sexta-feira, 14 de março de 2014

Cândido Portinari e os azulejos do Gustavo Capanema - Rio de Janeiro - RJ

Esta semana foi anunciado que a Financiadora de Estudos e Projetos - Finep doou ao Museu Nacional de Belas Artes - MNBA 222 obras do pintor brasileiro Cândido Portinari. Com isto, o MNBA tornou-se a instituição com a maior coleção pública do artista. O anúncio tem especial importância porque a maior parte das 5.000 obras produzidas por Portinari encontran-se em coleções particulares.

Ao buscar maiores informações sobre o fato, encontrei uma declaração de João Cândido Portinari, filho do pintor, na qual ele afirma que mais de 95% do acervo continua invisível ao público brasileiro. E encerra afirmando que " ... quando vem alguém perguntar onde pode ver Portinari, a gente fica até envergonhado de dizer”.



Então lembrei que em 2012, enquanto a equipe do GSMA gastava sola pelo centro do Rio de Janeiro, fomos parar no Edifício Gustavo Capanema. Como era domingo, o prédio estava fechado, mas isto não nos impediu de admirar os imensos murais compostos de azulejos feitos por Cândido Portinari! Estes murais decoram as paredes externas e são facilmente visíveis da rua. Depois de ler a matéria sobre a doação de suas obras e a declaração de seu filho fico pensando se os pedestres que passam por ali sabem que se trata da obra de um artista tão significativo do panorama cultural brasileiro.



Para entender como estas obras foram parar lá é importante saber que o Edifício Gustavo Capanema, ou Palácio Capanema como também é conhecido, é fruto de uma época em que o governo de Getúlio Vargas procurava passar uma idéia de modernidade. Sua construção teve início em 1936, tendo sido concluído em 1945. É um marco da arquietetura moderna nacional e a equipe responsável pelo projeto era composta por nomes da envergadura de Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer (na época estagiário), Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos, Roberto Burle Marx e Jorge Machado Moreira, com a consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. O prédio destinava-se ao recém criado Ministério da Educação e Saúde e, além de consolidar os preceitos modernistas de Corbusier, incorporou diversas obras de arte de artistas renomados. Como Cândido Portinari.


Hoje o Palácio Capanema abriga o Ministério da Cultura - MinC e diversos órgãos a ele subordinados. O prédio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan desde 1948 e necessita de melhor conservação. Uma curiosidade: é proibida a instalação de aparelhos de ar condicionado (apesar das altas temperaturas do verão carioca) no local porque o projeto original previa o aproveitamento da brisa vinda da Baia de Guanabara para ventilação do ambiente. Entretanto, este conceito funcionava na época de sua construção - quando não havia estruturas que impedissem a chegada da brisa. O surgimento de diversos prédios até mais altos do que o Capanema acabaram por bloquear a ventilação natural e os funcionários do MinC precisam conviver com uma rotina de calor.



Mas para quem está apenas de visita isto não chega a ser um problema. Vale a pena conferir o terraço ajardinado com projeto do paisagista Burle Marx, as estátuas do pátio em frente e, óbvio, os murais de azulejos de Cândido Portinari. Há também um salão para exposições temporárias e um auditório, a Sala Sidney Miller.



Palácio Gustavo Capanema

Endereço: Rua da Imprensa, 16, Centro - Rio de Janeiro - RJ
Visitação gratuita, mas nem todas as dependências são abertas ao público. Em caso de espétaculos poderá ser cobrado ingresso.