Maranhenses. O ponto de encontro dos participantes, vindos de diferentes partes do País, foi a cidade de São Luís - capital do Estado. Dali partimos para uma aventura sensacional que incluiu uma série de deslocamentos para que pudéssemos registrar a beleza do lugar em diferentes locações. Com isso também tivemos a oportunidade de conhecer várias pousadas e aproveitamos para fazer um post específico sobre hospedagem com dicas úteis para quem está planejando se aventurar por lá.

Stop Way Hotel - São Luís


As instalações são novas, modernas e confortáveis. Está localizado num bairro nobre, entre o mar e a lagoa, de modo que a vista de qualquer um dos quartos é bem aprazível. Na chegada o wi-fi demorou para conectar e permaneceu instável por boa parte do tempo, mas isso parece ser um problema generalizado no Maranhão.

Fachada do hotel - foto divulgação

Café da manhã farto, com várias opções de pães, bolos e biscoitos. Oferecem leite em pó sem lactose. Caso o hóspede deseje, preparam ovos fritos na hora, mas o serviço é cobrado à parte.

O entorno é tranquilo. Há diversos restaurantes, bem como quiosques de praia muito próximos ao hotel. Há também um pequeno mercado estilo gourmet.

Fica um pouco distante do Centro Histórico e o acesso a ele é feito mediante a travessia de uma ponte que costuma engarrafar devido ao trânsito na região. Fique atento.

Endereço:Av. Mário Meirelles, rua 26
Bairro Ponta da Areia
65.077-640 - São Luís - MA
Telefone:+55 (98) 4009-7777
Site:www.stopwayhotel.com.br
Check in:14:00h
Check out:12:00h
Dados do Stop Way Hotel

Pousada Jurará - Atins


Nosso primeiro destino nos Lençóis foi a Praia de Atins, uma pequena vila plantada próximo à foz do Rio Preguiças.

Bar e área do café da manhã - foto divulgação

A arquitetura da pousada procura reproduzir o estilo das casas de pescadores da região e ao mesmo tempo garantir o conforto dos hóspedes. Todos os quartos são térreos, possuem banheiro privativo e estão posicionados de modo a ficarem isolados da área de circulação, onde há um bar e é servido o café da manhã. O apartamento que ocupamos era amplo, mas equipado apenas com a cama, cabides de parede e um suporte para colocar a mala.

Como não há frigobar no quarto é necessário solicitar ao pessoal da pousada para guardar o que necessita de refrigeração na geladeira da cozinha. Quanto a isso não há problema, pois foram todos muito atenciosos.

O café da manhã é simples, mas gostoso. Servem pão caseiro feito ali mesmo, tapioca e ovos ao gosto do freguês. As vezes pode demorar um pouco devido a grande demanda, então é bom ir cedo para não prejudicar a saída para os passeios.

Não há calçamento nem calçadas nas ruas de Atins, então prepare-se para caminhar na areia fofa o tempo todo. Leve sandálias confortáveis.

Endereço:Rua Principal, s/n
Praia do Atins
65590-000 - Barreirinhas - MA
Telefone:(011) 3331-3434
(098) 9130-7274
Site:www.pousadajurara.com.br
Check in:14:00h
Check out:12:00h
Dados da Pousada Jurara

Pousada Encantes do Nordeste - Barreirinhas


Esse é um daqueles casos em que o nome cai como uma luva, pois o hóspede realmente fica encantado com as instalações da pousada. A começar pela recepção, que acolhe os recém chegados num ambiente que mescla requinte e sofisticação com bem-estar.

Chalés - foto divulgação

Aqui o visitante fica hospedado em chalés independentes, com total privacidade, os quais contam com varanda, rede já instalada e uma pequena área ajardinada. Ao todo são 27 chalés distribuídos numa área de aproximadamente 15.000 m² onde, ao fundo, corre o rio Preguiças. Além dessa grande área verde, a pousada oferece piscina e um espaço zen, onde um massoterapeuta está a disposição mediante agendamento.

O entorno da pousada carece de restaurantes e afins, de modo que a alternativa é utilizar os serviços do "Bambaê", bar e restaurante da pousada, que fica às margens do rio. Como o terreno é bastante extenso e irregular, os chalés ficam em diferentes níveis interconectados por escadas, o quê pode representar um problema para pessoas que tenham dificuldades de locomoção. Se for esse o caso, será necessário utilizar o serviço de uma van que realiza o transporte da recepção ao restaurante sem custo adicional.

