quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um corsário ao contrário - Rio de Janeiro - RJ

Piratas, bucaneiros e corsários sempre estiveram presentes em nossa vida, seja na literatura, no cinema, nas viagens imaginárias da infância ou nas lições adquiridas nos bancos escolares. Por isso tomar conhecimento da existência do O Corsário Carioca não chegou a ser uma total surpresa. Surpreendidos mesmo ficamos com a proposta do projeto e o nível de engajamento de seus participantes.

Um pouco de história


Por definição, Corsário nada mais é que um pirata agraciado com uma Carta de Corso, documento outorgado por Reis e Rainhas que lhe permitia pilhar navios de nações inimigas do país outorgante. Ou seja, uma forma bem menos dispendiosa de travar uma guerra, uma vez que os custos do empreendimento corriam por conta do Corsário e parte do resultado das pilhagens ia para o tesouro real.

Entretanto ...

O Corsário Carioca é um tipo bem diferente destes aventureiros que singravam os Sete Mares em busca de fama e fortuna. De acordo com Marcelo Senra - misto de capitão e idealizador do projeto - este corsário "veio a mando da Rainha Educação e do Rei Conhecimento, tendo como missão resgatar a cidadania do carioca distribuindo cultura de forma lúdica".

Marcelo Senra, de preto, mete a mão no tesouro de Estácio de Sá.

Tudo começou em 2014, durante os festejos de 450 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro. De lá para cá já passaram pelo seu tombadilho em torno de 8.000 pessoas. O público-alvo são as crianças, mas a programação é montada para atender a toda a família. Claro que todos são bem vindos, de modo que nestes dois anos de atividade muitos turistas nacionais e estrangeiros tiveram a oportunidade de se divertir e conhecer um pouco da história da cidade.

Navegando pela história


O tour tem início na Marina da Glória e tem duração aproximada de duas horas e meia. Além da tripulação do barco, fazem parte da equipe dois especialistas em salvamento marítimo e seis atores caracterizados com figurino de época.

Marina da Glória.

Assim, por volta das 10:00 horas do último domingo, um grupo de mais ou menos 105 marujos de primeira viagem se reuniu no pier da marina para aguardar o embarque em uma nau que os levaria a uma jornada pelos principais pontos históricos da Baía de Guanabara. Foram recebidos pelos ilustres personagens: Aimberé, Araribóia, Anchieta, Villegagnon, Estácio e Mem de Sá.

Mem de Sá se apresenta ao público.

Enquanto a escuna seguia costeando a terra firme, um professor de história ia narrando fatos pitorescos sobre cada lugar e fazendo a conexão com o personagem representado a bordo. Muitos frequentam a Praia do Flamengo, por exemplo, mas poucos sabem que ali deságua o Rio Carioca, às margens do qual foi estabelecida a primeira povoação portuguesa da região.

Pão de Açúcar e bairro da Urca.

Diversão é cultura


Ao passar pela Praia de Fora o locutor anuncia uma grande luta! Estácio de Sá versus Villegagnon - uma disputa valendo a posse do Novo Mundo!!

Veja estas e outras imagens no álbum O Corsário Carioca em nossa página no Facebook.

A garotada vibra, torce, se emociona. Villegagnon tenta um golpe sujo. Um pequeno assistente indignado quer dar um tiro com a garrucha no vilão debochado!! Felizmente ela é cenográfica e a tragédia é evitada. O duelo foge do controle e os contentores lutam em volta da embarcação. A peruca do francês cai, todos riem - menos ele, é claro. Por fim, Mem de Sá vem em socorro do sobrinho e resolvem a parada. Vencido, um resignado Villegagnon é consolado por um grupo de senhoras que querem uma selfie com ele.

Oficina de cartografia.

Além deste pequeno teatro, o passeio inclui duas oficinas: uma de cartografia para crianças e outra de especiarias para navegantes de todas as idades. Afinal, as grandes navegações se deram com base em cartas náuticas e tiveram como motivo a busca de rotas para aquisição de temperos!

Um lanche de frutas com suco e água a vontade completa o cardápio. Diga-se de passagem que não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas a bordo.

