terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ilha da Boa Viagem - Niterói - RJ

A Ilha da Boa Viagem localiza-se na baía de Guanabara, na cidade de Niterói, e está ligada ao continente por uma ponte e uma extensa faixa de areia, o que não deixa de ser curioso, uma vez que, por definição, uma ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados.

Ilha da Boa Viagem, em Niterói.

O primeiro registro conhecido data de 1615 e foi feito pelo holandês Dierick Ruiters. Nos mapas dos séculos  XVII e XVIII, aparece como um ponto de referência para os navegantes, sendo retratada como uma local paradisíaco. Talvez por isto e pelo formato original da praia onde está localizada, também é conhecida como Pérola da Guanabara.

Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.


Por volta de 1650 tem início a construção de uma igreja em homenagem à Nossa Senhora da Boa Viagem no ponto mais alto da ilha, sendo que as obras só foram concluídas em 1734. É um templo pequeno, mas que forma uma composição harmoniosa com o céu azul e a Baia da Guanabara ao fundo. E é também um sobrevivente, pois já passou por dois incêndios e resistiu a um longo período de abandono. O pátio ao redor é recoberto com cerâmica produzida pelos índios, que foram introduzidos na técnica pelos catequisadores da época.


Vista lateral da igreja.


No início do século XX, a capela passou a ser cuidada pela Sociedade Protetora dos Homens do Mar, que exerceu esta função até 1937, quando a Sociedade a devolveu para a União. Em 2013 passou por uma reforma para receber os peregrinos da Jornada Mundial da Juventude. Atualmente, uma vez ao mês é realizada uma missa aberta à comunidade e esta tem sido a única oportunidade de visitação à ilha.

Um pouco mais abaixo, na face voltada para o interior da Baia, resiste o que sobrou de um antigo fortim, composto por uma bateria de artilhada e que tinha como responsabilidade contribuir para a defesa da entrada da barra: a Bateria de Nossa Senhora da Boa Viagem. Apesar de seu pouco poder de fogo, cruzou tiros com a frota do corsário francês Dugay-Trouin em 1710 e, em 1893, durante a Revolta da Armada, foi a vez de combater contra a Fortaleza de Villegaignon. Encontra-se atualmente em ruínas. Ali funcionou, entre 1840 e 1846, a Escola de Aprendizes Marinheiros.

O Castelo abriga a sede dos Escoteiros do Mar.


Em 1937 foi entregue pela Marinha aos Escoteiros do Mar, sob os cuidados do Almirante Benjamin Sodré, o "Velho Lobo", que passou a ser o Guardião da Ilha. Após a morte do almirante em 1982, sua filha, Maria Pérola Sodré passou a ser a guardiã da ilha. Em 1938 foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e hoje abriga a sede do 4° Grupo de Escoteiros do Mar Gaviões do Mar.

Escadaria que dá acesso à igreja.


O interior da ilha é recortado por várias escadarias e vias de acesso em estado regular de conservação. Algumas subidas são íngremes devido ao relevo do local, mas o grau de dificuldade para subi-las é mínimo.

Vias de acesso foram calçadas com as pedras de lastro dos navios portugueses.


A partir do pátio da igreja é possível compreender o porquê do interesse no domínio da ilha pelos colonizadores. Sua posição estratégica era fundamental para a defesa da barra, mas hoje seu valor reside no ponto de vista privilegiado que se tem da paisagem ao redor, que inclui atrações turísticas do porte do Museu de Arte Contemporânea - MAC, Pão de Açucar, cidade do Rio de Janeiro e a Baia da Guanabara propriamente dita.

Vista do Pão de Açucar a partir da igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.

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A equipe do Gastando Sola Mundo Afora eteve na Ilha da Boa Viagem acompanhando o guiamento feito pela Expedição Cultura.