O café da manhã é caprichado e bem variado, servido numa área coberta próxima à piscina.

Aproveite uma ida ao Bambaê para provar a Tiquira, uma aguardente local feita a partir da mandioca. É forte!

Endereço:Rua Boa Vista, 950
Boa Vista
65590-000 - Barreirinhas - MA
Telefone:(098) 3349-0288
(011) 3331-3434
Site:www.encantesdonordeste.com.br
Check in:14:00h
Check out:12:00
Dados da Pousada Encantes do Nordeste

Pousada CIAMAT - Santo Amaro


Essa pousada oferece uma opção completamente diferenciada no quesito hospedagem. Sua proposta é aliar ecologia e respeito ao meio ambiente ao conforto e requinte. Os hóspedes tem a disposição pequenos chalés construídos em madeira e palha - de modo a poder desfrutar da ventilação natural - bem distribuídos num jardim de aproximadamente 10.000 m², o que garante tranquilidade e privacidade.

Vista interna de um dos quartos - foto divulgação

Confesso que estranhei um pouco o quarto, devido a sua aparência grosseira e ausência de móveis. Havia apenas uma cama protegida por um mosquiteiro e um apoio para a mala. O banheiro segue a mesma linha e também é construído em madeira rústica.

Em contrapartida, a pousada oferece diversas opções de pastas italianas artesanais as quais podem ser combinadas com vários tipos de molhos. Destaque para a carta de vinhos, com uma seleção  de fazer inveja a qualquer restaurante internacional. Na noite em que jantamos na pousada a pedida foi por um bordeaux Franc Beauséjour e Montepulciano d'Abruzzo. Magníficos.

Endereço:Rua Sempre Virgem 13
Olho d'Agua
Santo Amaro do Maranhao - MA
Telefones:+55 98 987084735
+55 21 996723360
Site:www.ciamatcamp.com
Check in:14:00h
Check out:12:00
Dados da Pousada CIAMAT

Veja imagens de Lençóis Maranhenses em nosso perfil no Instagram, clicando aqui.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Estamos de volta! - Lençóis Maranhenses - MA

Nesta última semana estivemos gastando sola nos famosos Lençóis Maranhenses, uma região ainda pouco explorada do ponto de vista turístico e que, por isso mesmo, oferece uma incrível oportunidade para aqueles que - como nós - valorizam a originalidade da cultura local.

Foram oito dias de intensa atividade e aprendizado, participando de um Workshop Fotográfico ministrado por André Dib, renomado fotógrafo de natureza.

Os Lençóis vistos de cima

Os Lençóis compõem uma paisagem única, composta de imensas dunas de areia entremeadas com lagoas de água cristalina e estão localizados numa região com uma incipiente infra-estrutura. Aqui a natureza ainda dita as regras na maior parte do tempo e é preciso estar preparado para enfrentar o sol inclemente e a ausência de vegetação.

É claro que vamos contar tudo que aprendemos e dar as dicas necessárias para curtir os Lençóis em sua plenitude. Por enquanto, aí vai uma pequena amostra do que vivenciamos por lá.

Viajando e fazendo amigos


Emoção e aventura foram companheiras constantes nessa viagem, mas um pequeno acontecimento foi especialmente marcante por demonstrar como a simplicidade e a generosidade estão presentes nesse lugar.

Caminhos nem sempre fáceis levam a lugares incríveis

Na sua maior parte os Lençóis são um imenso deserto. E como todo deserto, esse também tem seus oásis, pequenos povoados habitados por antigos moradores que aos poucos vão descobrindo no turismo uma nova alternativa de renda.

Foi assim que, num determinado dia, fomos almoçar em Betânia, uma aldeota constituída por aproximadamente 40 famílias, onde há um restaurante e uma pousada bastante simples, que servem de ponto de apoio aos que fazem a travessia dos Lençóis a pé.

Feita a refeição e câmera na mão saímos, eu e mais três membros do grupo, a caminhar pelos arredores clicando o quê encontrávamos pela frente. Depois de caminhar por algum tempo chegamos ao núcleo da povoação, com algumas casas e sem ninguém nas ruas!