Comprovando a tese que O Corsário Carioca é um corsário ao contrário, ao final do passeio cada criança recebeu sua parte do butim: um saco de moedas de ouro (de chocolate) e maços de dinheiro (de mentirinha, é claro). Alegres e ainda animados com tudo que vivenciaram voltaram à terra firme sem se aperceber que em meio as brincadeiras tiveram uma bela aula de história onde tudo aconteceu. Uma lição que dificilmente será esquecida.

O Gastando Sola Mundo Afora participou deste evento a convite do O Corsário Carioca.

O Corsário Carioca

Turismo pedagógico e ambiental
Passeio de barco pela Baía de Guanabara, com contação de histórias dramatizadas e oficinas
Saídas: Todos os sábados às 10:00 da Marina da Glória - Rio de Janeiro - RJ
Valor: R$ 70,00 por pessoa
Para maiores informações visite a página O Corsário Carioca no Facebook ou mande um e-mail para ocorsariocarioca@gmail.com.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Trilha do Alto da Ventania : em busca da Golden Hour - Petrópolis - RJ

Além de bons gastadores de sola, somos apaixonados por fotografia! Via de regra em nossas caminhadas nos deparamos com paisagens tão belas e surpreendentes que seria uma pena desperdiçar a oportunidade de registrá-las, tanto como forma de manter uma lembrança do momento, quanto para poder compartilhar com nossos leitores aqui no blog.

Entretanto ...

Quem já voltou com fotos chochas e sem graça de uma viagem sabe que uma coisa é a paisagem a nossa frente e outra, bem mais complicada, é o seu registro fotográfico. Por isso, conscientes da importância do aprimoramento nesta área, nos dias 28 e 29 de janeiro participamos do Workshop de Fotografia de Montanha ministrado pelo Professor Waldyr Neto. Além de fotógrafo especializado neste tipo de trabalho, Waldyr é autor de vários livros sobre o tema e também responsável pelo blog Magia da Montanha, o qual reúne artigos muito úteis quando o assunto é montanha, trilha e fotografia.

Golden Hour


Um dos tópicos discutidos durante o curso foi a variação das condições de iluminação natural no decorrer do dia e em especial a ocorrência do que se convencionou chamar de Golden Hour ou Hora Mágica.

Por definição, Golden Hour é um período de tempo que ocorre duas vezes ao dia, sendo a primeira hora depois do nascer do Sol e a última hora antes do pôr-do-Sol. Não é uma regra definitiva, uma vez que estes intervalos variam de acordo com o local que está sendo fotografado, clima, altitude e pela estação do ano. O importante é saber que nestes momentos as características da luz natural oferecem as melhores condições para o registro de paisagens, principalmente em montanhas.

Isso pode ser explicado pela posição do Sol, posicionado próximo à linha do horizonte, produzindo uma luz quente, mas ao mesmo tempo suave e difusa. Com esse tipo de luz é possível captar melhor a textura do ambiente e criar jogos de luz e sombra que valorizam o volume dos objetos.

Dito assim parece simples, só que na prática conseguir o resultado ideal pode ser um pouco mais complicado do que se gostaria. Não por outra razão estava previsto um exercício prático, que consistiu em realizar uma trilha noturna até o Alto da Ventania, onde os participantes puderam fotografar o nascer do sol tendo a serra como pano de fundo.

Alto da Ventania


A Pedra da Ventania, ou Alto da Ventania como também é conhecida, esta localizada na Serra da Estrela e é considerada a 48ª montanha mais alta de Petrópolis. Foi escolhida para a realização do exercício por apresentar um cume amplo, com muitas lajes de pedra e uma linda vista para o maciço oeste da Serra dos Órgãos, com excelente visada para o ponto onde despontaria o Sol.

No dia em que saímos em busca da Hora Mágica o alvorecer estava previsto para às 06h15min, de modo que tivemos que deixar a pousada onde nos encontrávamos por volta das 03h30min para um deslocamento de carro que durou em torno de meia hora.

O grupo era constituído por aproximadamente 10 alunos, o instrutor e um guia acompanhante. Além do equipamento de trilha, todos levavam sua tralha de fotografia, a qual era constituída basicamente de câmara, tripé e conjuntos de lentes / filtros - um peso adicional considerável, mas indispensável para a ocasião.