Nesse dia o tempo não estava firme e repentinamente uma chuva forte começou a cair. Nos abrigamos numa varanda e aguardamos o aguaceiro estiar, para então retornar ao restaurante e dar seguimento ao roteiro do dia.

Mas aí nos demos conta que não sabíamos voltar! Uma alternativa seria refazer o caminho ao contrário, mas isso consumiria muito tempo e já estava praticamente na hora de embarcar. Além disso, a chuva ameaçava cair novamente a qualquer momento e estávamos preocupados em não molhar os equipamentos fotográficos. Nisso avistei uma senhora e seus, muitos, filhos parada na porta de casa, possivelmente olhando admirada aqueles gringos perdidos no seu quintal. Aproveitei para perguntar se podia fotografar a família tão simpática (não podia perder essa oportunidade!) e também quis saber qual o caminho de volta ao restaurante.

A senhora prontamente nos orientou e ainda enviou Luís, um de seus filhos, para nos guiar no caminho de volta. O menino era esperto e acostumado a fazer esse caminho, de modo que em instantes estávamos de volta. Ao chegar ao restaurante nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Luisinho, nosso pequeno guia - foto de Adriana Song 

Vivendo no Rio de Janeiro, onde a violência gera uma desconfiança irracional de qualquer semelhante, confesso que me senti tocado pela generosidade daquela família, que em sua vida simples desconhece as consequências da vida nas grandes cidades.

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parque Estadual dos Três Picos - Nova Friburgo - RJ

Esse post integra a blogagem coletiva #euadoroesseparque, uma iniciativa do grupo Pequenos Grandes Viajantes, do qual o GSMA faz parte !! Todo mês seus membros elegem um tema sobre o qual os participantes expõem o seu ponto de vista.

Como nosso negócio é Gastar Sola Mundo Afora, obviamente optamos por um parque no qual se pode realizar trilhas e escaladas, o Parque Estadual dos Três Picos - PETP. Aliás, esse parque também é conhecido como o paraíso dos montanhistas, por oferecer diversas vias de elevado nível técnico.

Sobre o PETP


O parque existe formalmente desde 2002, ano de sua criação, e é o que possui a maior área em todo o estado do Rio de Janeiro - aproximadamente 46 mil hectares, atualmente. Na sua maior parte (dois terços do total) está localizado no município de Cachoeiras de Macacu. Entretanto, devido ao seu tamanho, também ocupa parte dos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Guapimirim e Silva Jardim.

De acordo com Waldyr Neto, fotógrafo e montanhista,
O parque foi criado no período em que André Ilha, um montanhista bastante conhecido e engajado, foi presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente). Quando o parque foi efetivamente decretado, montanhistas locais foram contratados como chefes do parque e outras funções. A FEMERJ (Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro) e o Parque convidaram os montanhistas e o povo local para um Seminário de Mínimo Impacto Ambiental, um evento que aconteceu na escola Ibelga. Nesse encontro foram definidas as premissas de ética e utilização da área, que foram a base das regras de uso público do parque. Resumindo, um parque criado e gerido por montanhistas onde existe um nível de liberdade muito acima da média de outras unidades de conservação.

Os Três Picos que dão nome ao parque

Seu nome tem origem na formação montanhosa conhecida como Três Picos, composta pelo Pico Menor, Pico Médio e Pico Maior, sendo este último o ponto culminante da Serra do Mar, com 2.316 metros de altitude. Considerados a principal atração do parque, atraem escaladores do mundo inteiro que vem em busca do desafio, das belas paisagens e do contato com a natureza.

Mas os atrativos do PETP não se resumem a suas três estrelas. Na localidade de Três Picos - anteriormente conhecida como Salinas - se encontram o Capacete, montanha vizinha aos Três Picos, a Caixa de Fósforo, pedra de aproximadamente 7 metros de altura equilibrada sobre um monte e o Morro do Gato. Não custa lembrar que não basta saber escalar para fazer uma via por aqui. É preciso possuir nível técnico adequado e muita disposição, uma vez que os paredões são longos, podendo chegar a 700 metros de via.

E não só de escalada vive o PETP. Gastadores de sola possuem diversas opções de trilhas, em variados níveis de dificuldade como, por exemplo, a que leva ao Vale dos Deuses - onde há um camping - ou a subida ao morro Cabeça de Dragão. A região é cortada por inúmeros rios, com a ocorrência de pequenas quedas d´águas, onde é possível tomar um banho refrescante.

Cachoeira dos Frades

Embora o lazer seja uma função fundamental na existência do parque, é preciso destacar que sua criação representou um enorme avanço na preservação ambiental com um acréscimo de 75% em toda a área protegida por parques e reservas estaduais. Sua posição estratégica forma um contínuo florestal que reúne o PETP, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos e a Estação Ecológica do Paraíso, em Guapimirim. Isso garante a proteção dos mananciais que abastecem as cidades vizinhas, bem como a flora e a fauna da região. Que por sinal são riquíssimas, graças a uma significativa concentração de diferentes espécies.

O parque oferece uma incipiente infraestrutura para receber os turistas. Felizmente isso está mudando graças ao surgimento de pousadas e abrigos de montanha, que além de oferecerem uma estadia agradável e de baixo custo, também disponibilizam áreas para acampamento.

Preciso voltar!


Costumo dizer que a visita que fizemos ao Parque é um problema mal resolvido, não porque tenha sido ruim, mas porque precisamos voltar para poder apreciar novamente a exuberância do lugar.

Na verdade essa primeira ida fez parte de uma Expedição Fotográfica Assistida, organizada por Waldyr Neto, cujo objetivo era fotografar as paisagens do parque com ênfase nos Três Picos, aproveitando o feriado prolongado do Dia do Trabalho.

Quem fotografa em ambiente natural sabe que as condições climáticas são determinantes e imprevisíveis. Chegamos na noite de 28 de abril sob uma forte neblina que se estendeu até a noite do dia 30!

Os Três Picos encobertos pela neblina

Nesse período realizamos diversas trilhas a pontos estratégicos para registrar os famosos Três Picos, mas na maior parte do tempo a neblina era tão densa que a visibilidade era praticamente nula.

Sempre que as cenas de plano aberto ficavam prejudicadas, aproveitávamos para fotografar o efeito da água sobre a vegetação, bem como detalhes da flora e fauna locais.

Quaresmeiras em flor

Perólas de orvalho

João de Barro

Inacreditavelmente, de forma súbita, a cortina de água levantou na última noite de estadia e podemos então registrar o céu noturno. Quem nasceu e cresceu em cidades grandes, profusamente iluminadas, talvez não tenha noção do que é um céu estrelado num ambiente livre de poluição.

Céu noturno, sem poluição ou excesso de luz

Na manhã seguinte o sol apareceu, o céu permaneceu azul e finalmente registramos os Três Picos em toda sua grandeza.

Hospedagem


Refúgio Canto da Pedra

Ficamos hospedados no Refúgio Canto da Pedra, que foi reservado exclusivamente para o nosso grupo. Apesar de simples, oferece o apoio logístico e conforto necessários para uma boa estadia: energia elétrica, fogão, geladeira e banheiros com banho quente.

O dormitório é no mezanino e cada um deve levar seu saco de dormir, embora haja colchonetes disponíveis.

O pessoal do refúgio se encarregou de manter a turma bem alimentada com café da manhã reforçado, almoço e janta. Comida caseira, muito bem preparada com ingredientes frescos, cultivados nas propriedades do entorno. Destaque para o rodízio de pizzas no forno à lenha que rolou na noite de domingo.

Outra dica importante: bem próximo fica o Sítio Tartari, onde é vendida cerveja artesanal de excelente qualidade!!

Casa do Português

O parque engloba diversas propriedades rurais

Amanhecer no Jaborandi

Vale do Jaborandi encoberto pela neblina

Onde ficar


Abrigo República Três Picos

  • Abrigo República Três Picos – Tel. (21) 2245-7969 / 9254-2794 – Email: r3p@republicatrespicos.com.br – Contato: Paulo Mascarin
  • Abrigo Três Picos – Tel. (22) 9836-7555 – E-mail: refugio@trespicos.com.br – Contato: José Augusto (Zezinho)
  • Refúgio Canto da Pedra - Tel. (21) 99261-8407 - Contato: Alexandre Portela
  • Refúgio das Águas – Tel. (22) 2543-3504 – Contato: Sérgio Tartari ou Rosângela
  • Refúgio Pico Maior – Tel. (22) 2543-3512 – Contato: Sérgio Poyares

Fontes


TRILHAS E RUMOS. Parque Estadual dos Três Picos: paraíso dos escaladores. Disponível em https://trilhaserumos.com.br/dicas-roteiros/parque-estadual-dos-tres-picos-paraiso-dos-escaladores/. Acessado em 25 jun. 2017.