A trilha fica dentro dos limites do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - PARNASO, entretanto o acesso a ela é feito a partir da zona rural da cidade, no bairro do Caxambú. Como não há placas indicativas ou portaria, para achar o ponto inicial, principalmente no escuro, é preciso conhecer bem o local. Felizmente guia e professor estavam bastante familiarizados com a região e não tiveram dificuldade em indicar a passagem.

Torres de alta tensão servem como ponto de referência.

Uma curiosidade: depois de quase ser arrastado pelo vento na Pedra do Sino, me preparei para o pior ao trilhar num lugar que tem Ventania no nome!! Levei casaco e anorac que nem saíram da mochila, pois o clima estava agradável e soprava apenas uma leve brisa ...

Ficha técnica
Extensão:em torno de 2 km
Localização:Petrópolis - RJ
Saída:A partir de uma servidão no bairro Caxambu
Altura máxima:1.560m acima do nível do mar.

A marcha em si é tranquila. Há um caminho bem demarcado no solo e estacas sinalizadoras indicativas da travessia Cobiçado x Ventania. Em caso de dúvida basta seguir os cabos de alta tensão que atravessam a elevação.

Turma inicia retorno a base, após término da golden hour no topo do Ventania.

Poucos metros após o início há um riacho que pode ser transposto com facilidade, utilizando para isso as pedras de seu leito. A seguir vem um trecho em ascensão contínua que vai praticamente até o topo, seguindo as curvas de nível da encosta.

Em dois pontos é preciso ultrapassar barreiras colocadas ali para impedir a passagem do gado e motoqueiros. Tome cuidado, pois são estreitas e feitas com arame farpado.

Passagem das barreiras exige cuidado para não se ferir no arame farpado.

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, para padronizar as análises sobre trilhas, utilizamos a norma brasileira NBR 15505-2 - Turismo com atividades de caminhada - Parte 2: Classificação de percursos.

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2
Severidade do Meio:2 - Moderadamente severo
Orientação no Percurso:2 - Caminho ou sinalização que indica a continuidade
Condições do Terreno:3 - Percurso por trilhas escalonadas ou terrenos irregulares
Intensidade de Esforço Físico:3 - Esforço significativo

Análise da classificação
  • Severidade do meio: a maior parte do trecho possui cobertura vegetal e é muito tranquilo. Entretanto, em alguns pontos a marcha é feita sobre pedras com abundante infiltração de água - combinação propícia para escorregões, torções e tombos;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é mínimo. Mesmo assim procure não se desviar da rota marcada para evitar acidentes;
  • Terreno: típico de montanha, com elevação significativa em mais da metade do percurso. Pode ser vencido com marcha regular, sem necessidade de escalaminhada;
  • Esforço físico: esteja preparado para uma subida constante em praticamente todo o percurso. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em nossa caminhada:

Subida
Início:04:05
Chegada:06:05
Retorno
Início:07:11
Chegada:08:35

A hora da verdade


Desta vez a trilha não era o objetivo principal, mas apenas um meio para estar no topo do Ventania na famosa Hora Mágica. Assim que atingimos o ponto previsto, cada um tratou de montar seu equipamento e dar início ao trabalho. Neste dia fomos brindados por um nascer do sol espetacular, com poucas nuvens no céu e alguma neblina entre as montanhas. O resultado pode ser conferido abaixo!



O tom amarelado, característico da golden hour.

As condições de luz mudam rapidamente, permitindo a obtenção de
diferentes efeitos em pouco espaço de tempo.

Foto do grupo, realizada pelo Prof. Waldyr Neto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Rio ganha inventário online de monumentos - Rio de Janeiro - RJ

2017 começou com uma bela novidade para os gastadores de sola que curtem andar pela cidade do Rio de Janeiro apreciando suas praças e monumentos. Trata-se do Inventário dos Monumentos RJ, criado pela arquiteta Vera Dias e disponível online no endereço www.inventariodosmonumentosrj.com.br.

A partir de um extenso trabalho de pesquisa realizado ao longo de vários anos pela autora, o site apresenta uma relação atualizada e com informações detalhadas de cada peça, inclusive com a indicação das fontes utilizadas na coleta de dados.

Vera Dias é carioca, formada em arquitetura e com pós-graduação em Urbanismo. Atua na área de preservação do patrimônio cultural público como funcionária da Prefeitura do Rio desde 1992, quando assumiu como servidora na Fundação Parques e Jardins. Atualmente é Gerente de Monumentos e Chafarizes da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos.

Tela inicial do Inventário

Como funciona


A partir da aba Catálogo é possível filtrar a pesquisa por Categoria ou por Bairro, facilitando assim a localização do item desejado.

Cada item é acompanhado de descrição detalhada

O registro de cada peça inclui uma ou mais imagens e uma ficha técnica contendo sua denominação, data de inauguração, autoria, fundição ou atelier (se for o caso), tombamento e descrição detalhada, incluindo a localização num mapa interativo.

O sistema é bastante simples e fácil de usar, sendo uma ferramenta muito útil para professores, historiadores, guias e turistas interessados em conhecer um pouco mais da história da cidade. Agora é só planejar o roteiro e ficar por dentro dos segredos a serem revelados por cada monumento no caminho. Bom proveito!




sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Adeus 2016! Seja bem-vindo 2017!!

Faltando poucos dias para acabar e 2016 continua nos pregando sustos! Mas não importa, porque sobrevivemos a ele e continuaremos firmes e fortes no ano que se inicia.

Aproveitando o ciclo que se fecha e realizando um balanço dos últimos 12 meses chegamos a conclusão que para estes gastadores de sola o ano nem foi dos piores. Se não, vejamos:

- Como membros da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem - RBBV participamos da nossa primeira blogagem coletiva, cujo tema foi a MuseumWeek2016, com um post sobre o Museo Chileno de Arte Precolombino;

- Também pela rede marcamos presença no Encontro RBBV 2016, realizado de 25 a 27/nov. em Belo Horizonte. Estiveram reunidos mais de 150 blogueiros discutindo rumos, tendências, tecnologias e o futuro da atividade. Para saber mais, veja o post sobre o evento clicando aqui;

- Percorremos a Trilha Salkantay, no Peru, naquela que foi seguramente a nossa maior aventura do ano! Ficou curioso? Publicamos uma série de posts sobre a trilha, mas pode começar por este aqui: Trilha Salkantay : o caminho da aventura;

Gastando Sola em Salkantay

- Comemoramos três anos de estrada em grande estilo, com uma caminhada por Santa Teresa, o bairro mais charmoso da cidade do Rio de Janeiro. Fruto de uma parceria com a Mila Turismo, o evento foi um sucesso e trouxe outra novidade: os bolinhos da Fornosura!! Veja os detalhes no post Caminhando e Sambando em Santa Teresa - caminhada de 3 anos do blog;

- E por falar em parcerias, a Vivi Trilhas nos brindou com dois roteiros de tirar o fôlego (literalmente): a Pedra do Sino e o Costão do Itacoatiara;

- Também estivemos no Uruguai, onde gastamos sola em diversos lugares e vivemos histórias que precisam ser foram contadas. Isto sem falar que esta viajem rendeu muitas e belas fotos!!

- Claro que nem tudo foram flores. No retorno ao Brasil a LATAM nos aprontou uma que não está no mapa. Contamos parte do perrengue em uma Carta Aberta que, pelo elevado volume de acessos, reflete o pensamento de muitos clientes desta empresa.

O que temos para 2017


Felizmente o que não nos falta é vontade de viajar. Se dependesse apenas da vontade acho que nem voltaríamos tão cedo ao Brasil!!

Como os tempos andam bicudos e os recursos escassos, ainda estamos avaliando quais opções possuem melhor relação custo benefício.

Na pauta, por enquanto, a Chapada Diamantina, Travessia Petrópolis x Teresópolis, a Terra Média (Nova Zelândia), Torres Del Paine (no Chile) e África, mais precisamente a Namíbia e/ou África do Sul.

No mais, deixamos aqui os nossos melhores votos de um Ano Novo repleto de alegrias, saúde e sucesso a todos os nossos leitores, amigos e familiares.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Viajante Secreto 2016

Como de costume, um pouco antes do Natal, a turma da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem -  RBBV promove o Viajante Secreto, uma variante do tradicional Amigo Secreto - só que adaptado ao contexto dos participantes.