WALDYR NETO. A Magia da Montanha. Disponível em http://amagiadamontanha.blogspot.com.br/. Acessado em 29 jun. 2017.

WIKI PARQUES. Parque Estadual dos Três Picos. Disponível em http://www.wikiparques.org/wiki/Parque_Estadual_dos_Tr%C3%AAs_Picos. Acessado em 25 jun. 2017.


Blogs participantes


Este post faz parte da blogagem coletiva #euadoroesseparque. Confira aqui a lista dos Blogs Participantes



  1. ILoveTrip - Parque da Cidade de Brasília: Conheça o Maior Parque da América Latina!;
  2. Destinos por onde andei... - Parque Lage, Rio de Janeiro, um oásis de paz na Cidade Maravilhosa;
  3. Vem pro Parque! - Inauguração do Parque Aquático Hot Beach Olímpia, nós fomos!;
  4. Atravessar Fronteiras - Parque das Garças à beira do lago em Brasília;
  5. Cantinho de Ná - Parque Dona Lindu em Recife: urbanismo à beira-mar;
  6. Gastando Sola Mundo Afora - Parque Estadual dos Três Picos;
  7. Viajonários - Holland Park e Kyoto Garden, o jardim japonês mais bonito de Londres;
  8. Uma Senhora Viagem - Balboa Park, Uma Maravilha em San Diego, Califórnia;
  9. Somando Destinos - Stanley Park, um paraíso verde em Vancouver;
  10. Ligado em Viagem - Como ir de carro ou trem de Londres para o Parque da Peppa Pig;

terça-feira, 27 de junho de 2017

Lençóis Maranhenses - a próxima aventura !


A redação do GSMA está em polvorosa, pois estamos finalizando os últimos detalhes para a nossa próxima aventura! Desta vez, iremos gastar sola numa região que é considerada a única existente no planeta: Os Lençóis Maranhenses.

Embarcaremos neste sábado, dia 1º de julho, rumo à São Luís - capital do Estado - para de lá seguirmos à Barreirinhas, porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Serão 8 dias de intensa movimentação entre as diversas atrações que nos esperam, pois nesse lugar a paisagem mescla gigantescas dunas de areia com lagoas de água cristalina e praias de água salgada.

Durante a viagem participaremos de um Workshop Fotográfico com André Dib, renomado fotógrafo especialista em fotografar ambientes naturais, com forte presença nas principais revistas de natureza, esporte e turismo do país. Além disso, André conquistou diversos prêmios no Brasil e no Exterior -  entre eles, o concurso da Fundação Nacional de Artes - FUNARTE com o tema Natureza e o de melhor fotografia da National Geographic Brasil.

O objetivo é trazer aos nossos leitores belas imagens desse lugar fascinante, bem como aproveitar os conhecimentos adquiridos para aprimorar cada vez mais nossos futuros registros.

Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses - PNLM


Localizado na região nordeste do Brasil, às margens do Rio das Preguiças no Maranhão, o PNLM é formado por 155 mil hectares que abrigam uma condição geológica extremamente rara. Graças as altas dunas de areia - algumas com até 40 metros de altura - a região assemelha-se a um grande deserto, entretanto, devido ao elevado índice de precipitação pluviométrica, as águas represadas entre as dunas formam lagoas de água doce, com tonalidades que variam do verde ao azul, dando origem a oásis de vegetação característica de áreas litorâneas. Esses oásis abrigam comunidades de moradores que, a partir do incremento do turismo, passaram a ter uma nova fonte de renda, atendendo aos visitantes que chegam para conhecer ou percorrer as dunas em trilhas que podem durar até 4 dias. As lagoas mais famosas são a Lagoa Azul e a Lagoa Bonita, reconhecidas pelo seu encantamento e condições de banho.

Ao que tudo indica está será uma aventura inesquecível e que deverá render belas imagens. Como a região é de difícil acesso e não há conexão via internet, estaremos contando tudo que aconteceu nessa semana a partir do dia 08 de julho. Até lá!!