Além de divertida, esta brincadeira serve para estreitar os laços de amizade entre pessoas que estão fisicamente distantes, mas que tem em comum a paixão por viajar. Funciona da seguinte maneira: o participante se inscreve e é sorteado para saber quem será o seu Viajante Secreto, assim como ele será o Viajante Secreto de alguém. Sendo que este alguém pode estar em qualquer canto do mundo, literalmente.  A proposta é que cada um envie uma lembrancinha que represente o lugar onde vive, como um cartão postal do lugar ou alguma reminiscência de viagem.

Este ano fui sorteado para ser o Viajante Secreto da dupla Ubiratan e Leonardo Chaves, do blog O Reverso do Mundo. Ambos se dedicam a viajar por Pernambuco e arredores, buscando curiosidades, histórias, pessoas e até lendas urbanas, oferecendo a seus leitores uma abordagem que privilegia o viés histórico, cultural e ambiental. Inquietos, planejam estender seus roteiros para outras regiões do país num futuro próximo.

O cartão postal do Marco Zero de Recife e os cartões de visita que recebi

E mais a dedicatória super bacana. Valeu Leonardo!!

Um grande abraço ao Ubiratan e ao Leonardo, com os melhores votos que seus caminhos estejam sempre abertos em 2017!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Feliz Natal!!

Feliz Natal a todos!!


Desejamos a todos os nossos leitores, amigos e colaboradores um Feliz Natal, repleto de bençãos e alegrias!!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Trilha do Costão de Itacoatiara - Niterói - RJ

Para encerrar o ano em grande estilo o Gastando Sola Mundo Afora topou o convite da Vivi Trilhas, nossa parceira de aventuras, para realizar a famosa trilha do Costão de Itacoatiara.

Vista a partir do cume do monte Itacoatiara

Para quem mora no Rio é um atrativo de fácil acesso, pois está localizado no município vizinho de Niterói. Tanto é que neste dia marcamos de nos encontrar na Estação das Barcas, na Praça XV. Feita a travessia, pegamos o ônibus 38 - Itaipu e em pouco mais de uma hora estávamos na portaria do Núcleo Itacoatiara do Parque Estadual da Serra da Tiririca prontos para dar início a subida. Se você for fazer este mesmo trajeto atenção: confirme com o motorista se ele passa pela praia de Itacoatiara, pois há dois percursos diferentes para a linha 38. Aliás, para quem gosta de mar, este é um programa dois em um: faça a trilha e pegue uma praia - ou vice-versa.

Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET


A trilha do Costão de Itacoatiara está dentro dos limites do PESET, o qual possui uma extensão total em torno de 3.493 hectares e é uma importante área de preservação ambiental.

Na verdade o PESET abrange partes dos municípios de Niterói e Maricá e é composto por uma parte marinha e outra terrestre, com uma cadeia de montanhas que adentra o continente. Inclui ainda três lotes adjacentes à serra e que fazem parte da área natural protegida do PESET: Morro das Andorinhas, Núcleo Restinga e Duna de Itaipu, situadas em Itaipu, na região oceânica de Niterói.

O Núcleo Itacoatiara é o responsável pela administração desta trilha e, segundo o agente que nos atendeu, o excessivo número de frequentadores tornou necessária a fixação de um limite de 200 visitantes por dia. A medida será implantada em breve e o critério de acesso será a ordem de chegada. Portanto, a partir de janeiro programa-se para chegar cedo para poder curtir o passeio!

Sobre a trilha


O percurso tem início logo após a casa da guarda, praticamente na entrada do parque. A parte mais baixa é percorrida numa área de mata, com um aclive pouco acentuado, mas bastante irregular. Tome cuidado com os desníveis para evitar de torcer um pé - ou dois!

A primeira parte é feita na sombra da mata

Veja estas e outras imagens no álbum Gastando Sola no Costão do Itacoatiara em nossa página do Facebook.

Esta etapa termina numa área plana, onde o caminho se divide e o visitante pode optar em seguir para o Morro do Costão ou a Enseada do Bananal. Neste dia o objetivo era o Costão e para lá nos dirigimos lépidos e fagueiros!!

O início da rocha determina o fim da cobertura oferecida pelas árvores. Por isso não esqueça de usar protetor solar o tempo todo. Chapéu e óculos escuros são recomendados, principalmente em dias de sol forte, como foi o caso.

Aguardando a vez para subir

Apesar de muito íngreme, a rampa de pedra pode ser vencida com relativa facilidade, seja escalaminhando com cuidado ou subindo de gatinhas (posso garantir que não é vergonha alguma, pois boa parte das pessoas utiliza esta opção). Nem deveria ser preciso dizer que calçados adequados são indispensáveis por questões de segurança. Solados rígidos e sandálias em geral não oferecem a aderência necessária para manter o equilíbrio e uma queda aqui pode ser muito perigosa.

Subindo o costão do jeito que deu
Crédito da foto: Vivi Trilhas

Este trecho tem uma extensão aproximada de 20m e é a parte mais divertida do caminho. A partir deste ponto a inclinação fica mais suave e é possível seguir caminhando normalmente, mas sempre tomando muito cuidado, é claro.

Falar sobre o nível de dificuldade de uma atividade como esta não é fácil, pois há vários elementos subjetivos que interferem na percepção do praticante, principalmente no que diz respeito a condicionamento físico e equipamento utilizado. Por isso, para padronizar as análises sobre trilhas, utilizamos a norma brasileira NBR 15505-2 - Turismo com atividades de caminhada - Parte 2: Classificação de percursos.

Ficha técnica
Extensão:em torno de 1 km
Saída:Entrada do Núcleo Itacoatiara do PESET
Altura máxima:aproximadamente 200m acima do nível do mar

Classificação do percurso
de acordo com a NBR 15505-2
Severidade do Meio:2 - Moderadamente severo
Orientação no Percurso:2 - Caminho ou sinalização que indica a continuidade
Condições do Terreno:4 - Percurso com obstáculos
Intensidade de Esforço Físico:3 - Esforço significativo

Análise da classificação
  • Severidade do meio: o trecho com cobertura vegetal é muito tranquilo e não oferece risco neste quesito. Entretanto, é preciso estar atento na parte  executada sobre a rocha. O ambiente é árido, sem fonte de captação de água e não oferece proteção ao sol ou a intempérie;
  • Orientação: o caminho é bem sinalizado e o risco de desorientação é mínimo. Mesmo assim evite se desviar da rota marcada para evitar acidentes;
  • Terreno: bastante irregular na primeira parte. No início do trecho sobre a rocha há uma inclinação de aproximadamente 70º, sendo necessário escalaminhar ou engatinhar;
  • Esforço físico: esteja preparado para uma subida íngreme até o cume. Faça paradas curtas sempre que necessário, mas não se demore demais no caminho.

Como referência, segue o tempo gasto em cada etapa de nossa caminhada:

Subida
Início:08:50
Parada:09:40
Cume:10:00
Retorno
Início:10:50
Parada:11:30
Portaria:11:50

Quem já fez esta trilha sabe que o trajeto pode ser feito num tempo bem menor. Por isso é bom esclarecer que neste dia fizemos a subida com muita calma e diversas pausas para fotos (haviam dois fotógrafos no grupo!!).

E por último uma dica muito importante: acrescente um par de luvas à sua mochila. Na volta, na parte mais íngreme, é aconselhável descer escorregando sentado, apoiando as mãos no chão. Com o sol a pino, a pedra fica muito quente e é difícil fazer isso devido ao calor.

Encerrando as atividades de 2016 em grande estilo
Crédito da foto: Vivi Trilhas

Veja estas e outras imagens no álbum Gastando Sola no Costão do Itacoatiara em nossa página do Facebook.

Fontes


INSTITUTO ESTADUAL DO AMBIENTE. Parque Estadual da Serra da Tiririca. Localizado em http://www.inea.rj.gov.br/Portal/Agendas/BIODIVERSIDADEEAREASPROTEGIDAS/UnidadesdeConservacao/INEA_008600#/Endere%C3%A7oemaisinforma%C3%A7%C3%B5es. Acessado em 22 dez. 2016.